Segunda-feira, Junho 26, 2006

cena do filme "agente 1880"

Tintin Cineclube |28.6.06, quarta |20h
Cine-Teatro Lima Penante | Av. João Machado, 67 - Centro

"Assacine - filmes inéditos em João Pessoa"
Ingressos | 2 reais (inteira) 1 real (estudantes e abedistas)

"Agente 1880", de Andrhey Ferreira
[João Pessoa/PB, 58min, Fic., 2001]

>>Debate com o diretor após a sessão.

Um filme contendo explosões, tiros, agentes secretos, vilão encapuzado e uma casa misteriosa. Personagens que falam em inglês, situações tensas e um dispositivo capaz de controlar mentes. Não se trata de mais um lançamento hollywoodiano a lotar os 'multiplexes' da cidade, e sim de "Agente 1880" (PB, 58min), primeiro filme do paraibano Andrhey Ferreira finalizado quando ele tinha 14 anos de idade, que será exibido nessa quarta-feira, 28, às 20h, na mostra 'Assacine' do Tintin cineclube, promovido pela ABD/PB.

Atualmente estudante do 1º ano do ensino médio, Andrhey conta que começou a fazer o "Agente 1880"' como uma grande brincadeira. Ao ganhar uma máquina fotográfica digital que filmava por 30s, um amigo sugeriu e ele fez um roteiro influenciado pelos filmes que costuma assistir, a exemplo de 'Underworld' e 'Residente Evil', filme de terror baseado em um jogo de videogame, lançados na época em que ele escrevia a sua história. Aos poucos, foi se empolgando com a idéia e trabalhou um ano até que pudesse finalmente exibir a sua primeira obra.

Após a exibição, Andrhey irá falar em detalhes sobre o seu processo de criação, que inclui computação gráfica e efeitos especiais para cenas de explosões e tiros, e sobre a idéia que o motivou a fazer o filme inteiramente sozinho, desde a fotografia e escolha da trilha sonora, até a maquiagem e atuação de todos os personagens em tela. Na ocasião, o trailer de seu próximo filme, "O Visitante", será conhecido pelos espectadores.

A mostra 'Assacine' exibe filmes inéditos em João Pessoa uma vez por mês. A entrada custa 2 reais inteira e 1 real para estudantes e abedistas. O Tintin cineclube funciona nas dependências do cine-teatro Lima Penante, av. João Machado, 67, Centro.

+ 5ª Quadrilha Punk "porque punk que é punk afoga a mãe no tanque"
Discotecagem com Nazareno e Carlos Dowling e bar em pleno funcionamento.

Terminando a sessão do 'Assacine' será a vez da '5ª Quadrilha Punk' animar o São João com a discotegem por conta de Nazareno e Carlos Dowling. A festa é gratuita e aberta ao público em geral. O bar estará em funcionamento durante toda à noite.


postado por cricriticas às 10:19 AM
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Quinta-feira, Junho 22, 2006
[ROSSELLINI E O RECIFE DA GEOGRAFIA DA FOME]
Amin Stepple*



O provincianismo tem seus encantos. E nada mais funcional do que uma Imprensa também provinciana para registrar e desvelar a passagem de algumas celebridades pelo Recife dos anos 40/50. Se não fossem os jornais da época como saberíamos, em minuciosos detalhes, da noitada boêmia do cineasta americano Orson Welles, da curta temporada do escritor francês Jean- Paul Sartre e da agenda de trabalho do diretor italiano Roberto Rossellini, todos recepcionados a bolo de rolo e bem acolhidos pela hospitalidade pernambucana? À semelhança dos cometas, deixaram rastros brilhantes no horizonte recifense. Fogo-fátuo que já rendeu dezenas de artigos, um filme e agora um romance.

A mais bela reportagem sobre cinema escrita na Imprensa pernambucana data de 1942. Quem assina é o jornalista Caio de Sousa Leão, recentemente falecido. Caio bebeu com Orson Welles, então já um mito por ter dirigido o clássico 'Cidadão Kane'. Imprensa provinciana, texto cosmopolita. Nos anos 90, a farra de Welles nos cabarés da Rio Branco se transformou num filme premiado: 'That´s a lero-lero'. Já Sartre andou pelas ruas do Recife no final dos 50. Até uma suposta paixão do filósofo pela jornalista Cristina Tavares ainda hoje rende crônicas e comentários. Os existencialistas também amam. Uma fofoca de alcova, a quem interessar possa: Sartre, um monumento da cultura francesa, tinha fama (testemunhada) de ser péssimo de cama.

Restava o cineasta Roberto Rossellini, um dos criadores do neo-realismo italiano, autor de filmes seminais (perdão, pela palavra) como 'Roma, Cidade Aberta' e ex-marido de uma das mais belas mulheres do mundo, a atriz sueca Ingrid Bergman. Ingrid não chegava a ser uma Ava Gardner, "o mais belo animal sobre a Terra", na opinião do cineasta e dramaturgo Jean Cocteau. Mas Ingrid contribuiu para fomentar a mitologia em torno de Rossellini.

A aventura de Rossellini no Recife, até então esquecida nos jornais amarelados do Arquivo Público, agora se substanciou num belo e necessário romance: 'Rossellini amou a pensão de dona Bombom'. O autor? O jornalista e escritor pernambucano Cícero Belmar. Com dois prêmios acumulados de melhor ficção - o Lucilo Varejão (da prefeitura do Recife) e o da Academia Pernambucana de Letras -, o novo livro de Belmar está a caminho da gráfica.

A saga reconstituída de Rosselini na capital pernambucana não é o primeiro romance de Belmar. Escritor que não tem receio de dar corpo e alma a personagens femininas fortes, totalizantes, o leitor já o conhecia do realismo mágico-sertanejo de 'Umbilina e a sua grande rival'. Ou do denso relato de uma sobrevivente judia romena dos campos de concentração nazista, 'Pola'. Esse, uma obra-prima, comovente às lágrimas, um testemunho de que estamos condenados à dor e à insensatez. O horror, o horror, que não cessou com o fim da Segunda Guerra e que se pode apontá-lo hoje, revigorado, em várias partes do mapa-múndi, inclusive nos massacres diários do povo palestino. Enfim, os nazis redistribuíram franchising das trevas apocalípticas.

Em 'Rossellini amou a pensão de dona Bombom', Cícero Belmar recorre mais uma vez, com recortes precisos, às técnicas do new journalism. Personagens saídos do neo-realismo à pernambucana - marafonas, rufiões, marinheiros, estivadores e catimbozeiras - convivem e entrecruzam com artistas e intelectuais refinados que fazem parte da história cultural do Brasil e do mundo. A literatura se faz simulacro em pensões e becos fronteiriços, entre o apetite das divindades negras e a vontade cinematográfica de se acabar com a fome, nas paixões abandonadas no cais do porto à descoberta da beleza e sensualidade de putas morenas, sempre à margem do Capibaribe.

Rossellini desembarcou no Recife em agosto de 1958 com a intenção de conhecer a região, cenário do seu próximo filme: 'Geografia da Fome', baseado no livro-denúncia do pernambucano Josué de Castro. O cineasta italiano ficara impressionado com a obra de Josué de Castro, que pela primeira vez politizava a questão da fome. O próprio Josué de Castro o acompanhava na expedição recifense. Ele e os jornalistas, que não deixaram o italiano em paz. Ainda bem. O filme sobre a nossa fome endêmica jamais foi feito. Mas o romance sobre esse filme irrealizado e os personagens reais e fictícios que se envolveram com Rossellini na sua passagem pelo Recife, esse sim, foi concluído. O escritor Cícero Belmar reconstitui a ambientação do Recife boêmio dos anos 50 e descobre que Rossellini amou outra Ingrid Bergman numa pensão da Rua do Rangel.

O novo livro de Belmar contribui para reforçar algumas lendas e ajuda a desmontar outras. Durante décadas, os publicistas a serviço do sociólogo Gilberto Freyre "venderam" a pauta de que Rossellini viera ao Recife com a intenção de filmar 'Casa Grande e Senzala'. O italiano era bom de conversa, esteve na casa do sociólogo, e pode até ter respondido diplomaticamente a alguma pergunta sobre 'Casa Grande e Senzala'. Mas a exclusiva finalidade da visita a Pernambuco foi conseqüência do livro de Josué de Castro, aliás desafeto intelectual do mestre de Apipucos.

O romance de Cícero Belmar trata do personagem Roberto Rossellini como de fato ele merece. A de uma verdadeira celebridade, com a mesma dimensão mítica de Sartre e Orson Welles. Cada vez mais rara nos dias atuais. Não podemos deixar de pensar na observação definitiva sobre o assunto feita por outro pernambucano ilustre, o geólogo Milton Santos: "as mitologias hoje são manufaturadas em áreas de serviço". E, complete-se, insistem em sobreviver além do tempo-sentença de Andy Warhol.

Morto de um ataque cardíaco em 1977, Rossellini sempre será poeira de estrela, imortalizado na extensa e fundamental obra cinematográfica. No romance de Belmar, o cineasta famoso continua a freqüentar a pensão de dona Bombom e a enrolar os pernambucanos com a história do filme inspirado na obra de Josué de Castro. Sacana da bandeira italiana.

* Jornalista e cineasta


postado por cricriticas às 9:34 AM
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Segunda-feira, Junho 19, 2006
Programação semanal JUNHO - 06
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>>>>>>>>>>{21/06 | Quarta | Cine-teatro Lima Penante | 19h30 | Grátis}

TINTIN CINECLUBE APRESENTA 'VIDEOBRASIL - COLEÇÃO DE AUTORES'

Rafael França, obra como testamento", de Alex Gabassi e Marco Del Fiol
[Brasil, 25min., Doc., 2001]

"Prelude to an announced death", de Rafael França
[EUA, 5 min., vídeo, 1991]

Discutir novas formas de expressão artística a partir de investigações da linguagem do vídeo. Essa é a proposta do trabalho de Rafael França, um dos precursores da arte eletrônica no Brasil e co-fundador do coletivo 3NÓS3. Sua trajetória pode ser vista no documentário. "Rafael França, obra como testamento", que será exibido nessa quarta-feira, dia 21, às 19h30 no Tintin por Tintin Cineclube da Associação Brasileira de Documentaritas (ABD-PB).

O gaúcho Rafael França cursava artes plásticas pela ECA/USP na década de 70, quando iniciou os seus primeiros trabalhos de intervenção artística em espaços urbanos. A partir da década de 80, quando foi para Chicago (EUA) em busca de um curso de artes voltado para propostas mais experimentais, ele se aproximou de estéticas que refletiam sobre a atmosfera propiciada pelas 'novas' tecnologias e desenvolveu o seu trabalho em videoarte e em instalações.

Além de trechos de sua obra, o documentário traz depoimentos importantes de artistas plásticos e do crítico Arlindo Machado, que esclarecem a importância de Rafael França para a descoberta e exploração da linguagem do vídeo dentro da produção artística no Brasil. Segundo Arlindo, um dos aspectos mais ricos de sua obra é justamente a experimentação de alternativas criativas para a ficção videográfica.

O documentário faz parte da "Videobrasil:Coleção de Autores", lançada em 2000, e que a cada ano realiza um vídeo sobre um artista contemporâneo com o intuito de discutir as idéias e o processo de trabalho do autor escolhido.

Após o documentário, será exibido o último vídeo realizado por Rafael França, o curta "Prenúncio de uma morte anunciada". Trata-se de um ensaio audiovisual realizado dias antes de sua morte, em 1991 quando foi vitimado pela Aids, em que Rafael usa imagens, legendas e 'La Traviata' na voz de Bidu Sayão, para compor um universo íntimo sobre a sua relação homossexual.

O Tintin por Tintin Cineclube acontece nas dependências do Cine-Teatro Lima Penante (Av. João Machado, 67 - Centro) todas as quartas-feiras. Entrada franca. Outras informações pelo telefone 3221.8450.


postado por cricriticas às 10:32 PM
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Quinta-feira, Junho 08, 2006
[ CINEMA MUNICIPAL, O RETORNO ]

* ASTIER BASÍLIO

Uma ótima notícia para os amantes da sétima arte. Depois de anos fechado, o cinema Municipal, localizado no Centro de João Pessoa, será reaberto. A perspectiva é de que até o final do mês as atividades sejam retomadas. A informação é de Manoel Paulino, que está à frente do empreendimento. A família dele, que reside no Ceará, mas que é de Campina Grande, atua no ramo cinematográfico há mais de 50 anos.

"Estamos ainda fazendo os últimos ajustes na estrutura elétrica e na parte hidráulica para que o cinema seja reabert", contou Paulino. O Municipal funcionará diariamente com exibições à tarde e à noite. Mesmo ciente das limitações impostas pelas distribuidoras, Paulino afirma que a idéia é exibir filmes de qualidade, com espaço para o cinema de arte e para produções que estão fora do circuito comercial.


"Acreditamos que podemos oferecer um espaço aprazível para quem gosta de cinema e que queira curtir um bom filme", conta Paulino. Ele lembra o exemplo do Recife, em Pernambuco, que tem um espaço consolidado para cinema de arte. "Acredito que temos condições de fazer algo semelhante aqui, sobretudo para quem não agüenta mais o sotaque americano e que quer ouvir filmes em outro idioma", conta.

Paulino contou que está em conversação com a Fundação de Cultura de João Pessoa (Funjope), com vistas à realização de parcerias. De acordo com Ana Bárbara, diretora do setor audiovisual da Funjope, há, sim, o interesse em fomentar na cidade um espaço para cinema de arte e para filmes que não sejam hollywoodianos e que está em entendimento com dirigentes do Municipal.

Ana Bárbara relembra que em 2003 a Associação Brasileira de Documentaristas, secção Paraíba, empreendeu uma campanha na qual reuniu 300 assinaturas de pessoas interessadas na abertura de uma sala de cinema de arte semanal nos cinemas que funcionam nos shoppings da cidade. "A gente perdeu de assistir a muita coisa, de fazer mostra, porque, simplesmente, não tínhamos onde exibir", informa.

O cinéfilo e crítico de cinema João Batista de Brito, que há seis anos reúne amigos para mostras caseiras, vê com muito entusiasmo a reabertura do Municipal. "Minha formação se deveu muito às sessões organizadas pela Associação de Críticos Cinematográficos da Paraíba, nos anos 1960. Acho que temos um público para este tipo de cinema", analisa.

As boas notícias para os amantes da sétima arte não param. De acordo com Heleno Bernardo, diretor do Cine Bangüê do Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa, serão retomadas as sessões de filmes de arte paralisadas por causa de problemas nos equipamentos.

"Estamos esperando por um equipamento, uma placa de dolby, que ainda não chegou por conta da greve que houve nos portos. Mas a nossa previsão é de que até o final de julho, início de agosto, o Bangüê retorne suas atividades", revela.

Tão logo o equipamento chegue e as reformas operacionais sejam concretizadas, o Cine Bangüê retomará as sessões de sexta a domingo, exibindo muito cinema nacional e filmes europeus.

"A idéia é fazermos mostras, até porque um cineclube será instalado. Vamos exibir alguns filmes nacionais, pois, muitos deles ficaram pouco tempo em cartaz e em horário não muito apropriados", conta Heleno.

[fonte: Jornal da Paraíba, 8/6/2006]




postado por cricriticas às 5:36 PM
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