Sexta-feira, Setembro 30, 2005
[ O SEGREDO DE VERA DRAKE NO TAMBIÁ ]
Por Jô Vital
Como parte da programação local da semana relativa ao 28 de Setembro - Dia pela Descriminalização do Aborto na América Latina e Caribe, a Rede Nacional Feminista de Saúde e as Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro, em parceria com os movimentos de mulheres e feminista, estão organizando uma programação especial na Paraíba. Entre as principais ações está a exibição do filme O Segredo de Vera Drake, no Shopping Tambiá, às 10 da manhã. O ingresso é um quilo de alimento não perecível.
O filme conta a história de Vera, uma mulher que divide o seu tempo entre várias funções: é faxineira, cuida da mãe idosa, preocupa-se com o casal de filhos que está entrando na vida adulta e está sempre ao lado do marido. Mas Vera tem um segredo. Há 20 anos ela vem ajudando mulheres que enfrentam uma gravidez inesperada. Vera não gosta da palavra aborto. Como milhares de mulheres, Vera vive a ambigüidade que cerca o tema.
A exibição do filme acontece ao mesmo tempo em que, pela primeira vez na história, o Brasil se encontra diante da possibilidade de descriminalização da prática do aborto. No dia 27/09, no Congresso Nacional, foi entregue o Anteprojeto de Lei para descriminalizar o aborto: "Anteprojeto de Lei para a Revisão da Legislação Punitiva sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez" - elaborado por uma comissão tripartite, coordenada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres.
No Brasil, acontecem entre 700 mil e um milhão de abortos inseguros todos os anos. O aborto inseguro é a quarta causa de morte materna em nosso país, originando também um número elevado perfurações no útero e outras seqüelas permanentes, como infertilidade e retirada de útero.
Premiações :
O Segredo de Vera Drake ganhou 3 prêmios do Bafta, Acadêmia
Britânica de Cinema, incluindo melhor direção para
Mike Leigh e melhor atriz para Imelda Stauton.
O filme recebeu também três indicações para o Oscar, incluindo melhor direção e melhor atriz.
Imelda Stauton também foi premiada como melhor atriz no Festival de Veneza e
pelo Círculo de Críticos de Nova Iorque.
Programação 28 de Setembro - Paraíba
30/09, 01/10 e 02/10 - SEXTA, SÁBADO E DOMINGO
10hOO Exibição do filme O Segredo de Vera Drake - Censura 14 anos
Local: Shopping Tambiá - 3º Piso
***
EM CASO DE DÚVIDAS CONTATOS COM:
Gilberta Soares - Secretária Executiva Jornadas pelo Direito ao Aborto Legal e Seguro
83-99881456
Glória Rabay - Coordenadora da Rede Feminista de Saúde-PB - 83-88138938
Jô Vital-Assessora de Comunicação Jornadas - 83-8814 3611
Cristina Lima - Comunicação Cunhã Coletivo Feminista - 83-8838 2687
postado por Bárbara às 8:47 AM
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Quarta-feira, Setembro 28, 2005
[ DOCUMENTÁRIO FEITO EM CG GANHA PRÊMIO EM MOSTRA INTERNACIONAL MOSTRANDO ASPECTOS CIENTÍFICOS E RELIGIOSOS DA "PLANTA SAGRADA" ]
Por Astier Basílio
O videodocumentário Jure-ma: Raízes Etéreas, produzido e dirigido pelo antropólogo paraibano Marcos Alexandre Santos, ganhou os prêmios de 1º lugar nas categorias "Pesquisa" e "Roteiro" da Mostra Internacional do Filme Etnográfico. A premiação aconteceu no último dia 22, no Arte Sesc, no Rio de Janeiro.
A Mostra de Cinema Etnográfico já está em sua décima edição e tem como objetivo exibir filmes de caráter etnográfico, nacionais e internacionais, ampliando o diálogo entre cinema e o estudo de antropologia.
A produção, que é de Campina Grande, tem 40 minutos e teve co-produção do antropólogo Rodrigo Grüne-wald, pós-produção e edição de Glauco Fernandes, estudante do curso de Arte e Mídia da Universidade Federal de Campina.
Segundo Glauco, por se tratar de um videodocumentário, Marcos Alexandre (diretor, antropólogo e cineasta) só tinha um breve roteiro de como deveria ficar a progressão do filme. "Com isso, sentamos juntos e, com ajuda de amigos, buscamos a melhor forma de abranger o assunto, sem querer centralizar em uma opinião dos entrevistados", conta.
O documentário foi produzido entre abril de 2002 a fevereiro de 2003, nas localidades das áreas indígenas Atikum, em Pernambuco, em Alagoas com a tribo Kariri-xocó, em Alhandra e Campina Grande na Paraíba, em Nazaré da Mata em Pernambuco e no Rio de Janeiro. Jurema: Raízes Etéreas recebeu Menção Honrosa no Prêmio Pierre Verger de Vídeo de Fotografia, em 2004.
Planta é bastante popular no NE
A jurema é bem popular no Nordeste e está associada a cultos afro-brasileiros. No Romance da Pedra do Reino, do escritor Ariano Suassuna, há menção de um vinho de receita secreta, que tem como componente a jurema.
Segundo Glauco, existe uma discriminação da Jurema. Pessoas não a conhecem e formulam um preconceito a respeito. "No filme há um verdadeiro relato de diferentes experiências do uso da jurema em diversas culturas. Existe tanto uma visão científica quanto cultural/religiosa", informa.
Foram feitas imagens de rituais secretos, em que a jurema é utilizada. "Essa naturalidade recheada de manias e preocupações dos entrevistados deu 'todo um ar' de um autêntico documento etnográfico", destaca.
[texto extraído do Jornal da Paraíba de 28/09/2005]
postado por Bárbara às 8:06 AM
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Sexta-feira, Setembro 23, 2005
[ Diretor de "Baile Perfumado" faz teste de seleção de atrizes em João Pessoa ]
por Edileide Vilaça
O diretor de cinema Paulo Caldas ("Baile Perfumado" e "O Rap do Pequeno Príncipe"), em parceria com a Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), estará promovendo na tarde da próxima sexta-feira (23), no Teatro Santa Roza, um teste de seleção de atrizes para o filme "Deserto Feliz", em fase de pré-produção.
Neste momento para compor o elenco, o diretor está selecionando um núcleo formado por quatro garotas entre 18 e 30 anos, para representarem a protagonista e suas três companheiras de quarto e profissão, prostitutas. A produção está percorrendo apenas três estados: Pernambuco, Paraíba e Bahia.
Perfil das personagens Jéssica, Diane, Shirley e Pamela. Jéssica é a protagonista e para este papel estão testando atrizes que aparentem ter 17 anos, mas é necessário que a selecionada seja maior de idade, pois o filme terá cenas de sexo.
Diane e Shirley são pouco mais velhas e podem ter entre 22 e 26 anos. A última e mais velha é Pamela, que no filme representará a mais experiente das quatro e, por isso mesmo, cansada de sofrer com a vida que leva. Para fazer Pamela, a produção do filme procurando atrizes que aparentem de 28 a 30 anos.
"Deserto Feliz" é o novo longa-metragem do diretor pernambucano Paulo Caldas. Ele, que está fazendo o seu terceiro longa, iniciou a carreira com o filme "Baile Perfumado", seguido do premiado documentário "O Rap do Pequeno Príncipe Contra as Almas Sebosas".
Sinopse - Rio São Francisco, confluência dos estados da Bahia e de Pernambuco. Lá, o sertão irrigado e moderno das vinícolas começa a encobrir, aos poucos, as feições de um Nordeste arcaico - ou apenas caricatural e folclórico - que o público acostumou a ver no próprio cinema.
Jéssica, 16 anos, é filha de Maria, 40, com quem vive até o dia em que a náusea de mais uma violência sexual de Biu, seu padrasto, é o impulso à fuga de "Deserto Feliz", vilarejo de "Jualina" - como é chamada a fusão de Juazeiro (BA) e Petrolina (PE) - espécie de metrópole desses novos sertões.
Agoniada como o tatu deixado preso no tonel no quintal de casa, obra das caçadas de Biu, a rota da adolescente é a mesma de outras meninas como ela: a prostituição no Recife, um dos pontos do turismo sexual no País. O padrasto, funcionário da vinícola, ficou para trás, mato adentro com o amigo Mão de Véia, traficante de animais silvestres.
A morena descobre precocemente o poder do sexo. Mesmo marcada pela sombra da violência do padrasto e o seu desejo selvagem de bicho. Ainda em Petrolina, um vendedor de relógios mira seus olhos negros e diz, diante da mãe: "Porque a menina é bonita fica por 12 reais e num se fala mais nisso". Assim como em casa, a reação de Maria é o silêncio.
Nas areias da praia de Boa Viagem, Recife, onde começa o flerte com os gringos, esse poder de Jéssica torna-se ainda mais evidente. E vale euro. Até o dia em que ela vê-se diante do "príncipe encantado", sonho estrangeiro de muitas. Ele é Marck, 30 anos, está de férias em Recife com o amigo Cristopher. Jéssica começa a "fazer romance", expressão que se usa quando uma garota passa a investir em um relacionamento com o gringo e não obrigatoriamente apenas na sua grana.
Crente no amor de Marck, Jéssica imagina-se do outro lado do mundo, vivendo com ele em Berlim. Marck parte sozinho. Para Jéssica resta uma cerveja, com espuma e gosto de ilusões perdidas, num bar perto do edifício onde mora com amigas. Lá, elas vivem esse dilema permanente: "fazer romance" ou "ligar o taxímetro" e pegar todos os euros. Até aonde vai o poder do sexo? "Decifra-me ou te devoro", nessa cidade e nesse ramo, é apenas um enigma banalizado pela rotina.
[fonte: joaopessoa.pb.gov.br ]
postado por Bárbara às 9:44 AM
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Segunda-feira, Setembro 19, 2005
[ LUXO PARA TODOS - presença da pobreza no cinema paraibano ]
Por Lula Mousinho
A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar as coisas.
Fernando Pessoa
Pouco depois da exibição do novo filme de curta-metragem de Marcus Vilar, eu conversava com o músico Didier Guigue, que afirmava ali as linhas gerais do texto que publicaria dias depois neste Birilo. A fala de Didier ecoava aos meus ouvidos duas conferências de João Batista de Brito, faladas ano passado, onde o crítico de cinema apontava a absoluta ausência da classe média no cinema brasileiro - essa mesma classe média que é o público dos filmes de cinema.
Na minha memória a presença constante dos pobres e do homem rural no cinema brasileiro (e paraibano), "mostrados" por vezes de maneira semelhante, pareceu mesmo evidente, assumindo ares de monopólio. Argumentei para Didier, naquele papo de bar, que talvez se pudesse pensar isso como uma resposta à televisão, onde os pobres até a pouco não existiam, a não ser em papéis absolutamente coadjuvantes ou então em papéis (também) completamente estereotipados. Então, o cinema se moveria na direção de dar voz ao Outro, expulso dos objetos audiovisuais que realmente tem público no Brasil, procurando revelar essa voz socialmente recalcada. Ao mesmo tempo, essa argumentação minha não convencia nem a mim mesmo.
Ora, para qualquer pessoa que tenha freqüentado as salas de cinema nas últimas décadas, mesmo que não seja um cinéfilo (como eu não sou) ou especialista em cinema (como eu também não sou), é absolutamente inegável essa presença meio monopolizadora da tematização do pobre, do rústico, do rural, dentro de uma estética que talvez tenha origem no neo-realismo italiano, que tanto influenciou o cinema Novo. Podemos recordar, no entanto, que aqueles (extraordinários) cineastas italianos do neo-realismo fizeram coisas bem diferentes daquela proposta inicial (Fellini e Visconti, por exemplo).
No cinema paraibano, do qual não conheço algumas coisas, mas que acompanho desde 83, quando fui cineclubista (ainda quando cursava o 2º grau), essa tecla da representação dos pobres como elemento central é claramente recorrente, sobretudo no que se refere ao rústico do meio rural.
Um dos dados que mais me convencem de que a representação dos pobres é ditada por uma tradição -- que não está sendo devidamente posta em perspectiva por alguns dos que fazem cinema -- é a adaptação de A hora da estrela, de Clarice Lispector. A novela (literária) da autora é uma paródia exatamente da diluição da representação dos pobres na ficção brasileira. No texto, o protagonista é um intelectual de classe média, que tenta assumir a voz dos desvalidos e fracassa quase o tempo todo nessa tentativa. E que só consegue se aproximar desse outro pela intuição e pelo sentido de margem que compartilha com a personagem. Mas que assume a precariedade dessa apreensão, ponto no papel seus tropeços, sua incompetência no entendimento do Outro, num fracasso que é a glória da narrativa.
Um pouco dessa discussão, inclusive fortemente metalingüística (no livro), está na recente adaptação que Jorge Furtado, Regina Casé e Guel Arraes fizeram para o programa Cena Aberta, da Globo. E esse dado quase não está no filme de Suzana Amaral. Na novela, não é à toa o fato de Macabéa não passar fome e ter chegado a um grau de alienação e idiotice que impede o leitor médio de sonhá-la como uma possível representante do "povo", vista como oráculo de presumíveis verdades emancipatórias (já que "revolucionárias" soa démodé pra burro hoje em dia). A narrativa de Clarice, afinal, se nega a ser um escape para a consciência culpada da classe média leitora, negando-se a colocar seus personagens pobres sob a senda tranqüilizadora de símbolos de uma salvação coletiva, o que representaria um falseamento histórico e, sobretudo, uma empulhação estética.
Dos depoimentos dos cineastas em resposta a Guigue neste mesmo Birilo, na matéria de Astier Basílio e Renato Félix, chamo a atenção para a justificativa sistemática das origens rurais deles, justificativas sinceras, mas absolutamente não convincentes para quem conhece a veia urbana dos mesmos cineastas, nas últimas duas décadas. São seres urbanos, com interesses estéticos e de classe comuns nas pessoas da cidade. A outra justificativa, que credita ao fator acaso a extrema predominância temática, também é impossível de se acompanhar, olhando de fora. Porque então a predominância dos pobres e do homem rural assim, formando verdadeiro monopólio como tema e como maneira de olhá-los?
Antes, que fique esclarecido, para evitar ruídos: estou seguro que a sinceridade nos depoimentos é plena, embora o acerto não o seja. Talvez as falas respondam a fatores inconscientes, de inserção numa tradição, o que as motiva numa direção. Por outro lado, a consciência de linguagem dos três cineastas ouvidos se mostra clara, quando assinalam que o que interessa é a construção discursiva de suas obras e não sua temática. Isso esclarece inclusive a competência narrativa e a beleza vista também no cinema paraibano dos últimos tempos, inclusive nessa última realização de Marcus Vilar.
Por coincidência, dois dias após a conversa com Didier, comecei a ler o livro Em busca do Povo Brasileiro - artistas da revolução, do CPC á era da TV, de Marcelo Ridenti e descubro nele a justificativa histórica que já eu já havia esquecido (e que nossos cineastas esqueceram também). Vejam esse trecho, no qual Ridenti fala dos anos 60 (do século passado):
"A utopia revolucionária romântica do período valorizava acima de tudo a vontade de transformação, a ação dos seres humanos para mudar a História, num processo de construção do homem novo, nos termos do jovem Marx, recuperados por Che Guevara. Mas o modelo para esse homem novo estava no passado, na idealização de um autêntico homem do povo, com raízes rurais, do interior, do 'coração do Brasil', supostamente não contaminado pela modernidade urbana capitalista".
Pensar agora, no contexto da globalização, esse homem não contaminado pela modernidade urbana capitalista, fica mais difícil.
Ao mesmo tempo, para efeito de exportação do cinema do Brasil (ao menos para festivais) tal tipo de cinema da pobreza termina sendo viável em termos de recepção no exterior. Como afirma Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, há todo uma demanda e uma expectativa por representações de pobreza no primeiro mundo, dado que explica parte do sucesso de certos produtos audiovisuais no estrangeiro. Eles querem sobretudo ver algo da pobreza que eles não têm, afirma Meirelles, baixando a bola ufanista dos colegas (aliás, sobre a representação sem complacência da pobreza, Meirelles e Jorge Furtado são alguns dos que mais têm acertado na mão com freqüência, tanto na tv quanto no cinema).
Um outro parêntese: em relação ao veio regional e rural, é bom que não se esqueça também dos perigos do veio regionalista em seus momentos infelizes. Como na antologia dos piores momentos de Gilberto Freyre, que chegou a defender o mocambo como moradia ideal para o homem do povo e o analfabetismo como elemento conservador importante, para preservação das raízes rurais e tradicionais.
Quanto ao cinema paraibano, de onde saíram tantas obras importantes, ele parece estar claramente definido dentro de uma tradição, e é ótimo que esteja sabendo responder a ela. Mas será que daqui para frente os produtores locais estarão pensando essa tradição ou estarão se acomodando em repeti-la? Se Guimarães Rosa tivesse se atido a respeitar o veio regionalista (um "achado" em A bagaceira) sem transcender ao limites desse romance de representação social, pensem o quanto pobrezinha teria saído sua literatura extraordinária.
Pensem também o quanto Clarice Lispector, Proust, Thomas Mann e Visconti revelaram do "social" construindo um olhar sobre as classes altas e altíssimas. Ou como o próprio Rosa revelou dos rústicos, com um luxo de meios que rejeitava a saída fácil do pobre portador de verdades ou da complacência que "substitui a aventura estética pela adulação dos desvalidos", para citar trecho de Verdade Tropical, citado por Marcelo Ridenti, se referindo à música popular nos anos 60.
Talvez seja o caso de repensar a tradição para potencializar (e atualizar!) suas lições e não para repetir mecanicamente suas regras. Tomar a tradição não como prisão e cegueira, mas como possibilidade de emancipação.
Pensando num Brasil onde ao longo da história a literatura e a canção popular alcançaram, na média, uma potência estética reveladora a qual o cinema ainda está nos devendo (e essa opinião é minha), vejo que o texto de Didier sugere de maneira extremamente oportuna isso. Um pensar-se a si próprio, (e aqui digo eu) como a literatura tem se pensado, como a canção se pensou a si tantas vezes.
Isso para que o cinema paraibano não se assuste e também se permita se deixar comover ao tematizar o homem e a mulher de várias classes sociais, o homem em embate com a cidade, em contato com os meios de comunicação de massa ou contaminado pelas novas maneiras de comunicação interpessoal na internet, instaurando construções discursivas que dêem conta desses novos olhares que hão de surgir disso aí. E, sobretudo, que este cinema não se acomode numa competência narrativa já conquistada, mas que pode vir a caminhar para um cristalização. Fugindo à sua importante tarefa de ampliar possibilidades perceptivas, ligar mundos, lançar sentidos. Abrindo mão de instaurar novas maneiras de olhar as coisas, como Aruanda fez há tempos atrás.
postado por Bárbara às 10:20 PM
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Quarta-feira, Setembro 14, 2005
[ QUAL É A CARA DO NOSSO CINEMA?
Urbana ou rural? Cineastas discutem os aspectos da produção contemporânea dos filmes feitos na paraíba ]
* Astier Basílio e Renato Félix
Qual é a "cara" do cinema paraibano? Rural ou urbana? O novo filme de Marcus Vilar, O Meio do Mundo, suscitou uma discussão a respeito em uma lista de discussão da internet, a ¿Cidade & Cultura¿. A predominância dos cenários rurais nos filmes produzidos aqui já foi apontada pelo JORNAL DA PARAÍBA no lançamento de O Cão Sedento, de Bruno Sales. Agora, os cineastas locais contam o que acham dessa discussão.
Foi o músico Didier Guigue quem retomou o assunto no texto "Dos Meios e do Mundo", publicado na lista de discussão e no Birilo, blog editado pela presidente da Associação Brasileira de Documentaristas, seção Paraíba (ABD-PB), Ana Bárbara Ramos.
No artigo, Guigue amplia as reflexões e vai além da análise do filme em questão. Fazendo ressalvas no que se refere ao seu pleno conhecimento da produção cinematográfica local, diz que, "afora o trabalho de Carlos Dowling, não guarda registro de nenhuma produção profissional que não esteja ancorada na tematização do arcaísmo cultural, religioso, social ou econômico, dos redutos mais isolados da nossa terra". O texto na íntegra está disponível no endereço: www.birilo.blogger.com.br.
Para Marcus Vilar, o tema do filme é maior do que esta discussão. "Acho que temas vêm e vão. Que realizadores filmam e gravam os temas que os sensibilizam e que lhes convém. Acredito que seja assim. Tudo não passa de uma grande coincidência."
O cineasta é de Campina Grande e, contando que passou a infância no sítio de um primo, destaca: "O universo rural me fascina mais". De seus 15 trabalhos em vídeo e película, Marcus lembra que apenas três foram feitos na zona rural.
"A 'cara' do cinema da Paraíba é filmar, filmar e filmar: não importa onde, e sim como mostrar a sua cara. Pra mim, o que importa é se o filme é bom ou ruim - pode ser filmado em qualquer lugar. Não é a geografia que determina a qualidade de um filme", analisa Vilar.
Na avaliação do cineasta Torquato Joel, que começou junto com Marcus Vilar, esse questionamento não faz sentido. "Acho uma discussão muito boba, estéril. Cada autor faz sua obra de acordo com seu interesse", analisa.
Sobre o fato de seu trabalho também trazer estas marcas, Torquato, que é de Sousa, lembra suas origens sertanejas: "O Sertão é algo visceral dentro de mim. Eu venho de uma família de origem rural. No Nordeste, a força da cultura sertaneja é intensa". Ele também não acredita que seu filme mais recente, Transubstancial, inspirado em Augusto dos Anjos, faça parte desse estilo. "Acho que Transubstancial tem um pouco de urbano e de rural, como era a poesia de Augusto dos Anjos", comenta Joel.
Ele também acha importante que seja mantida essa aproximação com o campo. "Não sei o que será do homem do futuro sem essa coisa telúrica, essa relação com a natureza", afirma.
Representante da nova geração do cinema paraibano, Bruno de Sales acredita que pouco importa a temática abordada, no que se refere a um bom filme. "O que todo mundo espera quando vai ver um curta-metragem é ver se ele cabe naquele formato, se a história contada vale o tempo que pesa. Pode ser urbano, rural, intergaláctico, aquático, não importa: a moeda de troca do curta é o tempo".
Mesmo assim, ele admite notar uma recorrência nas temáticas da produção cinematográfica em nosso Estado. "Se você coloca em campo todos os filmes já feitos no Estado, o placar vai ser de 9x1 pro time dos rurais. Mas não tenho dúvida, trata-se de uma coincidência coletiva dos realizadores". Sales não acredita que a nova geração altere a estatística temática. "A cidade continua a mesma, o interior continua o mesmo e os cineastas idem", analisa.
O crítico João Batista de Brito acredita que a ruralidade, no cinema paraibano, é algo circunstancial. "Não creio que o nosso cinema tenha uma vocação rural". Segundo o crítico, o problema do cinema paraibano é o da arte nordestina de uma maneira geral. "Como sabemos, faz parte essencial do imaginário nacional o mito do Nordeste como o poço de nossas raízes e de nossa identidade, e como o Nordeste é - ou foi? - predominantemente rural".
O crítico faz ressalvas, no entanto. "Se levado muito a sério esse mito pode dar num beco sem saída e, de minha parte, prefiro imaginar que brincaremos com ele e, quando necessário, o driblaremos. Filmes como o pernambucano Baile Perfumado têm feito isso".
Das produções nacionais feitas na Paraíba, um dos principais pontos de locação é a cidade de Cabaceiras, cenário, por exemplo, para O Auto da Compadecida (1999), grande sucesso de bilheteria. Por que a seca e esse nosso universo rural têm seduzido produções de grande porte? As razões para isso estão sendo levantadas pela cineasta Ana Bárbara Ramos, em um documentário que está sendo financiado pelo Ministério da Cultura.
Segundo Ana, os filmes que foram feitos em Cabaceiras, no total de oito produções, têm uma característica comum: a representação do Nordeste das décadas de 1930 e 1940, período em que ocorreram as grandes secas. "Como conseqüência disso, consolidou-se para sempre os arquétipos do cabra da peste, do cangaceiro, do coronel, do flagelado da seca e outras mazelas mais", conta ela.
Para a cineasta, esses filmes "retratam esse lugar-comum carregado de mitologia que todos conhecemos muito bem e que se perpetua inconscientemente até mesmo entre nós, nordestinos".
Também pesa o fato de que os cineastas, quando filmam em outras regiões que não a sua, estão atrás de imagens emblemáticas que não encontram perto de casa. Mas não tem jeito: a sedução das imagens do interior paraibano parece agir tanto nos diretores de longe quanto nos de casa.
[texto publicado no Jornal da Paraíba do dia 13 de setembro de 2005]
postado por Bárbara às 7:22 AM
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Terça-feira, Setembro 13, 2005
[ CINEMA EM MANGABEIRA ]
Por Jussie Rodrigues
Os moradores de Mangabeira, o maior bairro da capital, terão a oportunidade de conferir filmes de curta e média duração do cinema nacional na porta de casa, na próxima quarta-feira,dia 14, através do Projeto Cinema na Rua, que exibe filmes em 16mm que não entram no circuito comercial, indo da ficção à animação visando atrair toda faixa etária de publico para vários bairros da capital.
As exibições acontecem nas segundas, quartas e sextas-feiras em locais abertos e de fácil acesso ao público em geral, como pátios de escolas, igrejas e associações de bairro, sempre às 19h30. No mês de junho, o Projeto visitará os bairros do Cidade Verde, Miramar, Bairro dos Novais, Bessa e Varadouro, além da comunidade do Vale do Timbó. Essa semana as exibições acontecem na Rua Rita Xavier de Oliveira, em frente a escola Municipal Zumbi dos Palmares, no Mangabeira VI.
Vários filmes de curta duração serão exibidos em todas as noites do Projeto, entre eles Memória do cangaço,Tanta Estrela por Aí e Novela. Memória do Cangaço é um documentário de Paulo Gil Soares sobre as origens do cangaço. No filme, a medida que os policias e cangaceiros, sobreviventes da luta, narram suas historias, são mostradas seqüências de filmes realizados na década de 30. Memórias do Cangaço recebeu o premio Gaivota de Ouro no Festival Internacional do rio de Janeiro,em 1966.
Tanta Estrela por Aí, de Tadeu Knudsen, conta a história de um político de uma cidade do interior que resolve contratar Raul seixas para o comício que decretará sua vitória, entretanto, uma ¿mosca indígena¿ cai em sua sopa. No filme há a participação da cantora Rita Lee e o curta Novela, uma critica sobre os costumes humanos e a própria novela que se torna um segmento sagrado em um país que espera as cenas do próximo capítulo.
O projeto Cinema na Rua é promovido pelo Serviço Social do Comercio, Sesc, em parceria com o Governo do Estado (através da Secretaria de Educação e Cultura) e a Funesc- Fundação Espaço Cultural, tendo como objetivo contribuir com o crescimento cultural da população de João Pessoa que muitas vezes não tem acesso a salas de projeções da capital.
Outros Projetos
Além do Cinema na Rua, o Sesc desenvolve na área de cinema, os projetos Cinema na Escola, em parceria com o Governo do Estado e A Escola Vai ao Cinema, realizado na própria instituição.
O Cinema na Escola tem como objetivo,difundir o cinema nacional e paraibano, servindo como uma importante ferramenta interdisciplinar para discutir temas transversais na escola. Ficção, animação e documentário, são alguns dos gêneros que o Projeto carrega consigo para as exibições nas escolas. O Projeto é uma parceria entre o Sesc e o Governo do estado, através da Funesc ( Fundação Espaço Cultural) e que já realizou esse ano, mais de 270 seções em colégios como o José Lins do Rêgo, Padre Ibiapina e o EEPAC, nos turnos da tarde e noite.
Já o Projeto A Escola Vai ao Cinema, tem como objetivo possibilitar aos estudantes da cidade de João Pessoa o acesso à cinematografia nacional de longas e curtas metragens visando à formação sociocultural e política no âmbito escolar.As exibições ocorrem às quarta-feira as 9hrs, 15hrs e 19hrs na sala de vídeo e cinema do Sesc,o Cine Sesc, trazendo filmes do cinema nacional, a exemplo de Terra Estrangeira de Walter Sales e Amélia de Ana Carolina e Houve Uma Vez Dois Verões. Recentemente o Sesc promoveu através do projeto, as oficinas de Linguagem Audiovisual, para professores e a oficina Cineastas do Futuro, para alunos de 14 a 16 anos de escolas publicas da capital.
postado por Bárbara às 7:24 AM
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Sexta-feira, Setembro 09, 2005
[ CINE VOLANTE ATRAI PÚBLICO CADA VEZ MAIOR NOS BAIRROS ]
Por Edileide Vilaça
O projeto Cine Volante, desenvolvido pela Fundação Cultural de João Pessoa (Funjope), chega ao seu terceiro mês, superando as expectativas dos organizadores e atraindo um público cada vez maior a cada sessão. Agora em setembro, o projeto levará às pessoas que residem em diversos bairros da Capital, mais quatro filmes da produção cinematográfica da Paraíba: "Desejo Citrullus", de Ana Bárbara Ramos; "Terno e Gravata", de Tiago ET; "Caçador de Miragens - Flávio Tavares", de Elisa Cabral e "O Menino e a Bagaceira", de Lúcio Vilar. A primeira exibição deste mês está marcada para a próxima semana, na sexta-feira (9), às 19h30, no Salão Comunitário da Igreja Sagrado Coração de Jesus, em Mandacaru.
A idéia é proporcionar o desenvolvimento cultural das pessoas, como também ampliar as possibilidades de exibições de películas produzidas por cineastas paraibanos, haja visto que esses filmes geralmente só são exibidos em espaços delimitados e intelectualizados, a exemplo de festivais de cinema realizados periodicamente em alguns estados brasileiros.
O trabalho envolve além das exibições, debates com os realizadores dos filmes, o que resulta ainda na produção de redações por parte do público. Segundo o coordenador de audiovisual da Funjope, Torquato Joel, existe uma demanda de solicitações de vários bairros que querem ser incluídos na programação do projeto. "Infelizmente não podemos atender a todo mundo ao mesmo tempo. Mas, logo no início do próximo ano vamos atender a todos os pedidos, quando o projeto visitará mais seis bairros", garantiu.
Mesmo assim, a Funjope uniu esforços da equipe que executa o Cine Volante e, atendendo as solicitações do Centro de Capacitação de Professores (Cecapro), os filmes paraibanos serão exibidos para docentes e alunos da rede municipal, além das pessoas que residem nas imediações daquele órgão, situado na avenida Beira Rio. A apresentação deve ocorrer no dia 28 deste mês, às 16h, no auditório do Centro.
Torquato observou que em apenas dois meses de realização do projeto, a aceitação das comunidades tem sido tão grande, ampliando o público a cada sessão, que no Conjunto Valentina Figueiredo, por exemplo, no mês de agosto, uma exibição foi transferida do Centro da Juventude para o Ginásio de Esportes do bairro, em virtude da quantidade de espectadores ser maior que a esperada.
"A participação das pessoas têm sido surpreendente. Neste caso do Valentina, para não interromper as atividades esportivas do ginásio, tentaremos nos organizar na área aberta do Centro da Juventude daquele bairro", frisou o coordenador.
Segundo o coordenador de Audiovisual da Funjope, já que o projeto leva também os realizadores dos filmes para participar de um debate com a comunidade, ele acredita que até dezembro o Cine Volante tenha conseguido formar um público com uma visão do cinema muito mais apurada e mais crítica, até do ponto de vista da estética, processo de criação e linguagem audiovisual.
Na visão dos cineastas e especialistas em cinema na paraíba, o projeto contribui diretamente no processo educacional e cultural das pessoas. "É o projeto mais interessante atualmente para a difusão do audiovisual paraibano, logrando dois excelentes resultados: tornar conhecida a produção de vídeo e cinema dos nossos realizadores - antes restrita a exibições no âmbito acadêmico e de festivais " e colocar a população da periferia da cidade em contato com uma produção que destoa dos padrões globais e hollywoodianos, contribuindo assim para uma reeducação do olhar desse público, estimulando a reflexão e o debate sobre a nossa realidade", declarou o videasta Bertrand Lira.
Para Zonda Bez, jornalista estudioso do cinema paraibano e membro da Associação Brasileira de Documentaristas da Paraíba (ABD-PB), o projeto Cine Volante é um espaço agora indispensável para se levar a produção de cinema e vídeo paraibanos, nova e antiga, ao público pessoense dentro de suas próprias comunidades, fazendo com que essas obras alcancem maior repercusão junto a público que esteve sempre à margem quando o assunto é audiovisual paraibano.
"Com as iniciativas complementares do Cine Olho e das Oficinas de Cineclubismo acredito que o novo projeto audiovisual da Funjope trará ganhos inquestionáveis para as comunidades envolvidas, levando cinema e vídeo paraibanos não só para as telas, mas também para a vida das pessoas", comentou Zonda.
Já a presidente da ABD-PB, Ana Bárbara Ramos, avalia que o projeto é importante porque permite aos realizadores locais a oportunidade de exibirem seus filmes. "Além disso, possibilita que as pessoas sem acesso ao cinema, em especial ao cinema paraibano, possam assistir em seu bairro a produção local', reforça.
Programação - Para o circuito de cinema nos bairros neste mês de setembro serão exibidos três vídeos de ficção e um documetário. O primeiro curta "Desejo Citrullus", de Ana Bárbara Ramos, revela o que uma mulher grávida pode perder em nome de um desejo. Em 'Terno e Gravata", de Tiago ET, um descamisado vaga enquanto reflete sobre seu papel como ator social. No terceiro curta-metragem de ficção com duração de 10 minutos, "Caçador de Miragens: Flávio Tavares", de Elisa Cabral, as cores, traços, tons e ritmos se contrapõem no processo de criação do artista plástico paraibano Flávio Tavares. E por fim, uma produção do ano passado em estilo documentário, com duração de 30 minutos, "O Menino e a Bagaceira", de Lúcio Vilar. O filme aborda a glória e ocaso do ator-mirim paraibano Sávio Rolim que interpretou o personagem central do filme "Menino de Engenho" (1965), de Walter Lima Jr. O documentário narra sua trajetória artística (e de vida) até os dias atuais, onde enfrenta graves problemas de saúde e mora em cortiços.
Locais, datas e horários:
Mandacaru Salão Comunitário da Igreja Sagrado Coração de Jesus
9 de setembro (sexta-feira) - 19h30
Alto do Mateus Escola Municipal João XXIII
14 de setembro (quarta-feira) - 19h30
Mangabeira I Centro da Juventude Hilton Veloso Filho
15 de setembro (quinta-feira) - 19h30
Valentina Centro da Juventude Adalberto da Silva Fernandes
22 de setembro (quinta-feira) - 19h30
Tambauzinho Centro de Capacitação de Professores - Cecapro
28 de setembro (quarta-feira) - 16h
postado por Bárbara às 7:13 AM
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Segunda-feira, Setembro 05, 2005
[ "O MEIO DO MUNDO":
INICIAÇÃO AO CICLO DO CARVÃO DO CINEMA PARAIBANO ]
Por Amin Stepple Hiluey
O cinema paraibano perde a inocência. O responsável pelo desvirginamento é o cineasta Marcus Vilar, autor de uma obra original e instigante, da qual fazem parte pequenos grandes filmes como "A Árvore da Miséria" e 'A Canga". O diretor acaba de lançar "O Meio do Mundo", um curta irrepreensível do ponto de vista técnico (imagem e som), o que, aliás, tem sido uma marca constante e tradicional do cinema paraibano, desde os anos 60.
Inspirado num conto do escritor Antonio Carlos Viana, 'O Meio do Mundo" é um filme raro, ao mesmo tempo extremamente delicado e extremamente violento. Isso mesmo. Violento porque aborda algumas características culturais subjacentes a uma sociedade ainda marcadamente machista e sexista. São relações sociais baseadas em velhas estruturas, que resistem até mesmo à evolução dos costumes e à maleabilidade da moral redesenhada pelo tempo e influências dos meios de comunicação.
A iniciação sexual de um adolescente (o jovem ator Gabriel Sales) com uma prostituta imposta pela figura autoritária e dominadora do pai é, numa linha, a síntese do novo filme de Vilar. Uma educação sexual compulsória, mais determinada pelo desejo da força do que na força do desejo. Uma didática que se repete, quando não na prática, ao menos no plano do inconsciente, a atravessar gerações e gerações, num mundo confinado por arraigados e anacrônicos valores morais e sexuais.
No entanto, toda essa violência cultural latente, intrínseca, tensionada, é repassada ao espectador através de planos densos embora sutis, construídos por uma delicadeza só encontrada em diretores experimentados. O que faz de "O Meio do Mundo" um filme singular, transcendente e uma bela obra de arte é a opção por uma linguagem em que toda uma herança cultural de violência é embrulhada, sem falsificação de conteúdo e até acentuando-o, por uma textura plástica, apenas sugestiva, não hiperrealista.
A montagem eisensteiniana, quase ideogramática, dialética, contribui para a carga simbólica de cada plano, que pode ser a síntese dos anteriores ou a antecipação dos próximos. Ao mesmo tempo em que evidencia os traços culturais e latentes da violência, presente em todos os momentos do filme, a montagem também os suaviza, transformando a realidade abrasiva e violadora em poesia cinematográfica.
Uma das seqüências mais significativas de "O Meio do Mundo', uma autêntica aula cinematográfica, é quando o pai (Jacinto Moreno) e o filho indo em direção à casa da velha prostituta atravessam um túnel, desses abandonados pelas linhas férreas que cruzavam a Paraíba de antigamente. Uma obra de engenharia (também de cinema) que oculta e revela um mundo caduco. A passagem pelo túnel é o rito de transição entre uma infância de bolhas de sabão, expurgada rudemente pelo que Marx classificou como 'idiotia rural", e o ingresso abrupto no universo dos adultos, onde as bravatas sexuais do macho-pai prevalecem e contam mais do que as suscetibilidades oprimidas da fêmea-mãe. Com a perda da inocência, só resta aprender a sobreviver no ciclo do carvão, um elemento simbólico (curiosa e estranhamente fetichista) que antecede à devoração pelo ritual do fogo.
Muito bem dirigido por Marcus Vilar, com excelente fotografia do cearense Roberto Iuri e ótimos atores (dando continuidade à eficiente escola paraibana de interpretação e com o reforço da atriz pernambucana Conceição Camarotti, em outro papel corajoso e difícil), 'O Meio do Mundo" tem diálogos econômicos e secos. Inovador na forma e no conteúdo, se mantém na melhor tradição do cinema rural paraibano. O filme de Vilar não deixa de ser uma atualidade reconstituída de outros filmes paraibanos, de várias épocas, como, por exemplo, "Aruanda", o clássico de Linduarte Noronha e Rucker Vieira. "O Meio do Mundo" é o "Aruanda" do sexo. Mais um belo filme do cinema paraibano.
postado por Bárbara às 7:37 AM
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[ DOS MEIOS E DO MUNDO ]
Por Didier Guigue
E' o caso de dizer, meio mundo (sic!) viu o novo curta
de Marcus Vilar. Para o hipotético leitor que não
teria assistido, atalho que sua temática ilustra, de
forma belíssima e muito sensível, o rito sexual de
passagem de um menino a idade do macho, segundo as
arcaicas tradições ainda vivas nos recantos mais
profundos do nosso Interior. Senão explicitamente
paraibano, ao menos, caracteristicamente nordestino. O
filme desenvolve simultaneamente duas representações
do tema, uma realista e outra simbolista. Ressalvas,
tenho, mas são ressalvas de leigo. Quem sou eu para
encher a paciência dos outros com os meus achismos
cinematográficos.
O que desejo trazer a tona é uma perplexidade minha,
que não entra no mérito do filme em si. Seguinte:
Tirando Carlos Dowling, e ressalvada alguma falha de
memória, ou ainda desconhecimento crasso de porções
inteiras da filmografia paraibana, não guardo registro
de nenhuma produção profissional que não esteja
ancorada na tematização do arcaísmo cultural,
religioso, social ou econômico, dos redutos mais
isolados da nossa terra. Camponeses, sertanejos, por
natureza analfabetos e grandiosos na sua cultura e
alienação, na sua luta ou simplesmente na sua bela
simplicidade e estetizada pobreza. Homens e mulheres
nos seus respectivos, criticados, porém
complacentemente mostrados, papeis arquetipados.
Pergunta: Por que aos cineastas paraibanos não
interessa o meio em que eles estão vivendo? Circulam
dia e noite nesses nossos multifacetados espaços
urbanos que conhecem e praticam como ninguém, e na
hora de filmar, se esmeram em encenar dramas
localizados nos últimos e escondidos sítios onde
ainda estão guardadas a sete chaves as botas que Deus
perdeu.
Não existe trama, enredo, beleza, poesia, luta,
fracassos e vitórias, enfim, estórias ou história,
fora do agreste, da vila, da fazenda, do mato? Porque
será que Tambaú ou Mangabeira não têm graças aos olhos
dos nossos diretores e roteiristas? Porque que só
diretor carioca se interessa por Campina Grande?
Porque será que é tabu mostrar paraibano aculturado,
antenado no mundo de hoje, pegando ônibus, táxi ou
avião, tendo lido alguns livros na sua vida, e se
comunicando por MSN? Será que o espectro de Linduarte
Noronha é tão assombroso assim, que ameaça dos Fogos
Eternos o diretor paraibano que for enfrentar temática
urbana e moderna?
postado por Bárbara às 6:50 AM
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birilo
postado por Bárbara às 6:44 AM
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[ 'O MEIO DO MUNDO' É O MELHOR DE MARCUS VILAR ]
Por Astier Basílio
gabriel sales e conceição camarotti
Um menino é levado pelo seu pai à casa de uma prostituta para a sua iniciação sexual. Esta, nua e crua, é a síntese do mais novo filme do cineasta paraibano Marcus Vilar O Meio do Mundo, adaptado do conto homônimo do escritor sergipano Antônio Carlos Viana, um dos principais nomes da ficção contemporânea brasileira.
Precisão, poeticidadade, leveza e rigor no trato com as imagens. É isso o que se vê neste curta, filmado em 35 mm, com apoio do FIC Augusto dos Anjos.
No plano inicial, avulta a beleza colorida do jardim da casa do protagonista. O cenário é um elemento importantíssimo e se modula de acordo com o nível de tensão que a narrativa vai engendrando, transformando-se numa moldura que acompanha o ritmo de gradação e mudança: quadro a quadro. Do jardim florido do lar seguro, aos longes incertos do mato; do menino pueril fazendo bola de sabão, ao homem que retorna para a vida, para o mundo, ao emergir do universo vermelho da luxúria, da casa da prostituta, onde aconteceu o ato sexual, descrito com extrema sutileza.
Em cada cena, tem-se a impressão de que o diretor teve uma noção de conjunto apurada e submetida ao sentido principal do filme, que é o rito de passagem.
Os 11 minutos do curta se passam sem que haja nada mais que duas palavrinhas. A pedra de toque é a imagem, mas, nem por isso o diretor carregou na exuberância fotográfica, como, de alguma maneira aconteceu em A Canga, em que a fotografia se sobrepôs aos elementos narrativos.
Destaque para o elenco, em plena sintonia com o tom de comedimento do curta. Gabriel Sales (menino), Jacinto Moreno, (pai) Eleonora Montenegro (mãe) e a atriz pernambucana Conceição Camarotti (Amarelo Manga, 2003), que fez a prostituta.
A meu ver, Meio do Mundo é o melhor filme de Marcus Vilar e um dos melhores do cinema paraibano, nos últimos anos.
Esperemos os prêmios, que virão, com certeza.
[Crítica publicada no Jornal da Paraíba, de 03/09/2005]
postado por Bárbara às 6:39 AM
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Domingo, Setembro 04, 2005
[ PREMIAÇÃO DO 16º FESTIVAL INTERNACIONAL DE CURTAS DE SÃO PAULO ]
Saiu ontem o resultado da 16ª edição do Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo. Confira abaixo:
O evento, que é patrocinado há cinco anos pela Petrobras, como projeto convidado do programa petrobras cultural, promoveu este ano a exibição de 430 filmes representando 55 países dos cinco continentes. O Sesc São Paulo é o co-promotor do evento, junto com a Secretaria Municipal de Cultura e a Secretaria Municipal de Cultura.
O Foco do Festival de Curtas deste ano foi dedicado ao tema Por Um Fio, uma discussão de como os meios de comunicação desempenham papel fundamental na mudança do conceito de "distância" reunindo filmes que tematizam o ritmo imediatista que as relações pessoais tomam na contemporaneidade.
Foram oito salas de exibição em São Paulo, além de itinerâncias em Campinas, São Carlos, Rio de Janeiro, Porto Alegre e no Recife. O público total estimado do evento é de mais de vinte e sete mil pessoas.
Apesar de não ser competitivo, o Festival levanta as preferências do público através de uma pesquisa que acontece em todas as sessões. O resultado, com os dez títulos internacionais e os dez brasileiros favoritos do publico, serve de base para que parceiros do festival escolham os títulos para suas premiações.
Os dez filmes internacionais mais votados pelo público, em ordem alfabética, foram os seguintes:
A Revolução dos Caranguejos, de Arthur de Pins (França);
A Última Fazenda, de Runar Runarsson (Islândia);
Amal, de Ali Benkirane (Marrocos/França);
Mais que o Mundo, de Lautaro Nunes de Arco (Argentina);
O Ventilador e a Flor, de Bill Plympton (EUA);
Os Últimos Dias, Simon Olivier Fecteau (Canada);
Peça para Três Atores, de Oleksandr Shmygun (Ucrânia);
Ryan, de Chris Landreth (Canadá);
Viagem a Marte, de Juan Pablo Zaramella (Argentina); e
Vitória para Chino, de Cary Fukunaga (México)
Também em ordem alfabética, estes são os curtas brasileiros eleitos pela audiência:
"Alô Tocayo", De Renato Martins & Lula Carvalho, RJ;
"Descobrindo Waltel", de Alessandro Gamo, PR;
"Deu No Jornal", de Yanko Del Pino, RJ;
"Eletrodoméstica", de Kleber Mendonça Filho, PE;
"Entre Paredes", de Eric Laurence, PE
"Historietas Assombradas (para Crianças Mal-Criadas", de Victor Hugo Borges, SP;
"Mestre Humberto", de Rodrigo Savastano, RJ;
"O Dia Em Que O Bambu Quebrou No Meio", De Arthur Muhlenberg & Pedro Asbeg, RJ;
"O Mundo É Uma Cabeça", De Cláudio Barroso & Bidu Queiroz, PE; e
"Soberano", de Kiko Mollica & Ana Paula Orlandi, SP.
O Prêmio Revelação - voltado para a renovação de talentos provenientes de escolas e cursos de cinema no país - é resultado da parceria entre uma série de empresas atuantes no setor audiovisual e se constitui em reconhecimento a um jovem autor e, ao mesmo tempo, uma contribuição significativa na viabilização de seu próximo projeto. Nele, a resposta à pergunta "Por que você fez esse curta?", enviada a todos os realizadores concorrentes, é levada em conta na avaliação e o vencedor recebe latas de negativo Kodak; diárias de câmera Aaton; horas de edição de som na Effects; mixagem na JLS; equipamentos de luz e maquinaria da Quanta; revelação de negativo, copião e cópia da MegaColor; uso de telecinagem dos EstudiosMega; e licença para uso de sistema sonoro Dolby.
O júri, indicado pelas empresas parceiras que oferecem o prêmio, foi formado pelo crítico Cláudio Gonçalves de Oliveira, pelo cineasta Eduardo Valente e pela jornalista Fernanda Mena. O vencedor foi o curta-metragem "Dalva", de Caroline Leone, um filme delicado e sutil segundo os jurados. Foram concedidas ainda menções honrosas para "Oiticica", de José Geraldo, e "Dois Tons", de Caetano Gottardi.
Este ano foi criado uma premiação específica para a Mostra Latino-Americana.. Trata-se do Prêmio Instituto Cervantes, oferecido a quatro curtas-metragens latino-americanos de fala espanhola. Os contemplados ganharam direito à autoração de um DVD a ser exibido no circuito formado pelas unidades daquela instituição em todo o mundo e ainda 250 dólares. Os quatro vencedores foram "O Outro Sonho Americano", de Enrique Arroyo (México), "Mais Que o Mundo", de Lautaro Nuñes de Arco (Argentina), "E-Mail Para Mamãe", de Gerardo Ruiz Miñán (Peru), e "O Velho", de Paola Chaurand (México).
Este ano, apontando o reconhecimento internacional do Festival de Curtas de São Paulo, o evento integrou o prestigioso circuito do Jameson Short Film Awards. Patrocinada pela marca internacional de uísque, essa iniciativa acontece em dezoito paises durante o ano e premia o melhor curta nacional em cada festival no qual o circuito Jameson participa. Os contemplados recebem seis mil euros cada e em São Paulo um júri composto por curadores internacionais - Laurent Crouzeix (do Festival de Clermont-Ferrand, na França), Martin Brouard (Festival das Três Américas em Quebec, Canadá) e Roberta Munroe (Sundance Festival) elegeu como vencedor "Início do Fim", de Gustavo Spolidoro (RS).
Alunos universitários, integrantes de núcleos de produção independentee ainda cineastas concorreram ao Siemens Micromovie Award, uma iniciativa do 16º Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo e do Instituto Goethe de São Paulo que propôs o desafio de realizar um curta-metragem com duração de até 90 segundos usando apenas a câmera de vídeo do telefone móvel Siemens SX-1. O valor da premiação é de mil euros. 'Velha Infância", dirigido por Gustavo Ludewig, aluno da Universidade Metodista (São Bernardo do Campo, SP), foi o vencedor.
Os filmes das seções Curta o Formato Brasil e Panorama Brasil foram analisados por um júri formado por profissionais da TV Cultura, que escolheu um título para receber o prêmio TV Cultura de Curta-Metragem, no valor de cinco mil reais. O vencedor foi "Historietas Assombradas (Para Crianças Mal-Criadas)", de Victor Hugo Borges (SP).
O Prêmio de Aquisição Canal Brasil de Incentivo ao Curta-Metragem contemplou dois filmes brasileiros (escolhidos pelo Canal Brasil entre os mais votados pelo público nas mostras Curta o Formato Brasil e Panorama Brasil) com cinco mil reais cada um. Os vencedores foram "Eletrodoméstica", de Kleber Mendonça Filho (PE), e "Mestre Humberto", de Rodrigo Savastano (RJ).
O Prêmio Aquisição Curta STV, destinado a um filme exibido nas seções Curta o Formato Brasil e Panorama Brasil e escolhido por um júri nomeado pela Rede SescSenac de Televisão. O contemplado, que recebeu cinco mil reais, foi "Descobrindo Waltel", de Alessandro Gamo (PR).
Espaço pioneiro para o curta-metragem brasileiro na internet, o Porta Curtas Petrobras premiou com mil reais três curtas de até quinze minutos de duração, escolhidos pelos internautas no site www.portacurtas.com.br: 'Deu no Jornal", de Yanko del Pino (RJ), "Alice", de Rafael Gomes (SP), e "O Dia Em Que O Bambu Quebrou no Meio", de Arthur Muhlenberg & Pedro Asbeg (RJ).
Selecionados entre os favoritos da audiência, três filmes brasileiros receberam o Prêmio Espaço Unibanco de Cinema, para compor um programa a ser exibido na temporada 2006 do projeto Curta Petrobras às Seis: "Soberano", de Kiko Mollica & Ana Paula Orlandi (SP), "Descobrido Waltel", de Alessandro Gamo (PR), e "O Mundo é Uma Cabeça", de Cláudio Barroso & Bidu Queiroz (PE).
A ABD ofereceu este ano dupla premiação: um troféu foi oferecido ao curta de maior destaque na mostra latino-americana; outro para o curta de maior destaque nas seções Panorama Brasil e Curta o Formato Brasil. O vencedor latino-americano foi o argentino 'Na Escuridão", de Marcelo Charras & Juan Manuel Rampoldi. O Prêmio ABD para curta nacional foi para "Sexo e Claustro", de Cláudia Priscilla (SP), com menção honrosa para: "O Mundo é Uma Cabeça', de Cláudio Barroso e Bidu Queiroz (PE).
O Troféu Coelho de Prata / Prêmio Mix Brasil, oferecido ao curta de maior destaque na temática da diversidade sexual, foi para "Bigodão", de Vicki Sugars (França).
Iniciativa que une exibição cinematográfica e ambiente de festa, o Cachaça Cinema Clube é evento de sucesso no Rio de Janeiro e este ano selecionou três curtas brasileiros, que serão exibidos em um programa especial no Cine Odeon BR: "Eletrodoméstica", de Kleber Mendonça Filho (PE), "Nascente", de Helvécio Marins Jr (MG), e "O Mundo é Uma Cabeça", de Cláudio Barroso e Bidu Queiroz (PE).
[fonte: Kinoforum.org]
postado por Bárbara às 2:04 PM
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ddddddd
postado por Bárbara às 9:44 AM
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Quinta-feira, Setembro 01, 2005
[ "O MEIO DO MUNDO", DE MARCUS VILAR É LANÇADO HOJE ]
O cineasta Marcus Vilar lança hoje, às 21h00, no Cine Box do Manaíra Shopping, em João Pessoa, o seu novo filme - o curta-metragem "O meio do mundo" - baseado no conto homônimo do escritor sergipano Antônio Carlos Viana.
A produção foi realizada com recursos do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC) Augusto dos Anjos e conta com o apoio da Coordenação de Extensão Cultural da Universidade Federal da Paraíba (Coex) e do Para´iwa - Coletivo de Assessoria e Documentação. O filme foi rodado na cidade de Bananeiras.
"Fazer este filme foi sem dúvida um grande desafio para mim, pois o conto me levava a uma possibilidade de fazer um tipo de filme que gosto, que é narrar uma estória sem ter diálogo ou narração. Além disso me deparei com um tema que sempre me causou curiosidade, por se tratar de um assunto tabu e pouco discutido", comentou o cineasta Marcus Vilar.
Depois do realismo do filme "A canga", Marcus Vilar retorna as telas dos cinemas com um filme singelo e sensível, mas ao mesmo tempo audacioso e poético. O curta-metragem "O meio do mundo" se destaca pela singeleza da fotografia. Merecem destaque também a perfeita direção de arte e a montagem ágil e cheia de citações, que remetem às transformações que um menino vai enfrentar ao ser levado pelo pai para "conhecer o mundo".
O elenco é formado pelos paraibanos Jacinto Moreno, Eleonora Montenegro e Gabriel Salles, além da pernambucana Conceição Camarotti.
[Fonte: Correio da Paraíba / Augusto Magalhães]
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