[ TRÊS MANEIRAS DE VER A MORTE ] Por Astier Basilio* Bruno de Sales, Alex Camilo e Arthur Lins. Três cineastas de João Pessoa se reuniram em torno de uma idéia. Filmar juntos, em seqüência, três curtas-metragens. O projeto já tem nome: ‘Faça Você Mesmo’. O título é extremamente irônico, pois as produções têm em comum a temática do suicídio. As filmagens serão gravadas em 35 milímetros e acontecerão no final de março. O curta de Bruno Sales será O Vendedor de Enciclopédia. Crime passional, seguido de suicídio. Um homem descobre que sua mulher o trai com um vendedor de enciclopédias, mata-a com um tiro e se suicida. “É uma história genuinamente nossa. Semana passada aconteceu algo semelhante em Patos”, conta o diretor. Bruno já dirigiu O Cão Sedento, curta metragem que foi premiado com a melhor direção e melhor montagem no Festival Cine PE, de 2005. Alex Camilo, pernambucano radicado em João Pessoa, dirigirá Paz Sem Asas. O título é provisório. O curta é baseado em um relato verídico de um rapaz que se suicidou, sem motivos aparentes. “Vivia com a mãe, tinha 30 anos. No dia em que pulou da janela, passou o dia todo olhando para ela, contemplando a paisagem. O curta não vai ter fluxo de consciência, mas vamos tentar desvendar, através dos gestos, o que passava-se pela cabeça dele”, relata. Alex Camilo tem experiência como roteirista, é poeta e autor de contos, além de ter sido assistente de direção do curta Alma, dirigido por André Morais. Nunca Mais Eu Vou Ficar Também tão só é o título do curta de Artur Lins. Conta a estória de um jovem entediado que acaba “brincando” com estilaços de vidro de sua janela, quebrada por uma bola de tênis e acaba se matando ao som de uma música de Roberto Carlos. “Tem uma cena com muito sangue mesmo”, adianta Lins, co-diretor do premiado documentário Um Fazedor de Filmes. O projeto Faça Você Mesmo não conta com nenhum apoio governamental e será filmado com uma câmera de 35 milímetros, que vem de Recife ou do Rio de Janeiro. As negociações ainda estão em andamento. O grupo aposta muito no formato utilizado nos filmes. “É um formato que tem muita aceitação e a possibilidade de circularmos em festivais de todo o Brasil, além do exterior, é muito grande”, avalia Arthur. Além das carreiras individuais que os filmes farão, será lançado um DVD com os três curtas. “Vimos que havia semelhanças em nossos roteiros e resolvemos unir esforços e trabalhar juntos”, explica Camilo. A mesma equipe de produção será utilizada nos três filmes, o mesmo diretor de fotografia, inclusive, que será João Carlos Beltrão. Cooperativismo, guerrilha cultural. São estas algumas das palavras utilizadas pelos jovens cineastas paraibanos. “Os três filmes se encaixam numa equação simples de produção. Todo mundo vai trabalhar no filme de todo mundo”, relata Bruno. O orçamento do projeto é de R$ 5 mil. “O MinC avalia que o custo de um curta- metragem em 35 milímetros é estipulado em R$ 80 mil”, informa Arthur. “Muita gente vai trabalhar de graça, na brodagem”, revela Camilo. Refletindo sobre o tema do suicídio, Bruno de Sales conta que a “pessoa só se mata por falta de senso de humor”. Camilo completa: “Quando o sujeito perde a capacidade de rir de si próprio”. O tema é tabu, Arthur Lins reconhece isso, “mas é importante quebrar esses tabus”, conclui Bruno. Outra característica comum dos filmes é o lugar onde serão filmados. Todos são curtas-metragens de temática urbana e filmados em locais fechados. “Outro ponto em comum aqui é que ninguém nunca vai fazer filme rural”, brincou Bruno Sales. A inspiração para estes filmes, todos reconhecem, vem de um curta-metragem de Martin Scorcese, A Big Shave (1967), em que ao som de jazz, um homem barbeia-se, cria-se um clima e o final, como é de se esperar, tem muito sangue. [* extraido do Jornal da Paraiba, 20.02.08] postado por cricriticas às 8:20 AM Comentários:
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