Terça-feira, Outubro 31, 2006
[ O TESTE ]
sales cansado de ouvir historinhas da carrochinha resolveu destruir, à la sherek, a narrativa de branca de neve. desde criancinha, quando ficava sozinho no quarto escuro da sua casinha no interior baiano, sempre foi atormentado pela personagem da maçã envenenada. pois bem, depois da última edição da festa das neves, onde não conseguia afastar seus pensamentos da princesa, teve a brilhante idéia de exorcizar seu maior trauma de infância, destruindo assim a personagem de walt disney num filme sangrento.
para tanto, foi à rataplan, alugou a fantasia em questão e na véspera da partida de liuba (atriz) para brasília, rodou na ligeireza, as cenas que compõem o filme que exibiremos amanhã. além de liu, pablo maia faz uma participação especialíssima.
por se tratar de um filme mudo, teremos na apresentação a orquestra de vozes do professor irapanosertão. algo assim imperdível só poderia acontecer na celebração de um ano do ponto de cultura da abd-pb amanhã, a partir das 20h30, no cine-teatro lima penante (outras informações no post abaixo). sem falta.
O TESTE
(2", 16mm, cor, exp, 2006, joão pessoa ¿ PB)
SINOPSE
O abominável e sangrento distúrbio bipolar de nossa senhora das neves.
FICHA
dir. Bruno de Sal
fotografia: João Carlos Beltrão
atores: Liuba de Medeiros, Pablo Maia
ass. câmera: Breno César
efeitos especiais: Taciano Valério
continuista: Otto Cabral
produção e still: Ana Bárbara Ramos
PRODUTORES ASSOCIADOS
Leite filmes (MG)
Filmes de Sal
Las Luzineides
ABD-PB
O mal impresso
LAS LUZINEIDES APRESENTA
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Segunda-feira, Outubro 30, 2006
Tintin Cineclube | programação semanal
Cine-Teatro Lima Penante | Av. João Machado, 67 - Centro
Liuba de Medeiros em 'O teste'
Assacine Especial - filmes inéditos em JP
Ingressos | 2 reais (inteira) 1 real (estudantes e abedistas)
01.11.06 | quarta | 20h30
'Estibordo', de Marcelo Coutinho e Mariah Benaglia
[PB, 8min, Fic., 2006]
sinopse: O amor à distância de um fio.
'O Teste', de Bruno de Sal
[PB, 2min, exp., 2006]
sinopse: O abominável e sangrento distúrbio bipolar de nossa senhora das neves.
após as exibições:
Festa de Aniversário
URBE AUDIOVISUAL 1 ANO.
>> Pocket Show - No Me Abandones
>> performance - Flávio Lira e Maria Eunice
>> exposição - Verdee + Lori
>> seletores - Dowling/Nazareno/Blecaute
>> bar até às 3h da matina.
Ponto de Cultura Urbe Audiovisual comemora 1 ano
Uma programação especial irá acompanhar a sessão do Tintin Cineclube desta quarta-feira. Além do lançamento de curtas-metragens, haverá performances, música e artes plásticas no evento realizado em comemoração a um ano de existência do Ponto de Cultura Urbe Audiovisual, projeto patrocinado pelo Governo Federal, através do Minc.
A sessão é promovida pela Associação Brasileira dos Documentaristas (ABD/PB), em parceira com a UFPB, TVUFPB e Prefeitura Municipal de João Pessoa, por meio da Funjope.
A festa começa às 8h30 no Cine-Teatro Lima Penante, com a exibição do 'Assacine Especial de Aniversário' que promove o lançamento de dois curtas paraibanos: 'Estibordo', de Marcelo Coutinho e Mariah Benaglia e 'O teste', de Bruno de Salles. A entrada custa dois reais, sendo que estudantes e abdistas pagam um real.
A sessão conta com a presença das equipes realizadoras que debaterão com os participantes sobre os seus respectivos filmes.
'Estibordo' é uma ficção com caráter experimental que aborda as emoções representadas por uma mulher que se encontra num ambiente desértico. O vídeo conta com a fotografia de João Carlos, a trilha sonora de Thiago Falcão e as atuações de Lara Torrezan e Leonardo Braga. Na ocasião também será exibido o making-of do filme que revela a forma que a ambientação foi trabalhada.
Em seguida será exibido o curta 'O teste', experiência realizada por uma equipe local que tinha como objetivo testar um rolo de negativo 16mm vencido. O resultado é um plano seqüência de 2 minutos de duração, sem som, que mostra a brutal mudança do estado psicológico de Branca de Neve, culminando com o seu suicídio. Segundo o diretor, todo o som do filme, incluindo trilha, diálogos e ruídos, será executado na hora da exibição, com a participação do público presente e de convidados.
Após os curtas haverá show com a dupla do 'No me Abandones', projeto musical que teve sua primeira apresentação em agosto, no Festival Mundo. O som também fica por conta de Carlos Dowling, Nazareno e Blecaute.
Promovendo uma verdadeira integração entre diversas expressões artísticas, a festa também apresenta as performances poéticas de Flávio Lira e Maria Eunice, além de exposição de artes plásticas e fotografia.
+informações
Ponto de Cultura Urbe Audiovisual | ABD-PB
Av. João Machado, 67, Centro - João Pessoa, PB
83+3221.8450 | abd_pb@yahoo.com.br
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Domingo, Outubro 22, 2006
É TUDO VERDADE
Por João Batista de Brito
A passagem do Sr Orson Welles pelo Brasil já deu muito o que falar, mas não o suficiente.
Nos seus breves seis meses entre nós, o autor de Cidadão Kane deixou marcas indeléveis, da mais variada natureza. Para a posteridade, aqui adianto uma dessas marcas, a mim relatada por fonte rigorosamente fidedigna que, lamentavelmente, não estou autorizado a revelar.
Em 1942 o Sr Welles estava em Fortaleza, rodando o seu filme "Quatro homens numa jangada", episódio de uma película maior sobre o Brasil, que se chamava "É tudo verdade". Por escolha do próprio cineasta, o cenário natural desse episódio sobre a vida dos pescadores do Ceará era a na época remota e selvagem praia de Mucuripe.
Na ânsia de encontrar locações interessantes para o seu filme, todo dia o Sr Welles acordava cedo, deixava o hotel e, dirigindo um jipe velho, chegava à virgem e desolada Mucuripe bem antes do restante da equipe.
Nesse dia, afastou-se um pouco dos locais habituais e quando julgou que estava num ponto particularmente fotogênico do areal, onde, mais tarde, poderia enfiar o tripé da câmera, começou a cavar. Para seu susto, o terreno cedeu, e com o terreno, ele próprio: seus pés desceram areia abaixo e, de repente, viu-se enterrado até os joelhos na merda. Ele não sabia que aquela parte da praia era usada pelos jangadeiros como latrina.
Com dificuldade, saiu do fétido buraco e, enojado, sem querer sujar o jipe, procurou, com a vista, um possível socorro. A cerca de cem metros ficava a tapera mais próxima e, caminhando até lá, não fez cerimônia: bateu palmas e, com as poucas palavras que conhecia em português, pediu ajuda.
Foi atendido por uma moça que, logo que viu as calças sujas daquele gringo desesperado, entendeu o que acontecera. Filha única e órfã de mãe, a moça estava só, pois naquele momento o pai, jangadeiro como os personagens do filme do Sr Welles, estava em alto mar em plena atividade de pesca.
Comunicando-se mais por gestos que de outra forma, a moça ajudou o Sr Welles a lavar-se. Imprestáveis para o momento, as calças foram bem esfregadas com sabão de coco e estendidas num varal ao sol. Enquanto isso, de cuecas e enrolado num velho lençol furado, o Sr Welles foi convidado a tomar café com pão, e a, sentado num pequeno tamborete, esperar que as calças enxugassem.
Ainda que falassem a mesma língua, sobre o que poderiam conversar o famoso cineasta americano e a filha semi-analfabeta de um jangadeiro de Mucuripe? Não conversaram: passado o atropelo, riram da situação, e, como as calças lavadas não fossem mesmo secar nem tão cedo, relaxaram e ficaram à vontade entre as paredes de palha da tapera. Naquela manhã, quando a equipe de filmagem chegou ao local habitual de trabalho, o Sr Welles, para espanto de todos, não estava lá. Atrasado de mais de uma hora, explicou o atraso com um largo sorriso meio zombeteiro, mostrando as calças ainda úmidas.
O Sr Welles e a filha do jangadeiro não mais se viram. Pouco mais de um mês após o incidente na latrina pública de Mucuripe, o filme foi concluído, e o Sr Welles, ruidosamente assediado pela imprensa cearense, tomou o avião de volta ao Rio de Janeiro, e do Rio, direto para os Estados Unidos. E, como se sabe, nunca mais voltou ao Brasil.
Em Mucuripe a vida teria continuado a mesma, não fosse por um detalhe. Alguns meses mais tarde, o pai da moça que acudiu o Sr Welles começou a achar que a filha estivesse se vestindo de modo estranho. Depois, prestando mais atenção, notou que estranho não era o modo de vestir-se, mas o corpo da moça, que crescia de forma descomunal, especialmente a barriga.
Quando a gravidez não pôde mais ser escondida, pai e filha discutiram e foram às vias de fato. Recusando-se a dizer de quem era a criança, a moça foi sumariamente expulsa de casa e, naquele estado, mandou-se para a Capital, em busca de uns parentes da mãe, as únicas criaturas que imaginava pudessem lhe dar algum tipo de apoio.
Em Fortaleza, ficou com uma tia até a criança nascer, porém, nesse ínterim, pôde amargamente constatar o quanto era malquista naquela casa: toda vez em que podia, a tia deixava claro que, com nove filhos para criar e o marido desempregado, não estava disposta a criar bruguelo dos outros, ainda por cima, de mãe solteira.
Foi quando a moça decidiu que iria embora definitivamente do Ceará, para fazer a vida, fácil ou difícil, no Rio de Janeiro, a cidade maravilhosa de que todo mundo falava, que tantas oportunidades oferecia, diziam, aos pobres nordestinos que naquela época para lá migravam em bandos. Sem despedir-se de ninguém, fugiu da casa da tia de madrugada e tomou o expresso para a Capital Federal, levando consigo nada mais que uns trocados, uma trouxa de roupa e o bebê.
No meio da viagem, quando o ônibus cortava as intermináveis terras baianas, começou a ficar apreensiva com o destino incerto que estava dando ao filho.
Quando o ônibus parou, para o café da manhã, numa cidadezinha singela, por nome Santo Amaro da Purificação, gostou do nome e, entendendo-o como um bom presságio, tomou uma decisão. Afastou-se, veloz, da lanchonete onde os passageiros se serviam, entrou numa rua qualquer, dobrou uma esquina, depois outra, e, à porta de uma residência que lhe pareceu digna e abastada, depositou o bebê, cuidadosamente agasalhado em panos humildes mas limpos. Voltou ao ônibus chorosa e seguiu viagem.
O paradeiro da mãe até hoje ninguém sabe, porém, recolhido e acolhido pela família em cuja porta fora depositado, o menino de Mucuripe foi criado como filho, com batismo e registro em cartório, e de tão amado foi ficando, com o passar do tempo, cada vez mais incrivelmente parecido com os parentes adotivos, especialmente com a irmã.
Ao crescer, foi mandado a Salvador para estudar filosofia, mas, ao invés de entregar-se a duros silogismos, preferiu abraçar a bem mais suave carreira de cantor, e há muito pode se dizer que não existe, no país inteiro, quem não tenha escutado a sua voz melíflua, interpretando belas canções, na maior parte dos casos de sua própria e fértil autoria.
Do pai (leia-se: do pai biológico) herdou a personalidade forte, a inteligência e o gosto extravagante pelo escândalo, tendo sido ele o mentor de uma revolução artística que mais alvoroço causou do que a transmissão radiofônica da Guerra dos Mundos que o senhor seu pai cometeu um dia em Nova Iorque, antes de ir para Hollywood.
Isto, sem contar com o mais do que sintomático dado de que até filme o menino de Mucuripe -- chamemo-lo assim -- rodou, embora a crítica tenha considerado o seu cinema - como ele mesmo - "falado" demais.
Em suma, está dado o relato que não gostaríamos ficasse a posteridade sem conhecer, até porque, em propícia harmonia com o que reza o título do filme brasileiro do Sr Orson Welles, é tudo verdade.
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Terça-feira, Outubro 10, 2006
Tintin Cineclube
Cine-Teatro Lima Penante | Av. João Machado, 67 - Centro
foto por Nazareno
11/10 | quarta | 19h30| LANÇAMENTO ESPECIAL | Grátis
Serena, Serená: Os caminhos do coco de roda e da ciranda na Paraíba, de Lorena Travassos [doc, 20 min., 2006, PB]
+ Show: Mané Baixinho e Penha
+ making of: fotos de Nazareno
12/10 | quinta | 19h30| CIRCUITO ITAÚ CULTURAL | Grátis
O prisioneiro da grade de ferro, de Paulo Sacramento
[Fic, 123 min., 2003, SP]
Coco de roda e Ciranda no Tintin Cineclube
Cultura popular a partir de danças e ritmos tradicionais do nordeste é o destaque na programação dessa semana do Tintin Cineclube. O filme 'Serena, Serená: Os caminhos do coco de roda e da ciranda na Paraíba', de Lorena Travassos, será lançado nesta quarta-feira, dia 11, as 19h30, no Cine-teatro Lima Penante, com entrada gratuita.
Na quinta-feira, a atração do cineclube é o documentário paulista 'O prisioneiro da grade de Ferro', dirigido por Paulo Sacramento e que dá continuidade ao programa mensal 'Circuito Itaú Cultural'.
As sessões são promovidas pela Associação Brasileira dos Documentaristas - secção Paraíba (ABD/PB) em parceria com o Ministério da Cultura (Minc), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), TVUFPB e Prefeitura municipal de João Pessoa (Funjope).
Guiado pela música e cultura local, o documentário 'Serena, Serená' faz uma viagem através dos diálogos mantidos com os coquistas e cirandeiros paraibanos. Os entrevistados são conhecidos por pesquisadores da área, a exemplo de Penha Cirandeira, Odete de Pilar, Grupo de Caiana dos Crioulos e Mané Baixinho. O coco de Roda é uma dança resultante das misturas culturais entre africanos e indígenas no Brasil.
Após a exibição haverá uma conversa com a equipe do filme, realizado como trabalho de conclusão do curso de jornalismo da diretora Lorena Travassos. Mané Baixinho e Penha Cirandeira, personagens do documentário, também marcam presença e prometem animar a noite com muita ciranda e coco de roda.
Itaú Cultural - Dentro da programação especial do mês de Outubro no Tintin cineclube, será exibido nesta quinta-feira, dia 12, às 19h30 com entrada gratuita, o longa paulista 'O prisioneiro da grade de Ferro', dirigido por Paulo Sacramento.
O documentário se passa na Casa de Detenção do Carandiru, e foi realizado um ano antes de sua desativação. Em posse de câmeras digitais, os presidiários filmaram o cotidiano e suas impressões acerca do maior presídio da América Latina.
Na próxima semana não ocorre exibições no Tintin, pois o cine-teatro Lima Penante estará ocupado com apresentações teatrais que fazem parte do 'Outubro do Teatro', evento que acontece em vários locais da cidade durante todo o mês.
+informações
Ponto de Cultura Urbe Audiovisual | ABD-PB
Av. João Machado, 67, Centro - João Pessoa, PB
83+3221.8450 | abd_pb@yahoo.com.br
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Quinta-feira, Outubro 05, 2006
[ SELECTA CABRA BOM ]
igor e zonda no assacine passado
Eis que o bom filho a casa retornou. Sim, para quem não sabe, é bom informar que Igor Cabralito está por essas bandas da Parahyba dando o ar da graça carioca ("aí ta certo") até meados de novembro. Não perde tempo mesmo esse Cabral e apresenta amanhã no Tintin Cineclube uma programação especialíssima para os freqüentadores do valoroso cineclube. Veja abaixo a dica do birilo.
Selecta - Diversidade e experimentação com a linguagem audiovisual também é o que não falta na mostra que será exibida nesta quinta-feira, dentro do programa mensal "Selecta". Apresentado pelo próprio realizador dos curtas, a mostra "Igor Cabral" passeia por sua produção recente e destaca a sua predileção aos vídeos experimentais.
A mostra é composta dos seguintes filmes: "A ilha", videoclipe dirigido em conjunto com Felipe Cataldo, "A vida sexual de Robinson Crusoé", único curta no gênero ficção, e os experimentais "Emana", "River Life" e "Prefácio", este último realizado em conjunto com Fabíola Trinca e Sabrina Bitencourt. Igor ainda incluiu na sua "Selecta" o premiado curta "Dramática", filme de Ava Rocha produzido em 2005. Ao final da sessão ele irá dialogar com o público sobre a sua obra e o curta escolhido para encerrar a mostra.
As sessões do Tintin Cineclube são promovidas pela Associação Brasileira dos Documentaristas - seção Paraíba (ABD/PB) em parceria com o Ministério da Cultura (Minc), Universidade Federal da Paraíba (UFPB), TVUFPB e Prefeitura municipal de João Pessoa (Funjope).
05/10 | quinta | 19h30| SELECTA por Igor Cabral | Grátis
MOSTRA IGOR CABRAL>> diretor e editor carioca
A ilha [Felipe Cataldo e Igor Cabral, videoclip, 4', 2006]
A vida sexual de Robinson Crusoé [Igor Cabral, fic, 11', 2006]
Emana [Igor Cabral, experimental, 17', 2006]
River life [Igor Cabral, experimental, 2', 2005]
Prefácio [Fabíola Trinca, Sabrina Bitencourt e Igor Cabral, experimental, 6', 2006]
+ bônus:
Dramática, de Ava Rocha [experimental, 19', 2005]
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