Terça-feira, Maio 31, 2005
[ O AUDIOVISUAL DE CAMPINA GRANDE A TODO VAPOR ]

Aproveito para publicar aqui no Birilo o texto que Astier Basilio escreveu no Jornal da Paraíba sobre o audiovisual que está sendo feito lá pelas bandas de Campina Grande. Já vem de longe a tradição na cinematográfica da rainha da Borborema; Foi lá, por exemplo que Machado Bittencourt rodou o primeiro filme colorido da PB.

CAMPINA COM IDÉIAS NAS MÃOS E CINEMA NA CABEÇA

Por Astier Basílio

Além de ser conhecida pelo São João que faz, pelo Centro de Tecnologia que é referência em todo o mundo, Campina Grande está se tornando um pólo fomentador de produção audiovisual. Só no curso de Arte e Mídia, da Universidade Federal de Campina Gran-de (UFCG) já são mais de 100 produções, em apenas seis anos de implantação.

Some-se a este núcleo de produção as atividades e produções realizadas na cadeira de Cinema do professor e jornalista Rômulo Azevedo, do curso de Comunicação da UEPB. Sem a mesma infra-estrutura da UFCG, contando apenas com uma câmera Super VHS e muita força de vontade, alguns documentários sobre temas locais e curtas de ficção baseados em obras de au-tores da literatura brasileira foram feitos pelos alunos, com a supervisão geral do professor Azevedo.

Existem mais duas produtoras independentes, a Theia Produções, que congrega o núcleo dos componentes da banda Cand hum B (Guilherme Patriota e Rodrigo Nunes) e a Videar Produções, dos videastas Gustavo Guimarães e Taciano Valério. Ambas têm desenvolvidos trabalhos institucionais, documentários, além de trabalharem juntas em algumas produções, como do vídeo do antropólogo João Pedro Saneto, com quem produziram o documentário, Deus nos Fez Irmãos, selecionado para competir no Festival Guarnicé, no Maranhão, em junho.

Curso de Arte e Mídia

Fundado há seis anos e com duas formandas e uma outra no próximo semestre, o curso de Arte e Mídia tem mais de 13 cadeiras, entre obrigatórias e optativas, entre as quais "Oficina Básica de Fotografia e Cinema", "Introdução ao Cinema", "Introdução à Direção", "Som e Imagem: Mixagem" e "Direção".

Para o coordenador de Graduação do curso, professor Fábio Bezerra, o curso de Arte e Mídia desempenha justamente o papel de fomentador da produção audiovisual local. "Quando lançamos desafios aos alunos no desenvolvimento de projetos, es-tamos criando consciência sobre as funções de um diretor em Arte e Mídia no mercado, abrindo espaços pouco explorados sobre temas regionais discriminados, oferecendo oportunidades a um grande nú-mero de pessoas da comunidade (atores, músicos, maquiadores, sonoplastas, figurinistas, cenógrafos etc.)".

A orientação pedagógica no que se refere aos temas da produção audiovisual, embora não seja restritiva, tem procurado centrar-se em temas de interesse local, em assuntos regionais.

De acordo com João Neto, que é de Ferramentas de Desenho e Animação, o curso conta com três laboratórios: LEA - Laboratório de Edição de Áudio (finalizado), Levi - Laboratório de Edição de Vídeo e Imagem (funcionando, passando por um processo de finalização), LIAA - Laboratório de Informática Aplicada às Artes (passa por um período de transformação em Laia - Laboratório Aplicado a Ilustração e Animação). Há ainda um auditório para 120 pessoas, dotado de equipamento multimídia e mais algumas salas para o desenvolvimento de atividades de extensão: pintura, música, teatro, dança, escultura e outros.

Dentre as produções feitas no curso, destacam-se A Incrível História do Homem que Levou Fumo da Cumade Fulozinha (animação stopmotion - 13 minutos), de João de Souza Lima Neto, baseado num folheto de cordel, O Ex-Dourado (videodocumentário - 10 minutos) de Leonardo Saraiva, sobre o antigo cabaré da feira de Campina Grande, El Dourado, Vida Urbana Nordestina (vídeo - 12 minutos), de Ely Marques Ferreira, quase um clipe-arte com as cenas do dia-a-dia, das cidades de João Pessoa e Campina Grande. Além de Caldeamento do professor Renato Alves, filmado em película, que está em fase de finalização.

Os produtos desenvolvidos (mais de 100 obras) se configuram em: videodocumentários, websites, CD-rom, CD de áudio, instalações, produtos multimídia, eventos multimídia, animações 2D e 3D (inclusive stopmotion) entre outros.


[ POR TRÁS DA CÂMERA ]

O professor de Cinema e Telejornalismo do curso de Comunicação Social da Universidade Estadual da Paraíba, Rômulo Azevedo, faz questão de relembrar que a tradição cinematográfica da cidade é antiga. Ele lembra que o cineasta Machado Bitten-court, primeiro professor da cadeira em que atualmente leciona, chegou a fazer dois longas-metragens, filmados em película, como resultado de suas aulas, contando apenas com os estudantes do curso. Maria Coragem (1977) e O Caso Carlota (1981), o primeiro filme colorido do cinema paraibano.

Nos últimos cinco anos, já foram feitos aproximadamente 12 vídeos, entre documentários sobre assuntos do cotidiano da cidade, eventos e adaptações de contos de autores brasileiros. "Ressalte-se que fazemos isto tudo utilizando apenas uma câmera de Super VHS e uma ilha de edição, de modo que a produção dos vídeos deve-se muito mais ao esforço dos alunos do que pelas condições", lamentou Rômulo.

Criador do Encontro de Cinema, do Encontro da Nova Consciência e curador da sua respectiva mostra, Rômulo Azevedo acredita que alguns espaços na cidade podem ser reativados com o objetivo de apresentar ao público da cidade a produção dos vídeos e filmes. "A sala do Cine BR, na AABB, que está abandonada, o miniteatro Paulo Pontes, onde já fizemos algumas exibições muito boas, o próprio Museu de Artes Assis Chateaubriand, que tinha um espaço de exi-bição semanal e acabou, podiam ser utilizados", relata Rômulo. "Mais importante do que o Cão Sedento, por exemplo, ser premiado no Recife ou na França, é ele ser exibido em Bayeux. Temos de mostrar aos paraibanos que aqui se faz cinema", afirma.

INDEPENDENTES

Na opinião do escritor e videasta Taciano Valério, um dos responsáveis pela Videar, sua experiência com a produção audiovisual, não pode ser dissociada, de uma prática coletiva e socializada. "Ressalto que a experiência com o documentário é uma experiência verdadeiramente espantosa em todos os sentidos, tanto eu como Gustavo Guimarães vivenciamos um período de imensas descobertas nesse campo, pois conseguimos reunir montagem do vídeo Lembranças Febianas diversos ensinamentos oriundos das disciplinas das ciências humanas", conta.

Ressaltando o espírito de parceria, Valério conclui: "É por esse caminho que, tanto eu como Gustavo e Guilherme Patriota queremos traçar, ou seja, vicejar o conteúdo dos fenômenos que queremos descortinar, fazer pesquisas e levar com a linguagem cinematográfica para as telas, seja de televisões ou outros canais, imagens que sejam por elas mesmas objeto de conteúdo educativo, no mínimo".

A Théia Produções surgiu em 1999, além do trabalho na área de audiovisual, também realizou espetáculos, shows, como Coisas do Interiô. Integram a produtora os artistas Rodrigo Nunes, Eduardo Lopes e Guilherme Patriota. A "Théia" tem atuado de modo decisivo na criação da Cooperai-PB (cooperativa de artistas independentes na Paraíba), que funcionará em Campina Grande.

O grupo já produziu, dentre outros trabalhos: Sim, e o Título ?!, "Tá Preso, ô num Tá, Tudo Que É Sólido Desmancha no Ar", Manifesto Balaio de Gatos Vol. 01, Baião interrompido, Voz do Outro documentários audiovisuais (28 curtas), O Desenvolvimento e a Implantação do Artesanato de Sisal (parceria com o Paqtc-PB), Processando o Sisal em Cuiuiú (parceria com o Paqtc-PB). Alguns são vídeos experimentais. O grupo utilizou várias mídias, como webcam, Super VHS, digital

"A gente vem trabalhando muito nas questões de experimentar novos recursos, tentando estabelecer um novo conceito em produção de audiovisual, criando condições para um mercado que não existe e para isso, estamos investindo em parcerias diferentes", avalia Patriota.

Segundo Patriota, são os próprios autores locais que não tem muita disposição em divulgar o material produzido. "Os produtores ficam nessa cegueira de que o povo só gosta de filme feito em Hollywood. O que não é verdade. No lançamento de Lembranças Febianas havia mais de 600 pessoas no teatro. Elas gostam de se ver na tela e de ver seus vizinhos. Nós sempre temos sido bem recebido aonde vamos", revela.
O videasta informa que está fazendo parcerias com a UFCG a fim de fazer exibições itinerantes nos bairros e no circuito das escolas.

[texto publicado no Jornal da Paraíba no dia 29 de maio de 2005]


Segunda-feira, Maio 30, 2005
[ AINDA SOBRE O SEMINÁRIO ]

Sexta, 27, foi o último dia do seminário. Claro que o final acabou em festa com direito a discotecagem descontrol dessa blogueira que vos escreve. Matei saudades dos tempos de "las coquetes plutônicas". Antes fizemos o lançamento de "Alma", de André Moraes. No total foram 4 sessões do curta. Casa lotada, chuva lá fora. Incrível! Abaixo renovo o álbum fotográfico do Birilo. Au revoir!


Chove lá fora e aqui....


Nos tempos de Las Coquetes Plutônicas


Renato Alves, eu, Vladimir, Liuba e Lúcio Vilar


Ruy, eu e participante da oficina comendo rubacão


Foto embassada da turma de Ruy


E por fim o painel todo, Lanusse!


Sexta-feira, Maio 27, 2005
[ SEMINÁRIO EM FOTOS ]

A correria tá grande, mas não poderia deixar de colocar umas fotinhas aqui no Birilo. Muita gente apareceu por lá ontem à noite para prestigiar Vladimir Carvalho nosso homenageado. Abaixo umas fotinhas para vocês terem uma dimensão do que foi ontem.

É isso aí, salve, salve Vladimir Carvalho. Salve, salve o cinema paraibano!



vladimir na tela


Vladimir recebendo homenagem surpresa do vigário de Itabaiana, terra natal do cineasta.



Vladimir e João de Lima. Cenário pintado por Shiko


Ruy Gardnier na oficina de crítica cinematográfica


Tarcina Portela, representante do Ministério da Cultura. Ao fundo, Zonda Bez


Vladmir e Liuba de Medeiros, atriz e mediadora.


[ "ALMA" ENCERRA "50 ANOS DE CINEFILIA E CRÍTICA DE CINEMA NA PARAÍBA"]


zezita matos

Após três dias de discussões sobre a memória da crítica e do cinema paraibano, e o caminho para o futuro do nosso audiovisual, a programação do evento se encerra nesta sexta 27 com o lançamento do curta-metragem paraibano "Alma", escrito, produzido e dirigido por André Moraes. A sessão acontece no Teatro Lima Penante [Avenida João Machado 67 - Centro], às 21h, com entrada franca.

"Durante três anos 'Alma' foi pra mim uma obsessão", conta André Moraes, 20 anos. "Eu não sabia o porquê, mas sabia que queria contar uma história e daquela maneira", diz enigmático. Como ponto de origem está uma menina, "uma criança sozinha e de uma enorme sensibilidade". Em uma casa isolada, Alma vive com sua avó, moldando panelas de barro para vender na cidade próxima. A relação entre as mãos e o barro, explica o realizador, está envolta em lirismo, uma aproximação do que ele acredita ser cinema.

Os sonhos que a menina vive, a avó desconhece e envolvem o espectador. É uma exaustiva tentativa de escrever poesia; como o talento das palavras eu não tenho, busquei as cores em movimento. E sintetiza: "Alma" pra mim é uma pequena poesia em celulóide".
No processo criativo, a presença "primordial" da música do compositor francês Maurice Ravel, que acabou na trilha do filme. No elenco estão a menina Luana Emília e a conhecida atriz Zezita Matos.

"Alma" recebeu dois prêmios no recente festival do audiovisual pernambucano: Melhor Fotografia para João Carlos Beltrão, e o troféu ABD-PE, da Associação de Documentaristas daquele estado. A produção já está selecionado para o Guarnicê de Cinema e Vídeo, que acontece em junho em São Luis do Maranhão.

"O filme está pronto, deixou de ser meu, virou de quem vê", garante Moraes, confessando um temor, contudo: "que esses dez minutos sejam tão efêmeros pra eles [os espectadores] que não percebam um pedaço da minha vida derramado em imagem".
Após a exibição, o público está convidado para ouvir a discotecagem "descontrol" dos cineastas Bruno de Sales, Carlos Dowling, e do instrumentista e DJ da banda The Silvias, Thiago Verde.

A oficina de Crítica Cinematográfica do crítico e professor carioca Ruy Gardnier também se encerra nesta sexta-feira às 18h.



Quarta-feira, Maio 25, 2005
[ VLADIMIR CARVALHO E ASSOCIAÇÃO DE CRÍTICOS SÃO HOMENAGEADOS NA ASSEMBLÉIA ]



Esta quarta-feira é especial para o cinema paraibano. Incorporada à programação dos "50 anos de cinefilia e crítica de cinema na Paraíba", a Assembléia Legislativa do Estado [Praça João Pessoa - Centro] homenageia, às 16h, o cineasta paraibano Vladimir Carvalho pelos seus 70 anos de vida e mais de 30 anos de dedicação ao documentário brasileiro: foram mais de 20 filmes, muitos deles peças-chaves do gênero documental no país.

A outra homenagem será feita aos 50 anos de criação da Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba (ACCP), que reuniu jovens em torno da discussão crítica do cinema e de sua produção nos anos 60, e que hoje são figuras indispensáveis na memória do cinema brasileiro, como Linduarte Noronha, João Ramiro Melo, Manfredo Caldas e o próprio Vladimir Carvalho.
A menção honrosa na casa legislativa está sendo promovida pela deputada Iraê Lucena.

Programação segue

Logo às 18h, acontece na Associação Paraibana de Imprensa [API - Rua Visconde de Pelotas, 149 - Centro] a Sessão Comemorativa de criação da ACCP, o mesmo lugar que a viu nascer em 1955, que retorna à ativa com antigos e novos sócios. Uma edição da revista "Filmagem", produzida pelos críticos em 1966, também será relançada, preenchendo mais um lacuna na ainda pouco estudada história do nosso cinema.

Às 20h, desta vez no Teatro Lima Penante [Avenida João Machado 67 - Centro], serão exibidos os curtas-metragens paraibanos "O Cão Sedento", de Bruno de Sales, e "O Reino de Deus", de Vânia Perazzo. Em comum, os filmes trazem a bitola16mm em que foram rodados e têm João Pessoa sob um olhar "mundo cão".

Sales traz na sua ficção, em cuja base está um quadrinho do artista gráfico Shiko, a peculiar história de um assassino serial que anda amedrontando a cidade e ninguém consegue capturar. Finalizado este ano, o filme já foi premiado nos recentes festivais CinePe Audiovisual e Curta Natal e promete aparecer em outros festivais do Brasil.

Já o "O Reino de Deus" foi finalizado por Vânia Perazzo e o búlgaro Ivan Lhebarov em 1991, e mostra um culto na Igreja Universal do Reino de Deus, à época com cerca de 800 templos pelo Brasil, questionando a estreita relação entre fé e dinheiro. O filme participou de vários festivais no Brasil e na Europa. Este ano, a dupla lançou "Por 30 Dinheiros", longa-metragem paraibano que há muito não se via, que será exibido próximo mês no Cine Ceará.

O dia culmina com o seminário "Internet: o que a nova mídia pode fazer pela crítica e pela produção cinematográfica", tendo como convidados Astier Basílio, jornalista de A União e do Jornal da Paraíba, e Ruy Gardnier, editor da revista eletrônica de cinema Contracampo (www.contracampo.com.br), além de professor de "Crítica e Cinema" e "Linguagem Cinematográfica" na Escola Darcy Ribeiro (RJ). A mediadora da conversa será Nadja Carvalho, professora do Departamento de Comunicação Social e Turismo da UFPB.

Começa oficina

A partir de hoje, Ruy Gardnier ministra oficina de Crítica Cinematográfica para os interessados em aprender mais sobre a análise e a produção de textos sobre cinema. Ele propõe investigar questões de interpretação e julgamento de obras, a partir de alguns filmes vistos durante os encontros, sugerindo discussão de temas, estratégias e estilos de crítica.

A oficina acontece até a próxima sexta-feira no Teatro Lima Penante das 15h às 18h. As inscrições podem ser feitas no local, caso ainda haja vagas.

"50 anos de cinefilia e crítica de cinema na Paraíba" é uma parceria entre a seção paraibana da Associação Brasileira de Documentaristas [ABD-PB] e a Fundação Cultural de João Pessoa - Funjope, contando ainda com apoios institucionais [Ministério da Cultura, FUNESC, UFPB e Aliança Francesa] e da iniciativa privada da capital [restaurantes Appetito e Jardim de Lótus, hotéis Caiçara e Imperial, TV Cabo Branco].


Segunda-feira, Maio 23, 2005
SEMINÁRIO REÚNE QUEM GOSTA E QUEM FAZ CINEMA PARA CELEBRAR O AUDIOVISUAL PARAIBANO
Por Zonda Bez



Começa nesta terça-feira 24 o seminário "50 anos de cinefilia e crítica de cinema na Paraíba", que durante quatro dias colocará lado a lado novos e antigos críticos, realizadores do cinema paraibano, além de um público - apaixonado - pela imagem em movimento, aproximando passado e presente com olhos postos no futuro do audiovisual produzido por aqui. O evento tem lugar no Teatro Lima Penante [Av. João Machado 67- centro] até sexta 27. Na programação constam homenagens aos 70 anos do cineasta paraibano Vladimir Carvalho, que desde 1962 já dirigiu pelo menos 21 documentários, e aos 50 anos de criação da Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba (ACCP), que voltará à ativa.

Na programação constam ainda exibições de filmes curtas-metragens paraibanos, lançamento de livro sobre documentário da editora Cosac et Naiff e o lançamento curta-metragem "Alma", de André Moraes - que recebeu em abril dois prêmios no festival de audiovisual pernambucano e ainda não foi exibido na capital. O jovem crítico carioca Ruy Gardnier, também professor de cinema no Rio de Janeiro, estará ministrando uma "Oficina de Crítica Cinematográfica" para quem quiser aprender mais sobre a análise e a produção de textos sobre cinema.

O projeto nasce em uma parceria entre a seção paraibana da Associação Brasileira de Documentaristas [ABD-PB] e a Fundação Cultural de João Pessoa - Funjope, contando ainda com apoios institucionais [Ministério da Cultura, Funesc, UFPB e Aliança Francesa] e da iniciativa privada da capital [restaurantes Appetito e Jardim de Lótus, hotéis Caiçara e Imperial, TV Cabo Branco]. A programação completa está disponível na internet nas páginas www.joaopessoa.pb.gov.br e www.birilo.blogger.com.br.

Cinefilia na capital
Cinco décadas se passaram desde que um grupo irrequieto de jovens se juntou em torno do cinema em João Pessoa. Unidos por força da "paixão e do conhecimento", davam os primeiros passos para a produção efetiva no cinema paraibano a partir dos anos 60.
Nesse caminho foram gerados filmes como "Aruanda", de Linduarte Noronha, e "Romeiros da Guia", de Vladimir Carvalho e João Ramiro Melo.

Como conta o jornalista Romero Azevedo, "nos anos 50, o cinema assume um lugar de destaque na vida cultural da cidade: além das onze salas existentes no Centro e principais bairros, os cineclubes congregam os jovens intelectuais que vêem na chamada sétima arte mais que um entretenimento furtivo". Em 1955, surge a Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba (ACCP), funcionando através da crítica de filmes em cartaz na cidade, publicadas nos jornais locais. A "influência do cinema na vida cultural da cidade" e na dos jovens críticos mostrava-se inquestionável, e a Associação chegou inclusive a produzir a revista "Filmagem".

O tempo passou, as salas do Centro já não existem e a "arte" da crítica cinematográfica tornou-se matéria de poucos. Hoje, contudo, o cenário muda com o aparecimento de outros jovens cujo fazer jornalístico e intelectual envolvem a prática crítica. Além disso, a Internet tornou-se espaço democrático para quem vê na análise e interpretação dos filmes elemento indispensável para bem se compreender um filme.

Programa do dia
Nesta terça 24, o seminário começa às 19h no Teatro Lima Penante com a exibição dos curtas "Transubstancial", de Torquato Joel, e "Aruanda", de Linduarte Noronha. Em seguida acontece o lançamento do livro "O cinema do real" - coletânea de artigos e conversas sobre a produção documental mundial editado pela Cosac et Naiff este ano.

Às 20h, o tema de conversa será "o papel dos críticos de cinema na formação do público paraibano", tendo como convidados João Batista de Brito, crítico do jornal A União; Renato Felix, que exerce a mesma função no Jornal da Paraíba; e Wills Leal - um dos fundadores da ACCP e figura de proa na retomada da Associação em 2005.


Quinta-feira, Maio 19, 2005


[ ANIVERSÁRIO DO TINTIN POR TINTIN CINÉ-CLUB ]



Minha gente,

Como o tempo passa rápido, né não? Amanhã, por exemplo, vamos comemorar o primeiro ano de existência do Tintin por Tintin Ciné-club. É claro que a celebração mais festiva acontecerá dentro da programação do seminário de cinefilia e crítica de cinema que estaremos promovendo a partir da semana que vem.

Por enquanto, resta relembrar um pouquinho do nosso Ciné-club. Escrito assim mesmo em francês para garantir a chinfra completa? Que nada, o nome surgiu para fazer uma ligação com a Aliança Francesa, onde funcionava o Tintin e o saudoso Le Petit Café.

A primeira projeção foi com a exibição de dois filmes em 16mm: Le Samourai [O Samurai], de Jean-Pierre Melville e Les Maries de L´an II [As aventuras de um casal no ano II].

Então é isso, curtam um pouquinho as lembranças do Tintin. Dentro em breve estaremos de volta com uma programação novinha em folha.


Domingo, Maio 15, 2005
[ 'O CÃO SEDENTO' PREMIADO NO MADA ]


bruno de sales e sua inseparável carranquinha

Meus amigos,

Na última sexta-feira, 13, o nosso curtinha ´O cão sedento' foi premiado no Festival de cinema Curta Natal, dentro da programação do Mada.

A premiação ficou assim: 1º lugar, com prêmio de R$ 2 mil e um telefone celular Motorola-TIM, o curta "O Artista Contra o Caba do Mal" (CE), do diretor Halder Gomes; 2º lugar "O Cão Sedento" (PB), do diretor Bruno de Sales, que levou R$ 800 e mais um telefone celular. E o 3º lugar, "Concerto nº 1 para Celular e Orquestra" (BA), do diretor Fausto Júnior, com prêmio de R$ 500 e um aparelho de telefone celular.

A categoria Melhor Curta-Metragem por Júri Popular ficou para o curta "Olhos de Ver" (RN), de Henrique Fontes, com prêmio de R$ 400 e mais um aparelho celular. Na categoria Melhor Vídeo Clipe por Júri Popular quem levou foi "Black Point", da banda DuSouto e direção de Gustavo Lamartine, com prêmio de R$ 300 mais um telefone celular.

O júri da Mostra Nordeste foi formado por Augusto Luís (cineasta, diretor de filmes publicitários) Carlos Tourinho (fotógrafo e cineasta) Cristóvão Pereira (jornalista, coordenador dos curso de Comunicação da UNP) Josenilton Tavares (presidente da Associação Brasileira de Documentaristas - seção RN) Rodrigo Hammer (jornalista e crítico de cinema).

Em cinco dias de Festival, passaram pelo telão da Casa da Ribeira 55 produções entre filmes experimentais, animações, documentários e filmes de ficção. Seis deles dirigidos por norte-rio-grandenses e mais cinco vídeo-clipes potiguares.


Sexta-feira, Maio 13, 2005
[ 50 anos de cinefilia e crítica de cinema na Paraíba ]

Celebrando os 50 anos de fundação da Associação dos Críticos Cinematográficos da Paraíba (ACCP) e os 70 anos do cineasta paraibano Vladimir Carvalho, a ABD-PB e a Funjope realizam entre 24 e 28 de maio corrente o seminário "50 anos de cinefilia e crítica de cinema na Paraíba", com o objetivo de juntar cinéfilos, críticos e pensadores de cinema paraibano de todas as épocas para conversas em torno do cinema, novas tecnologias e a produção da crítica especializada e não-especializada na Paraíba.

Além das conversas, acontecem ainda exibição de filmes, homenagens, lançamentos.
E uma Oficina de Crítica Cinematográfica com o crítico carioca Ruy Gardnier.
Imperdível! A programação completa mais ficha de inscrição seminário [gratuito] e ficha inscrição oficina [R$ 20 > inteira; R$ 10 > estudante /abdista] aqui no www.birilo.blogger.com.br


Qualquer outra informação podem entrar em contato através do E-1/2: abd_pb@yahoo.com.br
Ou pelos fones: 9372-1491 / 9315-6143 / 9317-4812 / 9109-1968



Programação


Dia 24 [terça-feira] Abertura

19h - Exibição de curtas paraibanos
> Transubstancial, de Torquato Joel [ 2003, 18min.]
> Aruanda, de Linduarte Noronha [ 1960, 20min.]

Lançamento
> Livro "O cinema do real" de Maria Dora Mourão e Amir Labaki (orgs.)
Editora Cosac&Naify

20h - Seminário
> 50 anos depois - O papel dos críticos de cinema na formação do público paraibano
Convidados_
João Batista de Brito, Renato Félix, Wills Leal e Ana Bárbara Ramos [mediadora]


Dia 25 [quarta-feira]

15h - Oficina de Crítica Cinematográfica
19h - Exibição de curtas paraibanos
> O Cão Sedento, de Bruno de Sales [2005, 10min.]
> O Reino de Deus, de Vânia Perazzo [1991, 26min.]
20h - Seminário
> Internet: o que a nova mídia pode fazer pela crítica e pela produção cinematográfica
Convidados_
Astier Basílio, Ruy Gardnier [Contracampo/RJ] e Nadja Carvalho [mediadora]


Dia 26 [quinta-feira] Homenagem a Vladimir Carvalho

15h - Oficina de Crítica Cinematográfica
19h - Exibição de média-metragem
> Vladimir Carvalho: Conterrâneo Velho de Guerra, de Dácia Ibiapina [2004, 55min.]
20h - Seminário
> De onde vem e pra onde vai a crítica e o audiovisual na Paraíba
Convidados_
Vladimir Carvalho, João de Lima, Zonda Bez, Liuba de Medeiros [mediadora]




Segunda-feira, Maio 09, 2005
[ CÃO SEDENTO ]

Amanhã e depois, 10 e 11/05 respectivamente, exibição do Cão Sedento, de Bruno de Sales no Sesc. Para quem não viu uma grande chance de assistir ao nosso curtinha.



Quarta-feira, Maio 04, 2005
[ CIDADANIA EM RESPEITO À DIVERSIDADE ]



Minha gente,

por onde passa PAOLA, vídeo documentário de Eduardo Chaves, conquista o respeito das pessoas. Desta vez, o mais novo reconhecimento é o prêmio"CIDADANIA EM RESPEITO À DIVERSIDADE" da Associação do Orgulho de Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transgêneros de São Paulo - Orgulho GLBT. O galardão será entregue para Ana Isaura, a representante do vídeo dentro da programação do 9º Mês do Orgulho GLBT de São Paulo. De quebra, Isaurinha ainda participará da parada Gay.

O prêmio, criado há cinco anos, é destinado aos fatos mais significativos no cenário político, social e cultural para a comunidade homossexual brasileira. PAOLA leva o prêmio na categoria Cinema e será entregue no próximo 26 de maio. Vamos esperar para saber dos babados.


Terça-feira, Maio 03, 2005
[ DIÁRIOS DO MEIO DO MUNDO ]
Por Ferdinando Dantas



É sempre assim. A única coisa ruim do curta-metragem é que quando tudo começa a ficar perfeito entre a equipe, as filmagens chegam ao seu término. No entanto, esse clima de afinação no set de filmagem de "O meio do mundo" foi logo percebido no início, pois a sinergia entre os departamentos criou uma cumplicidade imediata e a plena noção de que todos estavam ali pela mesma causa: fazer um filme interessante.

Exceto o calor digno do Saara e o acesso relativamente difícil às locações, não houve sérios transtornos nas filmagens. Outra coisa importante a ser dita: ninguém deu piti. Tem coisa melhor do que trabalhar com gente que não dá chilique? Pelo contrário, a calma e a descontração no set tornou não apenas a convivência diária agradabilíssima, mas também serviu para consolidar o pensamento de que nem sempre fazer cinema significa trabalhar sob pressão.

No mais, resta esperar até o final desse semestre - data prevista para o lançamento do filme. Por enquanto, permanecem a curiosidade acerca do material produzido ao longo desses seis dias de filmagem e a ansiedade de ver e, sobretudo, mostrar tudo isso na tela grande.

Ficha técnica:
"O meio do mundo" Paraíba, Brasil, 2005.
COR, 35mm
Direção: Marcus Vilar
Produção executiva: Durval Leal
Fotografia: Roberto Iuri
Som: Osman Assis
Arte: Maria Botelho e Valdir Santos
Elenco: Eleonora Montenegro, Jacinto Moreno, Gabriel Salles e Conceição Camarotti

Sinopse:
Em uma localidade distante, onde o futuro e a modernidade quase não alcançam a vida das pessoas, pai decide que é chegada a hora de levar o filho para conhecer o mundo.

Curiosidades:
* Os diretores de arte Maria Botelho e Valdir Santos também foram responsáveis pelo figurino do filme.
* Durante as filmagens na casa da família, o desafio foi silenciar os quatro cachorros amarrados no quintal e agitados com todo aquele entra e sai de gente. E haja biscoito e tapinha na cabeça...
* Por outro lado, a tarefa na casa da mulher (Camarotti) era calar a boca de cerca de 30 crianças que vieram de localidades próximas para ver de perto o que se tratava aquele movimento todo de veículos e pessoas. Missão quase impossível.
* O ator Gabriel Salles sofreu um princípio de desidratação no início das filmagens em Bananeiras.
* O filtro solar utilizado pela equipe foi o Soft Sun. Precisa dizer mais?


Segunda-feira, Maio 02, 2005
[ CULTURA NO BECO ]
Por Zonda Bez



Nesta segunda-feira, dia 2 de maio, a confraria do
beco da faculdade [rua gabriel malagrida, ali do lado
da assembléia] prepara mais uma ação de 'cultura no
beco'.
A partir das 17h [se não chove, rola um belo pôr do
sol], você poderá apreciar:

> exposição "jogos aleatórios' de sidney azevedo;

> exibição dos curtas paraibanos 'o cão sedento', de
bruno de sales, e 'god.o.tv', de carlos dowling, às
19h no auditório da faculdade ali do lado;

> homenagem a lúcio lins, através da leitura de
poesias, por Aglaé Fernandes, Antônio Mariano e
Wanderly Farias;

> leitura de textos de dom quixote, a obra completa
400 anos em 2005, por Ana Marinho, Fábio Vieira e
Adriano Cabral.

apareça por lá!
cultura pra ver o centro da cidade reviver!!
mais info no site http://www.soniavandijck.com/

agradecimentos aos parceiros> comunidade do beco da
faculdade; sesc joão pessoa; centro de ciências
jurídicas e centro acadêmico do ccj/ufpb,
subsecretaria de cultura da paraíba, abd-pb e maria
ednailde cirilo [edna may].