Quarta-feira, Novembro 30, 2005
[ BRASÍLIA ]

E os paraibanos Bruno [O cão sedento / melhor direção, prêmio aquisição do Minc e Prêmio da Mega Color ] e Marcus [O meio do mundo / melhor fotografia] voltaram hoje de Brasília com candagos na mão. É isso aí, meninos, parabéns!


Terça-feira, Novembro 29, 2005
[ ASSA CINE NO PONTO DE CULTURA URBE AUDIOVISUAL DA ABD-PB ]



Táxi, vídeo de 10 minutos, será lançado nesta quarta-feira(30) no Teatro Lima Penante. O vídeo é o primeiro trabalho de Lorena Travassos, diretora, roteirista e assessora de imprensa, que já tem projetos pra um novo roteiro a ser filmado em película em breve.

O vídeo foi filmado durante todo o mês de outubro, onde no mesmo mês foi finalizado o roteiro, equipe, gravado e editado, para que ficasse pronto a tempo do festival que acontece no Rio de Janeiro, chamado ¿Mostra de Cinema Livre¿, que acontece todos os anos, convocando filmes que não tiveram o apoio estatal para que fossem realizados.

"Táxi" não teve investidores ou patrocinadores. Foi um projeto feito em conjunto, que conseguiu juntar esforços com a UFPB/NEPAU, Linux Fi e Start (Produtora), para que fosse realizado.

Com direção/roteiro e produção de Lorena Travassos, a edição ficou a cargo de Daniel Monguilhott e Rafael Monguilhott, ambos da Start, além da Direção de Fotografia de Lúcio César.


Sinopse:

Um taxista decide levar seus passageiros para onde eles realmente querem ir.


Elenco:

João Faissal
Ivna Alba
Ítalo Faias
Danielle Bustorff
Maria Eunice
Livio Temoteo
Rodrigo D´Andrea
Thiago Bresani
Nayana Ferreira


Lançamento:

Teatro Lima Penante
Dia: 30/11
Hora: 21h00.


Para mais informações:
Lorena Travassos
lorenakrs@gmail.com
(83)9921-0555


Quarta-feira, Novembro 23, 2005
[ O PONTO DE CULTURA URBE AUDIOVISUAL / ABD-PB PROMOVE ]:

Oficina de especialização | SOM DIRETO PARA CINEMA E VÍDEO

Ministrante | Márcio Câmara ( Fortaleza, CE, 1963 )
Trabalha desde de 1986 na indústria cinematográfica como Técnico de Som Direto (A Ostra e o Vento, de Walter Lima Júnior; Amélia, de Ana Carolina; O Homem do Ano, de José Henrique Fonseca; Peões, de Eduardo Coutinho; Lavoura Arcaica, de Luis Fernando Carvalho e Deus é Brasileiro, de Cacá Diegues, entre outros longas e curtas-metragens), sendo também realizador do curta-metragem Rua da Escadinha 162, chegando a receber 25 prêmios em festivais nacionais e internacionais, incluindo Melhor Documentário de 2004 pela Academia Brasileira de Cinema.

Objetivos | abordagem teórica e prática ao campo da captação de som para cinema e vídeo, dentro de uma visão abrangente dos processos técnicos envolvidos na preparação, filmagem e finalização de produtos audiovisuais.

Público-alvo | Estudantes e profissionais interessados em treinamento e especialização na área de captação de som para cinema e vídeo, tendo já alguma experiência em captação de áudio em vídeo ou em estúdio de som.

Data | 5 a 9 de dezembro de 2005
Horário | 14h às 22h | com intervalo
Carga horária | 36horas/aula
Número de vagas | 10 |

Inscrição | gratuita
Pré-requisitos | A seleção será feita através da análise de Currículo Resumido e de Carta de Intenção proposta à oficina pelo participante, além de uma Declaração de cumprimento da carga horária integral da oficina e de concordância em fazer uma palestra para os Agentes de Cultura viva do Ponto de Cultura Urbe Audiovisual sobre tema de seu conhecimento.
Período de inscrição | 24 a 30 de novembro de 2005
Resultado dos selecionados | 2 de dezembro de 2005

Local de inscrição | Ponto de Cultura Urbe Audiovisual | ABD-PB
Endereço | Avenida João Machado, 67 - Centro - João Pessoa, PB
Horário | 9h às 12h30 e 14h30 às 18h30
Informações | 3221.8450 | abd_pb@yahoo.com.br | www.birilo.blogger.com.br

O Ponto de Cultura da ABD-PB é uma parceria:
Ministério da Cultura / Programa Cultura Viva
Funjope
UFPB /NTU




[ ALCOFA DO CINEMA PORTUGUÊS CONTINUA NESTA QUART E QUINTA NO PONTO DE CULTURA URBE AUDIOVISUAL ]

Após a sessão de abertura na segunda-feira, a mostra de curtas e médias-metragens de ficção e animação portuguesas continua nesta quarta-feira, dia 23, e quinta-feira, dia 24, no Cine-Teatro Lima Penante [ Av. João Machado, 67 - centro - João Pessoa] sempre às 20h.

A mostra está sendo realizada pelo Ponto de Cultura Urbe Audiovisual da ABD-PB e acontece em paralelo ao Curso Livre "As artes plásticas e a arte do movimento", ministrado pelo artista português Jorge Rocha - uma parceria com o Laboratório de Atividades Criativas [LAC], sediado em Lagos, Portugal.

Nesta quarta serão exibidos os filmes: "Crônica feminina", de Gonçalo Luz [Ficção, Portugal, 2001, 26', cor], que conta a história de Sônia e Branca, duas amigas íntimas no auge sexual dos seus trinta anos, à beira da solidão cosmopolita, e incapazes de comunicar entre si apesar da sua aparente proximidade.

Já "A casa das histórias", de Carmem Castello-Branco [Ficção, Portugal, 2002, 11' 16", cor] é uma fábula que surge em um jardim cheio de folhas castanhas, amarelas, vermelhas. Lá estão o Lobo Mau, a Cinderela, uma bicicleta que anda sozinha, o Capitão Gancho e o Flautista de Hamelim. Folhas que dançam no vento do Outono...

O último curta-metragem da noite chama-se "Que tenhas tudo o que desejas", de Pedro Caldas [Ficção, Portugal, 2001, 12' 11", cor]. É Junho de 1995. Os amigos de Fernando bancam um jantar para o homenagear pela sua coragem: ele ofereceu-se como voluntário para uma missão na Bósnia. Continuam a festa no famoso Bairro Alto lisboeta. Mas nessa noite, um negro é morto por skinheads.

A seguir, será exibida a primeira parte das animações realizadas por alunos do Centro de Imagem e Técnicas Narrativas da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa: "Sopa fria"[2000], "O inverno" [1999], "Lado B" [1998] e "Miragem" [2000].

Já na quinta, dia 24, passam "De alguidar até o mar", de João Fonseca [Ficção, Portugal, 2002, 17' 4", cor], no qual duas crianças perdem-se numa viagem pelo rio Tejo, no interior de uma bacia.

Já "A costureira que engoliu um alfinete", de Rita Palma [Ficção, Portugal, 2002, 27' 46", cor]. Tudo se passa em maio de 1958. O General Humberto Delgado apresenta-se como candidato à Presidência da República contra o governo do ditador Salazar. Na mesma altura, numa pequena vila beirã, uma costureira de nome Antônia, engole um alfinete.

A seguir, passa a parte final das animações produzidas pela Fundação Calouste Gulbenkian: "O Racismo" [2000], "Boxe" [1999] e "Combate" [2000].
A mostra termina com o lançamento da animação "Com uma sombra na almA" [Fernando Galrito e João Ramos, 2004, 10', cor], uma história no melhor estilo policial noir.

Todos os filmes têm legenda em português.



Segunda-feira, Novembro 21, 2005
[ ALCOFA DO CINEMA PORTUGUÊS ]
< Mostra de curtas e médias metragens de ficção e animação portuguesas >

Data | 21, 23 e 24 de novembro de 2005 | segunda, quarta e quinta-feiras

Horário | 20h

Local | Cine-Teatro Lima Penante | Av. João Machado, 67, centro

Entrada Franca

Programação

Segunda, 21.11.05, 20h

> 14 de fevereiro, de Fernando Vendrell
[Ficção, Portugal, 2002, 5' 28", cor]

Sinopse | A vida comum de um casal de namorados vacila entre o 14 de Fevereiro e o dia 1 de Abril do mesmo ano.

> Rio Vermelho, de Raquel Freire
[Ficção, Portugal, 1999, 15' 54", cor]

Sinopse | Uma rapariga grávida mergulha no rio Douro em frente ao Porto. Nada alegremente rio acima e dá à luz uma menina. Com a aflição quase morre afogada. Mas não morre: outra rapariga grávida (ou será uma Deusa?) parece tomar conta dela.

> Almirante Reis, de Fernando Vendrell
[Ficção, Portugal, 2002, 17' 29", cor]

Sinopse | o branco de uma folha em cima da mesa ; um homem com uma caneta na mão e os olhos na folha; uma rua, a baixa da cidade , as mesmas pessoas de sempre; a solidão, o amor, a raiva, a portugalidade e a criminalidade: era uma vez tudo preto.

> Animações ESAD: Nheque [Sara Flor, 2001], Sr. Nuit [Maria João Clemente, 2002]
O dia em que o Sr. Raposo...[Andreia Páscoa, João Cabaço, Daniel Silva, 2003]

Realização:
Ponto de Cultura Urbe Audiovisual-ABD-PB| 3221.8450

Uma parceria:
Ministério da Cultura / Programa Cultura Viva
UFPB
LAC - Laboratório de Actividades Criativas - Associação Cultural


Domingo, Novembro 20, 2005
[ ASPIRINAS, URUBUS E O CINEMA NOVO GENÉRICO ]


Por Amin Stepple Hiluey

Se, como já escreveu Godard, a história do cinema é a história de dois irmãos (Auguste e Louis Lumière), o cinema também poderá ser a história do encontro casual entre dois desconhecidos numa estrada carroçável do sertão. E é num encontro desse tipo, quase improvável naquelas paragens áridas, entrelaçado pelas linhas reais da vida, que o cineasta pernambucano Marcelo Gomes se inspirou e transformou em "Cinema, Aspirinas e Urubus", lançado recentemente em circuito comercial.



A ficção, aqui, é a história verídica. Um jovem alemão (Peter Ketnath), que se utiliza da hipnose do cinema ambulante para vender e fazer propaganda de um novo medicamento, a aspirina, cruza, em pleno sertão, com um pernambucano, também jovem (João Miguel), cujo único sonho é "voltar", embora jamais tenha ido, para o Rio de Janeiro, uma miragem atlântica na secular rota de migração nordestina. Sob um "sol de lascar" e uma luminosidade impressionista, o cinema passa a ser a história de dois estranhos. Um, trânsfuga da carnificina européia da segunda guerra mundial. Outro, desertor da miséria atávica do Nordeste brasileiro.

Dez anos depois do lançamento de outro clássico do cinema pernambucano, "Baile Perfumado" (de Lírio Dimas Ferreira e Paulo Caldas), o cinema retorna como "personagem" de uma história transitada nos sertões. E com igual ofício, o de amalgamar outros personagens, que, um dia sob a latitude solar, foram de carne-e-osso-e-espírito, com culturas absolutamente distintas e até antagônicas, mas que, por obra e graça ficcionais, se transcenderam nas sombras cambaleantes da tela.



No "Baile", o libanês Benjamin Abrahão, misto de mascate e cineasta, se envolve com Lampião e o seu bando de cangaceiros. Esperto e "malandra", Benjamin Abrahão sabia que, como preconizaria Orson Welles anos depois, o cinema é uma máquina poderosa de distribuir personalidades. Já aburguesado e vaidoso depois de décadas de andanças e rapinagem pelos grotões, Lampião percebeu que o cinema de Benjamin Abrahão não seria capaz de "fechar" o seu corpo das balas cada vez mais próximas das volantes. Mas, pelo processo de encantação, teria o poder de "fechar" a sua imagem, perpetuando-a como ícone da mitificação nordestina, a sobreviver ao fim da história do cangaço. Com o cinema de Benjamin Abrahão, Lampião torna-se imortal. No "Baile", o Lampião enquanto "cangaceiro pop" é apenas mais uma das múltiplas facetas de sua "imortalidade".

No "Aspirinas", de Marcelo Gomes, o sertão é o mesmo (apesar de esturricado, contrapondo-se à seca verde de o "Baile"). O cinema também é o mesmo "personagem", a mesma máquina poderosa a seduzir retinas virgens de movimento abstrato, a fascinar os olhos de quem jamais viu as luzes de outros mundos. O alemão Johannes é também o estrangeiro, mascate da indústria farmacêutica pré-globalizada. Já o sertanejo, Ranulfo, não tem nome de cangaceiro. Mas bem que poderia, pela probabilidade social, ter virado qualquer coisa, inclusive cair no banditismo. Quis o destino que ele fosse assistente da modernidade: aqui representada pelo próprio cinema e pela aspirina, o "cachete" produzido pelos alemães, milagroso na cura da dor de cabeça. Essa mesma modernidade que transformou Lampião em "ator".



Apesar de ser um belo filme, um "road movie cactos", merecidamente reconhecido pela crítica e pelos prêmios que já conquistou dentro e fora do Brasil, "Aspirina" às vezes perpassa uma certa frieza, um determinado distanciamento, como se assemelhasse a um poema de João Cabral de Melo Neto. Belo, mas racional, concreto. Aliás, o próprio João Cabral fez um poema-homenagem para o comprimido aspirina, comparando-o a um "sol branco". Não é o mesmo sol de "Aspirinas"?

Mas, não obstante a brilhante atuação dos atores e o competente profissionalismo da direção, o filme frustra a quem, por tanto gostar do que vê na tela, estaria receptivo a vivenciar fortes emoções. Quais? Emoções previsíveis tipo Pelmex, facilmente encontráveis em filmes como "Central do Brasil"?. Alguns espectadores mais críticos preferem falar que buscaram e não encontraram "paixão" em "Aspirinas". Que tipo de paixão?



Na sabedoria convencional do cinema, a essência do drama é sempre o conflito. Nesse aspecto, não se deve esperar muito assistir em "Aspirinas" a exposição acentuada de conflitos. Nem os existentes em filmes que alimentam a indústria cinematográfica, a demandar ações e contraditórios que sempre resultam em tiroteios ou tribunais, marcos regulatórios por excelência de Hollywood. Nem tampouco os conflitos que dão tessitura refinada ao roteiro, a exemplo de filmes como "Manderlay" (de Lars Von Trier), onde é intrínseco desde a primeira seqüência o quebra-cabeças de construção-desconstrução de personagens e situações, ora a libertar, ora a aprisionar o espectador nos labirintos do seu enredo. Ou seja, nesses filmes, todos os conflitos acontecem.

"Aspirinas" escapa a esse padrão rígido cinematográfico. O que não exime totalmente o filme de recompensar o espectador de experimentar algum outro tipo de sentimento, de envolvimento, de uma emoção nova. Quais? Talvez seja demais exigir de um filme tão honesto e verdadeiro, mas "Aspirinas", desde a seqüência inicial, induz o espectador a ser mais do que um cúmplice dos personagens e do próprio "cinema" enquanto personagem da trama. Promete veladamente que, depois do filme, o espectador levará para casa a alma dos personagens. Promete mas não cumpre. É um defeito? Ou não será uma virtude diferenciada dessa ou de qualquer outra obra de arte? O cinema iraniano, que quase todo mundo gosta e se empolga, não é assim? "Aspirinas" é, a rigor, um filme triste. Mas que não faz chorar. Compreende-se. Como a realidade, a cada dia mais cruel e a suplantar em criatividade a ficção, nos torna ainda mais insensível e gelado, é provável que, no futuro, as pessoas irão ao cinema só para ter a oportunidade de derramar, furtivamente, algumas lágrimas, resguardadas pela inviolabilidade do escuro.



Mas ainda há os que enxergam em "Aspirinas" uma outra natureza de conflito, de caráter mais psicológico, introjetado pelos personagens. Quem perceba na história do alemão e do sertanejo um subtexto homoerótico, sutilmente composto, alinhavado pela troca de olhares acumpliciados e diálogos marotos e enigmáticos entre os dois companheiros de viagem. As duas seqüências das cobras e a do abandono dos documentos pessoais pelo alemão poderiam até ser interpretadas como simbólicas e reveladoras desse jogo reprimido-libertador entre os dois amigos. Enfim, essas delicadezas, bem marcantes ao longo do filme e que deixam margens às percepções de cada um, fazem parte do processo de construção da amizade, do mútuo aprendizado e de como os dois personagens se conhecem e se transformam ao longo dele. Assim como a guerra que chega pelo rádio, o cinema e o "deserto" também mudaram, de alguma forma, as vidas do alemão e do sertanejo. Portanto, se mudaram, é porque houve conflito. Isso, de fato, é o que importa. Ou seja, alguma coisa acontece.

A fotografia crua de "Aspirinas" remete o espectador ao choque de luminosidade de filmes ancestrais como "Aruanda" e "Vidas Secas". Já o tempo narrativo no filme de Marcelo Gomes, com seus longos silêncios e introspecções psicológicas, lembra outro filme do cinema novo, o "São Bernardo". No entanto, nada se compara à beleza original da oralidade sertaneja incrustada e inscrita nos diálogos de "Aspirinas", reproduzida na excelente qualidade técnica do som.

A maneira de falar dos personagens nordestinos --- com seu peculiar jeito de construir as frases, de lapidar o sinuoso vocabulário de português arcaico, com o máximo de espontaneidade e sinceridade de linguajar ---, por si só, mereceria profundos estudos lingüísticos na academia. A construção da oralidade no filme de Marcelo Gomes é uma inestimável contribuição à diversidade da língua portuguesa, além de se constituir numa reação política à hegemonia do carioquês, que os "canastras" globais e os traficantes dos morros do Rio de Janeiro querem impor ao resto do país. Não por acaso o personagem Ranulfo faz alusão raivosa ao preconceito contra a maneira de se expressar dos nordestinos.

Aliás, essa tem sido uma das características louváveis do cinema pernambucano. A recuperação de formas autênticas de expressões da língua viva apropriada pelos nordestinos, longe das macaqueações registradas no falar caricatural de personagens oriundos dessa região nas famigeradas novelas do Projac. Favor também não confundir o "idioma" falado em "Aspirinas"com a maquiagem do sotaque nordestino dos caça-níqueis enlatados do diretor de núcleo Guel Arraes, nas versões picarescas e folclóricas do escritor Ariano Suassuna.



A lábia de "Aspirinas" é de outra matriz. Os diálogos do filme têm a mesma pesquisa séria de linguagem que já havia sido iniciada no "Baile" e também na de sua contrafação, o abismo urbano de "Amarelo Manga" (de Cláudio de Assis). Esses dois últimos trabalhos levam a assinatura do roteirista Hilton Lacerda, um mestre da arqueologia vernacular que ainda pulsa na língua inculta e popular. Pela plasticidade rústica e autêntica, os "dialetos" dos filmes pernambucanos prestam, involuntariamente, uma grande homenagem a Guimarães Rosa, que, sem dúvida, iria se deliciar ao ouvi-los na boca dos competentes atores de "Aspirinas", do "Baile" e de "Amarelo Manga".

Entre as mais bonitas seqüências de "Aspirinas" estão as relacionadas com a exibição dos filmes de propaganda do remédio para uma população que desconhecia a existência do cinema e que o assiste fascinada. Uma delas já pode ser classificada como antológica, digna a incorporar a série "fotogramas cineclubistas". É quando o sertanejo Ranulfo projeta o filme da aspirina na própria mão. Sem exagero, uma das mais poéticas imagens do recente cinema brasileiro.

Já que se falou em pesquisa, a trilha sonora de "Aspirinas" é uma exuberante coletânea de clássicos do cancioneiro nacional, dos anos quarenta para trás. Nesse aspecto, se referencia com a escola cinematográfica mais experimental brasileira, da linha bressiana-sganzerla, profundamente identificada com as velhas pérolas das nossas canções. Ao mesmo tempo em que abandona a "pisada do maracatu", representada pelo Mangue Beat, trilha onipresente nos últimos filmes pernambucanos. Aliás, é possível que, no futuro, as pessoas comprem o ingresso e entrem nas salas de exibição só para ouvir velhos boleros, antigas canções, que despertem emoções, sonhos e desejos adormecidos ou experimentados apenas por outras gerações.

Filmes como "Aspirinas" revalidam a tese de que o cinema brasileiro está condenado ao sertão. Ou melhor, temos a sensação de que estamos condenados para sempre a refilmar o sol de dois canos do sertão. Não é uma sensação desagradável. Pelo contrário. O "Baile" e "Aspirinas", entre outros, comprovam que o sertão ainda vai render bons filmes ao cinema nacional. Mas não deixa de ser um vaticínio. Semelhante ao dos americanos, que estão condenados, por todos os séculos, a fazer centenas de filmes sobre as guerras em que se metem, independentemente de ganhá-las ou perdê-las. Longe da voracidade bélica do Império, as nossas batalhas cinematográficas serão travadas ainda por muito tempo nas caatingas, "location" ensolarado de um dos nossos seculares apartheids sociais.

Talvez os pernambucanos façam hoje o melhor cinema novo genérico do país. Essa é uma frase assumidamente laudatória. Sem o ranço ideológico datado e desprovido do caráter missionário e salvacionista que marcaram e até estragaram os filmes do velho cinema novo, os pernambucanos produzem hoje bons filmes que poderão ser vistos em qualquer época, a qualquer tempo, e que enriquecem ainda mais a nossa cinematografia. No melhor estilo dos filmes do cinema novo, "Aspirinas" também termina na estrada, a de ferro, nos levando para algum lugar no mesmo trem do curta pioneiro dos Irmãos Lumière. Os pernambucanos compreenderam bem a lição de Lampião: o cinema nos impregna de "imortalidade".

Em tempo: o personagem Ranulfo tem razão. Aspirina não cura ressaca. O que cura ressaca é neosaldina e coca-cola gelada.


Sexta-feira, Novembro 18, 2005
[ ALCOFA DO CINEMA PORTUGUÊS ]

< Mostra de curtas e médias metragens de ficção e animação portuguesas >

Data | 21, 23 e 24 de novembro de 2005 | segunda, quarta e quinta-feiras
Horário | 20h
Local | Cine-Teatro Lima Penante | Av. João Machado, 67, centro
Entrada Franca

Programação

Segunda, 21.11.05, 20h

> 14 de fevereiro, de Fernando Vendrell [Ficção, Portugal, 2002, 5' 28", cor]
Sinopse | A vida comum de um casal de namorados vacila entre o 14 de Fevereiro e o dia 1 de Abril do mesmo ano.

> Rio Vermelho, de Raquel Freire [Ficção, Portugal, 1999, 15' 54", cor]
Sinopse | Uma rapariga grávida mergulha no rio Douro em frente ao Porto. Nada alegremente rio acima e dá à luz uma menina. Com a aflição quase morre afogada. Mas não morre: outra rapariga grávida (ou será uma Deusa?) parece tomar conta dela.

> Almirante Reis, de Fernando Vendrell [Ficção, Portugal, 2002, 17' 29", cor]
Sinopse | o branco de uma folha em cima da mesa ; um homem com uma caneta na mão e os olhos na folha; uma rua, a baixa da cidade , as mesmas pessoas de sempre; a solidão, o amor, a raiva, a portugalidade e a criminalidade: era uma vez tudo preto.

> Animações ESAD: Nheque [Sara Flor, 2001], Sr. Nuit [Maria João Clemente, 2002]
O dia em que o Sr. Raposo...[Andreia Páscoa, João Cabaço, Daniel Silva, 2003]


Quarta, 23.11.05, 20h

> Crônica feminina, de Gonçalo Luz [Ficção, Portugal, 2001, 26', cor]
Sinopse | Sónia e Branca são duas amigas íntimas, no auge sexual dos seus trinta anos, à beira da solidão cosmopolita, e incapazes de comunicar entre si apesar da sua aparente proximidade...

> A casa das histórias, de Carmem Castello-Branco [Ficção, Portugal, 2002, 11' 16", cor]
Sinopse | Um jardim cheio de folhas castanhas, amarelas, vermelhas. O Lobo Mau, a Cinderela, uma bicicleta que anda sozinha. Histórias paradas. Folhas dançam no vento do Outono. Capitão Gancho. Flautista de Hamelim. Adereços espalhados. Contar histórias. Chamar personagens. A casa das histórias. Era uma vez, num dia muito ventoso de Outono¿

> Que tenhas tudo o que desejas, de Pedro Caldas [Ficção, Portugal, 2001, 12' 11", cor]
Sinopse | Junho de 1995. Os amigos de Fernando oferecem-lhe um jantar para o homenagear pela sua coragem: - ele ofereceu-se como voluntário para uma missão na Bósnia. Continuam a festa no Bairro Alto. Mas nessa noite o Bairro Alto sofre uma razzia de skinheads. Um negro é morto.

> Animações Calouste Gulbenkian (filmes coletivos) : Sopa fria [2000], O inverno
[1999], Lado B [1998] e Miragem [2000]


Quinta, 24.11.05, 20h

> De alguidar até o mar, de João Fonseca [Ficção, Portugal, 2002, 17' 4", cor]
Sinopse | Duas crianças perdem-se numa viagem pelo rio Tejo, no interior de uma bacia.

> A costureira que engoliu um alfinete, de Rita Palma
[Ficção, Portugal, 2002, 27' 46", cor]
Sinopse | Maio, 1958. O General Humberto Delgado apresenta-se como candidato à Presidência da República contra o governo do ditador Salazar. Na mesma altura, numa pequena vila beirã, uma costureira de nome Antónia, engole um alfinete. Esta é a história de como a dita costureira se incomodou com o alfinete, ou talvez seja a história de como a ditadura se incomodou com o General.

> Animações Calouste Gulbenkian (filmes coletivos) : O Racismo [2000], Boxe [1999], Combate [2000]

> Lançamento em animação
Com uma sombra na alma [Fernando Galrito e João Ramos, 2004]
Sinopse | Ela passa, ele segue-a. O que faz ali àquela hora...? Ele perde-a... as memórias de outras saídas, de outros encontros, vêm-lhe à memória. Reencontra-a. A perseguição continua, cada vez mais angustiado. Ela encontra-se com outro... abraça-o... mas não é a sua mulher. Ele regressa... cabisbaixo...ela segue-o... ela também tinha Uma Sombra na Alma.


Realização:

Ponto de Cultura Urbe Audiovisual-ABD-PB| 3221.8450

Uma parceria:

Ministério da Cultura / Programa Cultura Viva
UFPB
LAC - Laboratório de Actividades Criativas - Associação Cultural


Terça-feira, Novembro 15, 2005
Artista português ministra Curso Livre no Ponto de Cultura Urbe Audiovisual/ABD-PB



Após realizar em outubro o Curso Livre "Cinema e Teatro", o Ponto de Cultura Urbe Audiovisual da ABD-PB [Av. João Machado, 67 - Centro - João Pessoa] promove entre os dias 21 e 23 deste mês o Curso Livre "Cinema e Artes Plásticas", ministrado pela artista plástico português Jorge Rocha. Também produtor cultural, é graduado pela Escola Superior de Artes e Design de Caldas da Rainha. Vive e trabalha atualmente em Lagos, no sul de Portugal, estando ligado ao Laboratório de Atividades Criativas (www.lac.web.pt) - parceiro nesta iniciativa.

"Vamos abordar como a criação das imagens plásticas esteve nos primórdios da criação cinematográfica, na "arqueologia do cinema", e como ela se incorporou em algumas linguagens cinematográficas e, posteriormente, serviu também de mote para o trabalho de criadores da cena contemporânea", explica Jorge Rocha.

Na primeira fase do curso, Rocha propõe um trabalho de "arqueologia cinematográfica" aos alunos, com a construção de mecanismos de ilusão ótica, cujo objetivo é fazê-los perceber a relação entre visão e movimento.

Parte-se então para o visionamento de material audiovisual, com destaque para a obra de Meliès, cineasta dos primórdios do cinema; a obra fotográfica do americano David Hockney e a incorporação da pintura no cinema a partir do filme "Mãe e Filho", do cineasta russo Aleksandr Sukúrov. Ao final, será apresentado trabalhos de vídeo-arte de artistas da contemporâneos, em especial Bill Viola.

O curso, voltado para maiores de 16 anos, acontece entre os dias 21 e 23 deste mês no Teatro Lima Penante, das 15 às 18h30. A inscrição custa 20 reais (inteira) e 10 reais (estudantes e abdistas), com um limite total de 15 vagas, e está sendo feita na Urbe Audiovisual até o dia 18, sempre pela manhã. Outras informações no local ou pelo telefone 3221.8450.


Sábado, Novembro 12, 2005
CURSO LIVRE | CINEMA E ARTES PLÁSTICAS

Data | 21, 22 e 23 de novembro de 2005

Horário | 15h às 18h30

Número de vagas | 15 [quinze]

Inscrição | R$ 20,00 [inteira] R$ 10,00 [abdista / estudante]

Carga horária | 9 horas/aula

Pré- requisito | A partir dos 16 anos

Período de inscrição | 14 a 18 de novembro de 2005

Horário para inscrições| 9 às 12h

Local | Teatro Lima Penante

Informações e inscrições |

Ponto de Cultura Urbe Audiovisual / ABD-PB
[durante essa semna [14 a 18/11] somente no período da manhã: das 9h às 12h ]

Av. João Machado, 67 - Centro -João Pessoa, PB Tel.: 3221.8450
E-mail: abd-pb@yahoo.com.br

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CONDUTOR

Jorge Rocha, Artista Plástico e produtor cultural é graduado pela Escola Superior de Tecnologia, Gestão, Arte e Design e Caldas da Rainha em Portugal. Vive e trabalha em Lagos, Portugal.

Descrição | A temática do Cinema e das Artes Plásticas será analisada através do visionamento de material de apoio Bibliográfico e Videográfico que ajuda a entender a relação das artes com os meios audiovisuais. Iremos confrontar informação e perceber que as Artes Plásticas se adaptaram a novas linguagens e que o discurso da obra pode ter como veículo a utilização de novos média.

Programa |

Segunda _ 21.11

Tema | A Arqueologia do Cinema: do teatro de sombras ao cinematógrafo.

Princípios do cinema: Mélies e o cinema espectáculo.

Construção de Mecanismos de Ilusão Óptica

Terça _ 22.11

Tema | Artes Plásticas e a Imagem em Movimento - elementos que constituem o filme.

A utilização da fotografia como análise do movimento.

Quarta _ 23.11

Tema | O cinema como pintura: a obra de Alexander Sokurov

Vídeo-arte - análise do trabalho desenvolvido por alguns artistas.

como chegar ao Ponto de Cultura |

> Ônibus

Saindo do Terminal de Integração

Números 101, 102, 104, 108, 113, 114, 116 [Via Rua das Trincheiras: parada da Igreja de Lourdes]

Saindo da praia e Avenida Epitácio Pessoa

Números 5100, 5510 e 1001 [ Via Av. João Machado: parada Agevisa]

> Carro: Via Av. João Machado ou R. das Trincheiras - altura da Igreja de Lourdes


Sexta-feira, Novembro 11, 2005
OFICINA REGIONAL DE CAPACITAÇÃO EM CULTURA DIGITAL EM JOÃO PESSOA DESTINADA AOS REPRESENTANTES DOS PONTOS DE CULTURA

De 14 a 19 de novembro de 2005
Escola Piollin - João Pessoa - PB

O Ministério da Cultura/SPPC e Cultura Digital, através da Representação Regional Nordeste em parceria com os Pontos de Cultura de João Pessoa, Governo do Estado da Paraíba e Prefeitura de João Pessoa/Funjope realizará o Encontro Regional de Conhecimentos Livres/Oficinas de Cultura Digital. O encontro acontecerá entre os dias 14 e 19 de novembro, na cidade de João Pessoa/PB. Participarão do evento a equipe da Cultura Digital - Minc, alguns membros do programa GESAC - MiniCom (parceiros do evento). A oficina é destinada exclusivamente aos 100 integrantes dos Pontos de Cultura dos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Piauí que virão participar do evento.

As atividades do encontro dos Pontos de Cultura do nordeste irão acontecer nas dependências da ESCOLA PIOLIN, situada no bairro do Róger, próxima ao centro da cidade. Serão oferecidas oficinas de produção gráfica, vídeo, áudio, metareciclagem de computadores e tratamento de imagem com a utilização de software livre, além de oficinas paralelas. O encontro tem o intuito de estimular a produção multimídia colaborativa e familiarizar os Pontos com as ferramentas futuramente implementadas em seus projetos.

Ponto de Cultura é um projeto do ministério da cultura e tem como foco a criação e/ou implementação de núcleos de prática e fomento da cultura, buscando fortalecer práticas inclusivas, baseadas na identidade cultural de cada região. Como um mediador na relação entre Estado e sociedade, e dentro da rede, o Ponto de Cultura agrega agentes culturais que articulam e impulsionam um conjunto de ações em suas comunidades, e destas entre si. Existe atualmente cerca de 300 pontos de cultura no Brasil.

Pontos de cultura na Paraíba - O Estado conta hoje com doze pontos de cultura, sendo seis em funcionamento, são eles, quatro em João Pessoa: URBE AUDIOVISUAL (audiovisual), MULTIVISUAL.NET (informática), OFICINA-ESCOLA (marcenaria, serralharia, informática, fotografia) e ESCOLA PIOLIN (teatro, informática); um em Campina Grande, o CUCA e o MULTIVISUAL.NET em Bananeiras.



Quinta-feira, Novembro 10, 2005
Caros leitores,

Depois de uma pequena temporada sem atualização [mais uma vez o provedor daqui apresentou probleminhas], eis que volto e aproveito para divulgar um pouco a programação audiovisual do FENART de hoje.



Quinta-feira 10/11

Mostra competitiva de vídeo
Bloco 3 _ 18h30

Traços da Vida (Niutildes Batista) - DOC 20- (PB)
O Lavrador de Palavras (Euclides Moreira) - DOC 15- (MA)
O Balet de Santa Teresa (Luiz Gurreiro) - DOC 16- (RJ)
Sementes do Sol (Laurita Caldas/Elisa Cabral) - DOC 6 - (PB)
Femina Cristais (Cristina) - FIC 9- (RJ)

Mostra de cinema _ 20h
Cão Sedento (Bruno de Sales) - Filme - FIC. 10 minutosPB)
Alma (André Moraes) Filme - FIC. 10 minutos(PB)
Soy Cuba, Um Mamute Siberiano (Vicente Ferraz) - Filme- DOC 90¿ minutos (RJ)

Em tempo:

Hoje também tem lançamento do livro Arqueologia da ação trágica: o legado grego ( Idéia, 2005, 410 p.) de Sandra Luna, às 20:00h, na Maison Luna (Rua Catulo da Paixão Cearense, nº 607, Jardim Luna.