New-candanga meu ovo!! Com um atraso considerável, mas voltando a achar que a hora boa é agora, faço mais um comentário sobre o 39º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. É que apesar de fazer quase um mês do dia em que ele começou, as notícias que ouvi ontem, acontecimentos tão próximos, fizeram com que eu deixasse de lado a idéia de que agora não teria mais tanto interesse em falar do assunto e voltasse aqui. Pois, chego novamente. Os longas exibidos na mostra competitiva foram marcantes e deram uma tônica muito especial ao festival, tratando sempre de temas sociais e políticos, e causando reações incômodas e fortes no público. A cada noite uma nova carga de culpa e de horror se instalava em mim, pelo que as pessoas são e pela minha impossibilidade de me isentar disso, uma vez que faço, sim, parte da humanidade. Fazemos todos, lembram? Era isso que parecia acontecer ali no cinema todas as noites, quando os filmes mostravam aspectos sombrios da nossa história política (¿Batismo de Sangue¿, de Helvécio Ratton; ¿Encontro com Milton Santos¿, de Silvio Tendler), da nossa realidade social (¿Querô¿, de Carlos Cortez; ¿Jardim Ângela¿, de Evaldo Mocarzel; ¿Baixio das Bestas¿, de Cláudio Assis). Parecia que as pessoas todas se davam conta daquilo e de que aquilo somos nós... Que achar ruim, discordar, fazer diferente da crueldade, da perversidade ou da violência que estava sendo mostrada não é suficiente pra nos afastar do que nós somos e das possibilidades todas que nos habitam, adormecidas, por vezes. Por vezes só escondidas dos outros. Foi assim que saímos ora com o fôlego suspenso, ora espantados, ora irritados. Foi assim que vi pessoas se levantarem em vários filmes, e saírem antes do fim. Em ¿batismo sangue¿, com o estômago embrulhado, acho, de ver as cenas de tortura tão próximas do real, como testemunharam pessoas que passaram por aquilo. Em ¿baixio das bestas¿, degradados e ofendidos com um cenário sem dó, de pessoas cruas, maltratando e sendo maltratadas, e todos nós sendo brutalmente comparados àquilo. Assisti aos debates de alguns desses filmes, e entendi melhor as reações das pessoas a cada vez que ouvia os comentários dos jornalistas, que era a maioria do público presente, e as respostas dos realizadores. E entendi muito bem porque o último filme, de Sílvio Tendler, fechou tão bem o festival e arrancou aplausos efusivos do povo: era um filme redentor, que terminava aquela sucessão de desmantelos humanos com uma esperança, com uma mensagem política humanizada, mas finalmente dando uma chance de sentido bom a essa palavra! E quando na noite da premiação esse filme recebeu prêmio de melhor filme, eleito pelo júri popular, foi minha vez de aplaudir com veemência, também eu aliviada. Só pra terminar um texto já tão longo e nem de perto cheio de tudo o que tenho vontade de dizer hoje, tenho razão enorme de escrever agora sobre tudo isso, já quase três semanas passadas do fim do festival. É que ontem fui pega de surpresa, veja que ingênua sou, com a notícia do aumento de salário dos parlamentares, num reajuste de mais de 90%, com umas justificativas tão absurdas que não menciono novamente. Sugiro que corram atrás de notícias, que anotem os nomes daqueles que votaram a favor, que leiam o que eles disseram pra acalmar os ânimos exaltados de todos nós, resto do povinho do país. Espero que não haja como acalmar e que eu mesma resolva mais vezes, pelo menos, falar a respeito nos lugares de onde posso falar, nos meus palanquinhos possíveis, pra não deixar o assunto morrer e ficarmos todos aqui inquietos, mas conformados; desrespeitados e impotentes. Aí, como se não bastasse, à noite, recebo mais uma vez notícia de que um amigo querido sofreu agressões gratuitas na rua, saiu ferido e quando pediu ajuda da polícia, foi tratado não como vítima, mas como marginal. Acho que é o que somos, não? Marginais. Só que não concordo que quem defina as margens não sejamos nós. Não sou uma descrente, Milton Santos! Quero minha redenção de volta! Desculpas, falarei de cinema numa próxima investida. Liuba de Medeiros postado por cricriticas às 5:03 PM Comentários:
[ FEST-ARUANDA, O GRAND FINALE ] Termina hoje o Fest-Aruanda com o esperado resultado dos premiados. A sorte está lançada e nós aqui do Birilo na torcida para que Taciano Valério consiga chegar ao seu número cabalistico de prêmios, 13. Sim, porque o Buraco tem passado o rodo geral nos vários festivais universitários por onde tem andado. Bem, a noite hoje promete. Abaixo o mapa da mina. Local: Hotel Tambaú 19h30 - Entrega do Troféu João Ramiro Melo, pelo jornalista Carlos Aranha, ao escritor, pesquisador e crítico de cinema paraibano, Wills Leal; 19h50: Exibição de vídeo realizado por alunos do ensino fundamental, da Escola Municipal Aruanda, como resultado da Oficina de Produção Audiovisual; 20h00 - Exibição especial do longa-metragem "Hércules 56", do cineasta Sílvio Da-Rin, com apresentação do filme pelo diretor. 21h30 - Solenidade de Premiação do Fest-Aruanda, com entrega de troféus e prêmios em dinheiro aos vencedores. Hércules 56, de Silvio Da-Rin Documentário, cor 35mm 93min RJ 2006 Hércules 56 é um documentário com os nove remanescentes do grupo de 15 presos políticos que, em 6 de setembro de 1969, foram trocados pelo embaixador americano Charles Burke Elbrick, seqüestrado dois dias antes, no Rio de Janeiro, por duas organizações revolucionárias que lutavam contra a ditadura militar. São eles: Agonalto Pacheco, Flavio Tavares, José Dirceu de Oliveira, José Ibrahim, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, Mario Zanconatto, Ricardo Villas Boas, Ricardo Zarattini e Vladimir Palmeira. (os outros, já mortos são: Luis Travassos, Onofre Pinto, Rolando Fratti, João Leonardo Rocha, Ivens Marchetti e Gregório Bezerra). Com diferentes idades, origem social e formação, oriundos de diversas regiões brasileiras, os quinze representavam à época praticamente todas as tendências políticas que combatiam a ditadura. Em entrevistas individuais, os noves remanescentes nos contam sua formação, trajetória política, opção pela luta armada, prisão, libertação e experiência no exílio. Em contraponto, três dirigentes da Dissidência da Guanabara (DI-GB), organização que idealizou e executou o seqüestro e que adotou a sigla MR-8 durante a ação - reunidos com dois únicos remanescentes da Ação Libertadora Nacional (ALN) que ajudou a realizá-lo - rememoram os motivos que os levaram à ação, como ela foi executada, como se definiu da lista dos presos a serem liberados, o manifesto e suas conseqüências políticas. Um extenso material de época forma a terceira linha narrativa, ajudando a contextualizar a ação. elenco: Agonalto Pacheco, Flavio Tavares, José Dirceu de Oliveira, José Ibrahim, Maria Augusta Carneiro Ribeiro, Mario Zanconatto, Ricardo Villas Boas, Ricardo Zarattini e Vladimir Palmeira, Daniel Aarão, Cláudio Torres, Franklin Martins, Paulo de Tarso e Manoel Cyrillo. E ainda algumas imagens e/ou depoimentos de Luis Travassos, Onofre Pinto, Rolando Fratti, João Leonardo Rocha, Ivens Marchetti e Gregório Bezerra. produção executiva Suzana Amado roteiro Silvio Da-Rin fotografia Jacques Cheuiche montagem Karen Harley som Valeria Ferro direção de arte Marcellus trilha sonora Berna Ceppas, Gilberto Gil música original Berna Ceppas produtora Antonioli & Amado Produções Artísticas. Silvio Da-Rin nasceu no Rio de Janeiro em 1949. Cineclubista aos 16 anos, tornou-se documentarista e dirigiu diversos filmes e vídeos. Técnico de som direto, participou da equipe de cerca de 150 produções cinematográficas. É mestre em comunicação pela ECO-UFRJ, membro titular do Conselho Superior de Cinema e integrante do Conselho Editorial da revista Cadernos de Antropologia e Imagem, editada pela UERJ. Realizou os filmes: Fênix, 1980; Mutirão, 1981; Comunicação em Sala de Aula, 1982; Looking Around, 1981; Príncipe do fogo, 1984; Igreja da Libertação, 1986; Nossa América, 1989; Uma Escola Para o Campo, 1991; Brasil Anos 60, 1993; Brasil anos 80, 1993; Uma Escola Para a Vida, 1994; Voto a Voto, 1994; Sest/Senat, 1995; e Focus on Base, 1997. postado por cricriticas às 4:32 PM Comentários:
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