Sexta-feira, Abril 29, 2005
[ DOCTV PB ENTRA EM FASE DE FINALIZAÇÃO ]
Falcão Negro, um dos personagens criados por Péricles Leal
O documentário "Pericles Leal, o criador esquecido" entra em fase de edição nessa semana após terem sido rodadas seqüências em João Pessoa, Bayeux, Alagoa Grande, Alagoa Nova, Itaipava, Rio de Janeiro e São Paulo. Foram quase dois meses de captação no suporte de vídeo digital.
"Pericles Leal" é o primeiro projeto contemplado no Estado dentro do DOCTV - Programa de Fomento à Produção e Teledifusão do Documentário Brasileiro. O projeto foi implementado ano passado pela TV Cultura em parceria com a TV UFPB e ABD-PB. A direção é assinada pela dupla dinâmica do documentário paraibano: João de Lima e Manuel Clemente. João Carlos Beltrão atua como assistente. A produção é do CEDOP.
O documentário aborda as várias facetas do escritor Pericles Leal, paraibano de Alagoa Nova, um dos fundadores do suplemento cultural Correio das Artes e pioneiro da comunicação de massa no país, tendo produzido em jornais, revistas, livros, rádios e principalmente televisão.
Tem a produção ainda da PB-Tur e da Secretaria de comunicação do Governo do Estado, contando nessa última fase com a participação da produtora DÍmagem, com trabalhos técnicos de Demóstenes e Francisco Sátiro.
postado por Bárbara às 9:39 AM
Comentários:
Quarta-feira, Abril 27, 2005
[ COCOROCÓ ]
João Batista de Brito*
Eram umas dez horas da noite quando a campainha tocou. Abri a porta do Colégio e tomei um susto: foi entrando aquela figura estranha, com cara de palhaço, mas, se palhaço, um sofrido e em agonia. Sem dizer nada, subiu as escadas às pressas e o segui, na escuridão, com minha lanterna, até o corredor do segundo andar.
Foi aí que reconheci: era o Professor Emmanuel Rath, e reconheci-o porque entrou justamente na sala de aula onde lecionava anos atrás, com tanta dignidade, literatura de língua inglesa. Dirigiu-se à cátedra e aí fez uma coisa estranha: debruçou-se sobre ela, abraçou-a com uma força sobre-humana, seus dedos prendendo as bordas do bureau, como se nunca mais quisesse se despregar. Quando tentei arrancá-lo dali, vi que havia falecido.
Nunca soube ao certo a estória completa, a lamentável estória do Professor Rath. Sou apenas o bedel do Colégio Ludwig e não me é permitido acompanhar a vida privada do nosso corpo docente.
Lembro somente que por muito tempo o Professor Rath havia sido um dos nossos mestres mais conceituados, de imagem ilibada e capacidade incontestável. De modo que, quando foi sumariamente demitido pela direção do Colégio, me surpreendi.
Depois é que vieram os rumores: o respeitável Professor Rath havia se envolvido - quem poderia dizer? - com a dançarina de um cabaré ambulante que passara pela cidade, uma tal de Lola-Lola, que cantava para os homens com as pernas de fora.
Dizem que se apaixonou pela mulher, casou-se e entrou na tal companhia de teatro ambulante, que percorria o país com seus espetáculos vulgares. O que contam é que botaram o professor para fazer o papel de um pobre palhaço, de cujo nariz o prestidigitador arrancava ovos de galinha, e aí o professor, para delírio das platéias, emitia o cocorocó de um galo. Dizem que a sua Lola-lola dormia com quem pagasse mais, e o professor não podia fazer nada, a não ser cocorocó.
Sempre ouvia essas estórias dos alunos do colégio, mas nunca acreditei, até que a tal companhia de teatro ambulante resolveu visitar, de novo, a nossa cidade, investindo - a propaganda confirmava - justamente na imagem do ex-professor de literatura, que agora vivia de arrancar ovos do nariz e fazer cocorocó no palco.
O que exatamente aconteceu ao Professor Rath quando a companhia de teatro chegou a nossa cidade, eu não sei, não, mas sei dizer que foram necessários quatro homens para despregar os seus dedos agarrados às bordas da cátedra e, quando conseguiram, as mãos e os braços ficaram com aquela forma e assim foram enterrados.
Sei não, viu, mas desconfio que essa triste estória esconde uma moral...
* O mini-conto "Cocorocó", cuja referência está no filme "Anjo Azul" (Josef Von Sternberg, 1924) consta do livro "Um beijo é só um beijo", de autoria do crítico e professor João Batista de Brito (Manufatura, 2002).
postado por Bárbara às 2:12 PM
Comentários:
[ PENSAMENTO DO DIA ]
o cinema é a porta anterior do sonho
[ g.l.a.u.b.e.r r.o.c.h.a]
postado por Bárbara às 9:16 AM
Comentários:
Terça-feira, Abril 26, 2005
Leitores do birilo,
É em tanta coisa que estou metida que termino esquecendo de comentar uma coisa ou outra que está acontecendo por essas bandas da parahyba. Eis que eu deixei simplesmente de falar sobre o 'Bestiário', projeto para um filme de ficção em longa-metragem de baixo orçamento que Carlos Dowling está desenvolvendo.
Abaixo segue um textinho sobre o projeto para deixá-los um pouquinho atualizados. É isso, aí. Segue o baile.
[ PROJETO 'BESTIÁRIO' LEVA CONHECIMENTO AUDIOVISUAL PARA ÁREAS CARENTES DA CAPITAL ]
Carlinhos e seus alunos
O projeto 'Bestiário' encontra-se em fase de preparação e pré-produção de um filme de ficção em longa-metragem de baixo orçamento.
Essa fase de preparação está sendo financiada através da lei estadual Augusto dos Anjos - FIC, contando com a finalização e tratamentos do roteiro do longa-metragem e a realização de seis oficinas básicas de formação junto a alunos crianças e jovens de comunidades em situação de vulnerabilidade social.
A primeira fase das oficinas foi finalizada no fim de março, onde foram realizadas em duas oficinas paralelas de Introdução à Encenação e Interpretação Audiovisual, realizadas em parceria com os projetos Beira da Linha, localizada no Alto do Mateus, e Teatro Escola Piollin, localizado no Baixo Roger. As oficinas nessa fase foram ministradas por Carlos Dowling, idealizador do projeto.
A segunda fase das oficinas se realizará no mês de abril, tendo sido selecionados 16 alunos atores na primeira oficina para assistirem à oficina de Introdução à Dramaturgia e Roteirização Audiovisual, ministrada por Tiago Penna, produtor do projeto, e Carlos Dowling.
Em seguida realizar-se-ão duas oficinas de Linguagem e Técnica Audiovisual, durante os meses de maio e junho, sendo ministradas por Zonda Bez, Tiago Penna e Carlos Dowling. Em paralelo com essas oficinas acontecem as oficinas de Introdução à Musicalização e Trilha Sonora, ministradas por Esmeraldo Marques e Cyran Costa.
A última oficina a ser realizada é a de Introdução à Edição Não Linear e Animação, e ocorrerá no mês de julho, sendo ministrada por Ely Marques e Daniel Monguilhott.
O projeto 'Bestiário' conta, além do financiemnto parcial da Lei Augusto dos Anjos, com uma parceria entre a Associação de Documentaristas - Seção Paraíba (ABD/PB), a Universidade Federal da Paraíba e seu Núcleo de Teatro Universitário (UFPB/NTU) e o Ministério da Cultura (MINC). Tal parceria se dá através do Programa Cultura Viva, com a implementação de um dos Pontos de Cultura do estado no Teatro Lima Penante, firmando-se como base de produção e infra-estrutura do projeto do filme em longa-metragem de baixo orçemento, que se encontra em processo de captação de financiamentos, com previsão de ser rodado no final do segundo semestre desse ano.
postado por Bárbara às 1:52 PM
Comentários:
Segunda-feira, Abril 25, 2005
[ MOSTRA DE FILMES AFRICANOS NA FUNDAJ ]
Enquanto espera pelo término da reforma do Cinema da Fundação, a coordenação de setor, vinculada ao Instituto de Cultura, oferece uma programação alternativa aos cinéfilos da cidade do Recife. A mais recente começou hoje, 25, com a mostra de filmes africanos.
Serão exibidos filmes senegaleses, sul africanos, mauritanos e congoleses, entre outros. Trata-se de um recorte da produção cinematográfica africana dos últimos cinco anos. A maior parte dos filmes será apresentada pela primeira vez na cidade. Entre os destaques estão a produção mauritana, À Espera da Sorte, que levou o prêmio da crítica internacional em Cannes no ano de 2002 e Abouna, representante oficial da República do Chade, país localizado na África saheliana, no Oscar de 2003.
A mostra esta sendo organizada pelo Consulado Geral da França em parceria com a Aliança Francesa, a Fundação Joaquim Nabuco e a Fundarpe. Onze documentários e sete longas de ficção serão apresentados ao público na sala João Cardoso Ayres, na Fundaj do Derby.
postado por Bárbara às 8:59 PM
Comentários:
Sábado, Abril 23, 2005
[ 'O MEIO DO MUNDO' E GRANDE ELENCO ]
Por Lorena Travassos
O Meio do Mundo, filme que está sendo filmado em bananeiras com o apoio do FIC- Augusto dos Anjos, tem Marcélia Cartaxo da Direção de Elenco, preparando os atores de O Meio do Mundo.
Do elenco fazem parte o Jacinto Moreno, Eleonora Montenegro, Gabriel Salles, e Conceição Camarotti.
Por se tratar de um filme sem falas, a expressão é um fator muito importante, 'exige muito do ator porque você tem que botar tudo no rosto, é toda a energia que você tem que jogar, porque falar é muito fácil', segundo a atriz Conceição Camarotti.
A escolha do elenco foi feita através de testes, mas 'já tinha um nome, que era o de Conceição Camarotti', informa a diretora de elenco Marcélia Cartaxo.
Os outros três personagens ainda precisavam ser escolhidos, e a grande surpresa foi a escolha de Gabriel Salles, que, para Marcélia, 'tem sido bem interessante, porque o Gabriel é bem criativo e tranqüilo'
O casal Eleonora Montenegro e Jacinto Moreno já são experientes como atores. A Eleonora já trabalha como atriz e inclusive no teatro na Paraíba. Jacinto Moreno já fez várias participações em curtas, dentre elas, em 'Transubstancial' do conterrâneo Torquato Joel.
postado por Bárbara às 12:03 PM
Comentários:
Sexta-feira, Abril 22, 2005
[ MENINO DE ENGENHO 2 ]
Depois de uma noite de celebração pela premiação d´O Cão Sedento' no Cine-PE, na última terça, 19, acordei com uma ressaca danada e com a sensação de que bom mesmo era ficar em casa. Mas, depois pensei melhor e me convenci de que não teria outra oportunidade de assistir 'Menino de Engenho', de Walter Lima Jr no cinema. Porém, para minha surpresa a exibição foi com uma cópia em DVD. Imagine DVD!
Nada contra, mas a projeção naquela sala ficou longe de entrar para a história como eu havia dito num poste anterior. Além da tela do Mag Shopping ter virado um trapézio, milhares de interferências disputaram minha atenção, exemplo: flash de câmeras de todos os lados, iluminação para a equipe de filmagem gravar, um ruído muito parecido com balanço de rede, entre outras cositas.
A exibição do Mag não foi totalmente perdida, porque conseguiu reunir parte do elenco local 40 anos anos depois. Mas ainda quero deixar o meu recadinho: gostaria mesmo de ter visto está cópia restaurada de uma maneira mais tranquila.
Segundo os restauradores, a matriz original do filme estava tão deteriorada que os restauradores foram obrigados a trabalhar como em um desenho animado, cuidando quadro por quadro. O filme é um clássico que Walter Lima Jr. que adaptou do romance de José Lins do Rêgo, na primeira hora do Cinema Novo.
A primeira exibição do filme depois de restaurada foi no Rio, no Cine Odeon em 2003, dentro da programação do Festival do Rio. Quem tiver interesse em ler mais sobre o processo de restauração do filme, com entrevistas de Walter Lima Jr, Mirna Brandão e até com Walter Carvalho que participou do processo de recuperação siga este link: http://publique.festivaldorio.com.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?
postado por Bárbara às 8:11 AM
Comentários:
Quarta-feira, Abril 20, 2005
[ O MEIO DO MUNDO e a produção do cinema paraibano ]
marcelia, eleonora e jacinto , ensaio do filme
2005 promete ser o ano da produção cinematográfica paraibana. Está programada a realização de três curtas. ' Fleuma', de Torquato Joel, 'Cabaceiras', de minha autoria e 'O Meio de Mundo', de Marcus Vilar. Neste momento é sobre este último diretor que me interessa falar agora. É que na próxima quinta, 21, 'O Meio de Mundo' começa a ser filmado na charmosa Bananeiras, brejo paraibano.
Um ritual de passagem de um adolescente, onde o Pai leva o filho pra descobrir o mundo. Filmado em 35mm e com 12 minutos de duração, a história é uma livre-adaptação do conto homônimo do sergipano Antônio Carlos Viana. 'O Meio de Mundo' é um curta-metragem aprovado pelo Governo do Estado, através do Fundo de Incentivo à Cultura (FIC), Lei Augusto dos Anjos.
Marcus Vilar dirigiu entre outras coisas, os premiados 'A Árvore da Miséria', 1997, 'A Canga', 2000. O elenco é formado por Conceição Camarotti [mesma de 'Amarelo Manga'], Eleonora Montenegro, ['Por 30 Dinheiros'], Jacinto Moreno [trabalhou em 'Transubstancial'] e Gabriel Salles ['Espelho D'Água - Uma Viagem no Rio São Francisco'].
O curta-metragem tem a produção de Durval Leal Filho (Para'iwa) e apoio da UFPB/PRAC/COEX.
Equipe:
franz ferdinando
Diretor fotografia: Roberto Iuri
1º Ass. : Alex Meira
2º ass: João Carlos Beltrão
Técnico de som: Osman Assis
Microfonista: Francisco de Sales
Figurino e Direção de arte: Maria Botelho e Valdir Santos
Produção executiva: Durval Leal
Diretor de produção: Heleno Bernardo
Still: Gustavo Moura
Preparação de elenco: Marcelia Cartaxo
Continuista: Cristiane Fragoso
Ass. direção: Ferdinando Dantas
Maquiador: Williams Muniz
postado por Bárbara às 9:17 PM
Comentários:
[ Cine PE-Festival do Audiovisual 2005 ]
RESULTADO DA PREMIAÇÃO
Vídeos Digitais Pernambucanos
Melhor Vídeo Digital: Mais um Domingo/Daniel Barros
Melhor Diretor: Cinema Sozinho/Maurício Targino
Melhor Roteiro: Doces Apegos/Eduardo Duarte
Melhor Montagem: Homine/Daniel Bandeira
* Melhor Vídeo Digital/Júri Popular: A Música Armorial, de Ana Paula Santos
* Prêmio Especial do Júri: Tropeiros, do diretor Artur Santos
* Prêmio ABD/Melhor Vídeo Digital: Doces Apegos/Eduardo Duarte
Curtas-Metragens/16mm
Melhor Filme: Quando Jorge vai à Guerra (PR)/Tadao Miaqui
Melhor Direção: O Cão Sedento (PB)/Bruno de Salles
Melhor Roteiro: Quando Jorge vai à Guerra (PR)/Tadao Miaqui
Melhor Fotografia: Alma (PB)/João Carlos Beltrão
Melhor Montagem: O Cão Sedento (PB)/Daniel Monguilhott
* Melhor Curta 16 mm/Júri Popular: O Homem da Mata (PE), de Antônio Carrilho
* Prêmio ABD/Melhor Curta 16mm: Alma (PB)/André Moraes
Curtas-Metragens/35mm
Melhor Curta-Metragem: Fuloresta do Samba (PE)/Marcelo Pinheiro
Melhor Filme/Documentário: Visita Íntima (PR)/Joana Nin
Melhor Filme/Animação: O Vento (MG)/Sávio Leite
Melhor Filme/Ficção: Entre Paredes (PE)/Eric Laurence
Melhor Direção: Fuloresta do Samba (PE)/Marcelo Pinheiro
Melhor Atriz: A Hora do Galo (RJ)/Aracy Cardoso
Melhor Ator: Entre Paredes (PE)/Servilio de Holanda
Melhor Roteiro: Cinco Naipes (RS)/Fabiano de Souza
Melhor Direção de Arte: Cinco Naipes (RS)/Adriana Borba
Melhor Trilha Sonora: O Último Raio de Sol (DF)/André Moraes e Andréas Kisser
Melhor Edição de Som: Vinil Verde (PE)/Kleber Mendonça Filho
Melhor Montagem: Fuloresta do Samba (PE)/Júlio Souto
Melhor Fotografia: Entre Paredes (PE)/Juarez Pavelack
* Prêmio Especial da Crítica: Vinil Verde (PE)/Kleber Mendonça Filho
* Prêmio Especial do Júri: Da Janela do Meu Quarto (MG)/Cão Guimarães
* Melhor Curta 35mm/Júri Popular: O Mundo é uma Cabeça (PE)/Cláudio Barroso e Bidu Queiroz
* Prêmios Aquisição Canal Brasil: O Mundo é uma Cabeça (PE)/Cláudio Barroso e Bidu Queiroz, e Visita Íntima (PR), de Joana Nin
* Prêmio ABD/Melhor Curta 35mm:Vinil Verde (PE)/Kleber Mendonça Filho e Cada um com seus Problemas (CE)/Sandra Kraucher & Eduardo Ramos
*** Prêmio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). No valor de R$ 5 mil
Melhor Curta-Metragem: Fuloresta do Samba (PE)/Marcelo Pinheiro,
*** Pacote de Serviços da Quanta. No valor de R$ 3 mil
Melhor Curta-Metragem: Fuloresta do Samba (PE)/Marcelo Pinheiro,
*** Prêmio Aquisição do Canal Brasil . No valor de R$ 5 mil para cada curta
Mellhores curta-metragens: O Mundo é uma Cabeça (PE), de Cláudio Barroso e Bidu Queiroz, e Visita Íntima (PR), de Joana Nin
*** Prêmio Josué de Castro: A Velha e o Mar (CE)/Petrus Cariri
Longas-Metragens
Melhor Filme: Do Luto à Luta (SP)/Evaldo Mocarzel
Melhor Filme/Documentário: Do Luto à Luta (SP)/Evaldo Mocarzel
Melhor Filme/Ficção: Bens Confiscados (SP)/Carlos Reinchebat
Melhor Direção: Do Luto à Luta (SP)/Evaldo Mocarzel
Melhor Roteiro: Soy Cuba: o Mamute Siberiano (RJ)/Vicente Ferraz/Luciano Castilho
Melhor Ator: No Meio da Rua (RJ)/Guilherme Vieira/Cleslay Delfino
Melhor Atriz: O Cerro do Jarau (RS)/Lu Adams
Melhor Ator Coadjuvante:O Cerro do Jarau (RS)/Miguel Ramos
Melhor Atriz Coadjuvante: No Meio da Rua (RJ)/Maria Mariana Momenrat
Melhor Fotografia: Do Luto à Luta (SP)/Carlos Ebert
Melhor Direção de Arte: O Cerro do Jarau (RS)/Eduardo Antunes
Melhor Montagem: Do Luto à Luta (SP)/Marcelo Moraes
Melhor Som: Aboio (MG)/Bruno do Cavaco/O Grivo
Melhor Trilha Sonora: Aboio (MG)/Cordel do Fogo Encantado/Nanás Vasconcelos/Grivo
*** Prêmio do Banco do Nordeste do Brasil (BNB). No valor de R$ 10 mil
*** Melhor Longa-Metragem: Do Luto à Luta (SP)/Evaldo Mocarzel.
*** Prêmio da Quanta, em serviços, no valor de R$ 6 mil
*** Prêmio Especial do Júri Popular: Do Luto à Luta (SP)/Evaldo Mocarze.
*** Troféu Gilberto Freire: No Meio da Rua (RJ)/Antônio Carlos da Fontouro
*** Prêmio da Crítica/Imprensa Especializada
Melhor Longa-Metragem: Do Luto à Luta (SP)/Evaldo Mocarzel
postado por Bárbara às 8:37 AM
Comentários:
Terça-feira, Abril 19, 2005
[ CULTURAPREV NA PARAIBA ]
A platéia não estava tão cheia assim de artistas como eu esperava que estivesse. Mas, mesmo assim, a noite foi muito proveitosa. Através de Morgana Eneile, assessora especial da previdência da Funarte, ficamos sabendo um pouco mais sobre o Culturaprev, Fundo de Pensão para Trabalhadores da Cultura.
O Fundo foi formulado a partir de um grupo de trabalho que envolveu várias entidades em seminários realizados no Rio de Janeiro e Brasília, reunidos durante nove semanas de discussões sobre a viabilidade de um fundo voltado para uma classe que ainda busca reconhecimento em várias áreas, o Culturaprev é um Plano de Benefícios dentro de uma entidade fechada sem fins lucrativos.
Os artistas interessados em aderir ao fundo, administrado pela Petros [fundo de pensão da Petrobrás], devem estar associado a alguma entidade que seja um Instituidor do fundo, já que se trata de Previdência Associativa. Poderão aderir entidades como sindicatos, associações, conselhos entre outros, que tiverem mais de três anos de fundação e contarem com um quadro mínimo de 50 membros.
Logo, logo a ABD-PB estará participando deste programa. Quando isso acontecer divulgarei aqui no Birilo.
Maiores informações:
> www.previdencia.gov.br (link Secretaria de Previdência Complementar)
> www.petros.com.br
postado por Bárbara às 5:06 PM
Comentários:
[ "MATOU" O CINEMA E FOI PARA CASA...]
Por Lúcio Vilar
Inacreditável que alguém que tenha sido partícipe de um dos momentos mais podres da história recente da República no Brasil - cristalizada no malfadado (des) governo Collor -, ainda pose de "intelectual independente" ou coisa que o valha, enxovalhando pessoas e entidades, atirando pedras em todas as direções.
Pior, ainda encontra eco para digressões típicas de quem, hoje, é execrado por 10 em cada grupo de 10 cineastas, produtores e realizadores da Sétima Arte no Brasil. Falo do cineasta paraibano e ex-ministro da Cultura, Ipojuca Pontes.
Ele concedeu entrevista ao programa Correio Debate (98 FM), oportunidade em que tentei ligar e não consegui, daí ter me restado a opção de transformar em texto o que pretendia dizer pelas ondas do rádio ao conterrâneo em trânsito na Capital.
Suas palavras exalam toda carga de rancor e angústia quando proferidas, como se a ele lhe tivesse sido dado o papel de palmatória do mundo. Os mesmos sentimentos que subiram à cabeça do presidente Collor, "magoado" com a maioria dos artistas brasileiros que apoiou o nome de Lula em 89.
Entre a intenção " retaliar os artistas" e o gesto, foi um pulo. Logo o então ministro da Cultura, Ipojuca Pontes, apressou-se em redigir a minuta de extinção da Embrafilme, instalando a partir daí um período de trevas e crise sem precedentes no cinema brasileiro.
Ora, ninguém nunca discordou que houvesse discrepâncias e problemas estruturais no gerenciamento da estatal. Ocorre que, entre a doença e a cura, ele fez a opção pelo remédio mais forte que levou o paciente a óbito...
"Ipojuca Pontes acabou com a Embrafilme, alegando irregularidades. No final da auditoria, cinco projetos apenas foram julgados irregulares " dois ligados a ele próprio. Então, entendi porque ele via irregularidades na Embrafilme, ele tirava conclusões pela sua própria experiência."
A afirmação é do Consultor do Sebrae, Fernando Portella, no livro "Cultura Brasileira ao Vivo - Cultura e Dicotomia", p. 96 (Ed. Imago).
Tenho grande respeito pela obra documental de Ipojuca Pontes. Ainda hoje me emociono com as imagens de "Os homens do caranguejo", cuja narração é de Paulo Pontes. A questão é: sua passagem pelo MinC foi desastrosa, o que só nos faz lembrar do filme do Júlio Bressane, sendo que nesse caso a manchete policial aponta que o homem matou o cinema e foi para casa...
Caça às bruxas?
Se procedem ou não as acusações de que a origem da demissão do jornalista Elinaldo Rodrigues (Jornal da Paraíba), estaria na mesa da sub-secretaria de Cultura do Estado, é de bom tom que o governo esclareça o caso. Do contrário, temos que admitir: a sub-secretaria transformou-se no novo (e famigerado) DIP, de péssima memória e lastro autoritário.
postado por Bárbara às 2:39 PM
Comentários:
Segunda-feira, Abril 18, 2005
[ MENINO DE ENGENHO, CÓPIA RESTAURADA ]
Quarta, 20 de abril, o cine Mag abre suas portas [pra variar um pouquinho às 9:00 da matina] para o lançamento histórico da cópia restaurada do ' Menino de Engenho', de Walter Lima Jr. O filme foi rodado na Paraíba em 1965. Antes do longa, será exibido o documentário 'O menino e a bagaceira', de Lúcio Vilar.
A entrada é franca. Quem está promovendo o encontro é Departamento de Comunicação (DECOM), em parceira com o Nepau - Núcleo de Estudos e Pesquisas do Audiovisual e ao CCHLA.
postado por Bárbara às 10:08 AM
Comentários:
Domingo, Abril 17, 2005
[ APRESENTAÇÃO DO 'CULTURAPREV' CHEGA A JOÃO PESSOA AMANHÃ ]
Os artistas brasileiros contam, desde o final do ano passado, com o Culturaprev, Fundo de Pensão para Trabalhadores da Cultura. A Fundação Nacional de Arte (Funarte) e o Ministério da Cultura (MinC), à frente do projeto, estão divulgando o plano e buscando novas adesões de entidades em todo o Brasil. Na perspectiva de divulgar o fundo no Estado, a ABD-PB (Associação Brasileira de Documentaristas, seção Paraíba) convidou Morgana Eneile, assessora especial da previdência da Funarte, para apresentar nesta segunda-feira, dia 18 de abril, os principais pontos do Culturaprev em João Pessoa.
O encontro acontecerá a partir das 19h30 no Teatro Lima Penante (Av. João Machado, 67, Centro). O evento conta com o apoio da Coordenadoria de Extensão (Coex) e o Núcleo de Teatro Universitário (NTU) da UFPB. "Na ocasião, inclusive, poderemos estar tratando da adesão das entidades que estiverem presentes", explica Morgana Eneile.
Formulado a partir de um grupo de trabalho que envolveu várias entidades em seminários realizados no Rio de Janeiro e Brasília, reunidos durante nove semanas de discussões sobre a viabilidade de um fundo voltado para uma classe que ainda busca reconhecimento em várias áreas, o Culturaprev é um Plano de Benefícios dentro de uma entidade fechada sem fins lucrativos.
Para aderir ao fundo, administrado pela Petros, fundo de pensão da Petrobrás, o participante deve estar associado a alguma entidade que seja um Instituidor do fundo, já que se trata de Previdência Associativa. Poderão aderir entidades como sindicatos, associações, conselhos entre outros, que tiverem mais de três anos de fundação e contarem com um quadro mínimo de 50 membros.
Até o momento, as instituições que aderiram ao Culturaprev foram os Sated (Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos de Diversões) dos estados do Ceará, Sergipe e Pernambuco, além da Cooperativa Paulista de Teatro, o Sindicato dos Músicos do Rio de Janeiro e a Associação Sergipana de Intérpretes e Autores Musicais (Assaim).
vá lá:
teatro lima penante
av. joão machado, 67, centro, jp
a partir das 19h30.
postado por Bárbara às 9:44 PM
Comentários:
Sábado, Abril 16, 2005
[ CACHORRO MOLHADO, Ao som de rita lee - build up]
por Ana e Bruno
Se tem alguma coisa melhor do que ver filme e dançar é dançar e ver filme, na mesma noite no mesmo lugar. assim se sucedeu sábado passado, 9, na festa de lançamento do 'cão sedento'.
'o cão' conseguiu reunir pessoas distantes e distintas. Caio, 4 [ filho de Lúcio César, eletricista-chefe do filme] e Saul, 95 anos [devidamente emanguaçado da branquinha brejeira]. Sim, entre as duas gerações estava lá Buda Lira, nosso Walmor Chagas de cajazeiras. Cicinho Felix, único prêmio esso de jornalismo da cidade, amigo de longas e homéricas noitadas no boteco de dominguinhos, na esquina da faculdade de comunicação de campina grande, [comendo moela no palitinho Gina, sempre] se pudesse voava de tanta felicidade.
Novas e velhas luzineides, encontro memorável com direito a foto histórica. O núcleo psicotrônico e descontrol estava em polvorosa com o primeiro rebento em película. Que fique clara uma coisa: o filme é coletivo.
Galera, fazer um filme realmente é juntar os pedaços. Pedaço de dinheiro, de milhas aéreas, de ponta de negativo, de projetos, de novos e velhos amigos. Taí, o cão é realmente um filme de amigos. Dois anos se passaram desde o primeiro ensaio na garagem sem-nexo do kairos 787 até a exibição que vocês viram na futura sede da abd-pb, com direito a três sessões do filme e uma do making ovo, digo of.
Os faltosos: Lanusse, Marilia, Adi, Otto, Igor cabra bom, Estevão, Lílian, Lili, Odrusba, Davi, Jesuíno meu bom, Lanusa, Bonga, Tor4, Dyogenes, Genaro, Durval, e outros tantos. Sentimos a vossa falta.
Zackarias Nepomuceno e os seletores cabeça de ovo e zonda bez, um capitulo à parte. Cinema puxa música, música puxa cinema. É o filme entrando por todos os buracos da nossa cabeça. Em breve vai rolar um compacto em vinil de 7" com a trilha sonora do filme. a primeira do gênero no Brasil. A monstro discos já se interessou pelo projeto. Somos todos os homens-projeto, como diria xico sá.
O cão deve entrar em cartaz no sesc-centro por uma semana. De longe o melhor lugar da cidade para se exibir um 16mm. Depois roda em campina grande, também no sesc e em patos, a terra do astista prástico shiko, provavelmente na cabeça do porco, um bairro, digamos, psicotrônico. Por falar nisso, quem quiser saber mais sobre o que vem a ser um filme psicotrônico, clique em http://www.contracampo.com.br/67/entrevistaremier.htm e http://cinemabrasileiroavergonhadeumanacao.blogspot.com/ e tudo mais será explicado.
O Fic - fundo de cultura Augusto dos Anjos com o patrocínio cultural
Espelho, Espelho Meu de Camila e Carol, vestiram a atriz no lançamento em recife, no cine-pe.
A FUNJOPE deu aquela força pro som.
NTU, a base, nos abriu as portas.
Buda Lira e seus contatos imediatos de 3º grau.
Diógenes Chaves, o ninja da gravura paraibana imprimiu o convite que vocês receberam.
Shiko com o banner da porta.
João Carlos Beltrão e Chiquinho foram os responsáveis pelas projeções em 16mm e vídeo.
Cabeça de Ovo e Zonda Bez com a discotecagem descontrol.
Carlos Dowling emprestou a vitrolinha.
Nildo nos alugou a bateria.
Eduardo documentou a história.
Adriano 'bisteca' e seus fotogramas.
Zackarias Nepomuceno é mutante, mas nesse dia era: eddie, manu, nildo, esmeraldo e túlio flavio.
Ana Rogéria fez a assessoria de imprensa
Cris e Ana na produça geral.
Gilvan, o rei do churrasquete, segurou a onda do bar.
Aliança Francesa emprestou projetor eike japonês 16mm na maior simpatia.
Coex, celebrando o convênio com a ABD-PB, nos liberou o data show.
postado por Bárbara às 9:40 PM
Comentários:
Sexta-feira, Abril 15, 2005
[ O CINEMA PARAIBANO: ONTEM E HOJE ]
por Pedro Osmar
Mais um filme paraibano acabou de ser finalizado
neste início de 2005, para alegria da comunidade artística da Paraíba.
O filme tem sua estréia aguardada no circuito do cinema brasileiro até
o início do segundo semestre, quando então deverá percorrer o circuito
dos festivais e de salas exibidoras de todo o país. Trata-se de "POR
30 DINHEIROS", filme de longa metragem dirigido por Vania Perazzo
Barbosa e Ivan Hlebarov. Vania é a cineasta paraibana que tem, entre
outras produções anteriores, produção de curtas e documentários sobre
a realidade nordestina, além de uma bonita carreira como professora
universitária da área de cinema na UFPB. Ivan Hlebarov, com larga
experiência em cinema e teatro no seu país de origem, a Bulgária,
participa do filme como assistente de direção.
A produção Paraibana de cinema tem na estética dos
cineclubes dos anos 60 um tipo de resposta que a nova geração conhece
bem pouco, mas que existe, é forte e influente e entre outros títulos
de curtas e documentários de reconhecida marca registrada, existe um
filme fundamental, o ARUANDA, de Linduarte Noronha, um dos ícones do
cinema documentário do Brasil (sobre a Comunidade Remanescente de
Quilombos de Santa Luzia, no alto sertão paraibano) e que chegaria a
ser indicado por Glauber Rocha como um dos pilares do cinema novo.
ARUANDA seria seguido por "Romeiros da Guia" de Vladimir Carvalho e
"Homens do Caranguejo" de Ipojuca Pontes e João Ramiro, três grandes
mestres da arte de fazer cinema e que iriam influenciar as novas
gerações na feitura e no manusear das técnicas e da criação de um
projeto de cinema brasileiro em nosso estado.
Apesar do meu pouco conhecimento da história do cinema
paraibano, me sinto à vontade para escrever sobre o assunto, depois de
ter aprendido muita coisa vendo documentários como "CINEMA
PARAIBANO: Vinte Anos", de Manfredo Caldas, outro grande cineasta
paraibano, em um importante registro da ação cinematográfica no estado
e que nos anos 80, faria parte de um circuito de bairros pela
popularização do cinema levado pelo NUDOC-UFPB, dentro das
programações do Projeto Fala Bairros. Era o cinema indo aos bairros e
tentando se comunicar com populações que nem sempre tinham acesso ao
cinema como arte comercial, arte de elite, hoje vigorando com força
total nos shoppings da vida e criando uma distância cada vez maior
entre o povo e a indústria (o valor do ingresso é muito alto, custa
muito caro!). A nossa infância em João Pessoa foi toda marcada pela
existência de vários cinemas de bairros que existiam sob a
responsabilidade da igreja, e isso, de alguma maneira, nos levou a
rever um pouco do que fomos e somos através do cinema naquele momento.
(e porque não alguém realizar, na atualidade, um documentário com o
título: "O Tempo dos Cinemas de Bairros!" ?). Fica a sugestão.
A partir dos anos 70 o cinema paraibano e o cinema
"feito" na Paraíba dariam frutos a longa metragens como "Fogo, o
Salário da Morte", direção de Linduarte Noronha tendo José Bezerra
Filho na Produção e Waldemar Solha no roteiro e Produção (Solha
trabalharia também como ator), "Soledade", de Paulo Thiago, e "Menino
de Engenho" direção de Walter Lima Junior (produção de Glauber
Rocha), com a participação de importantes atores paraibanos como Sávio
Rolim ( hoje vivendo em condições miseráveis nas ruas da cidade de
joão pessoa).
A linha evolutiva do cinema paraibano tem no
NUDOC-UFPB um marco de sua história, revelando novos cineastas tendo
como base os princípios do "Cinema Direto", então muito em voga nos
círculos de cinema documentário da Europa (principalmente na França,
para onde muitos paraibanos foram mandados, para estudar e fazer
cursos daquele tipo de cinema, quando à época o maestro Pedro Santos
dirigia o NUDOC-UFPB). Estudiosa de cinema e depois professora da
matéria, além de coordenadora do NUDOC, Vania Perazzo, se destacaria,
dentro da geração que partiu para estudar e aprender a fazer
cinema-direto na França, como uma cineasta crítica e bastante
preocupada com as condições de vida do povo do nordeste brasileiro,
lugar onde nasceu, (cidade de Areia-Paraíba) tentando entender e
refletir sua vida, sua política e sua religiosidade, seu jeito de
levar as coisas como "Deus quer e Consente" e enfim, de tentar fazer
uma leitura mais apurada de um Brasil que se sustenta em pé por conta
de sua astúcia e de seu bom humor (felizmente a miséria fabricada
pelas elites não consegue sufocar esse lado cidadão do país).
Primeiro longa metragem de Vania Perazzo, "POR 30
DINHEIROS", foi todo filmado na Paraíba, para fazer uma reflexão
engraçada e grotesca sobre o misticismo regional do nordeste, em
oposição ao caráter bandido de suas personagens, através da leitura
tragicômica de passagens da bíblia a partir do DRAMA DA PAIXÃO DE
CRISTO encenado num circo mambembe que circula pelas cidades do
interior do nordeste. Uma trama bem simples para uma busca popular de
entendimento das relações de poder feudais, e até medievais, entre
patrão, empregado, marido, mulher, filhos e o destino marcado pela
vida sem sorte desses artistas saltibancos que andam de caminhão em
caminhão, de cidade em cidade, para falar de suas alegrias e
tristezas, crenças e descrenças num futuro certo que às vezes vem pelo
trabalho e que insistem em ser temente a deus e ao diabo (o filme
lembra um pouco a Caravana Rolidei do filme "Bye, Bye Brasil" de Cacá
Diegues, ao trazer à tona a saga dos artistas mambembes diante dos
desafios de enfrentar a mídia televisiva e os abismos do Brasil pós
ditadura). A beleza do filme se dá justamente através da significativa
história que nos é mostrada na tela.
O filme tem também na força do trabalho dos atores e
técnicos, uma de suas principais qualidades. Reunindo um elenco de
profissionais de alto nível do cinema brasileiro, atores e atrizes do
Rio de Janeiro e, sobretudo, da Paraíba, e técnicos do Rio Grande do
Sul, "Por Trinta Dinheiros" se situa no espaço crítico e criativo que
vem de Ariano Suassuna e seus "causos" de personagens da malandragem
nordestina (aí está João Grilo de "O Auto da Compadecida" que não nos
deixa mentir) mas que também vem de "Aruanda" (anos 60), passa por
"Fogo, o Salário da Morte" (anos 70) e chega até a produção memorável
de curtas metragens da nova geração de cineastas paraibanos, onde se
destacam os filmes de Marcos Villar (A Árvore da Miséria, A Canga), de
Torquato Joel (Passadouro, Transubstancial), de Eliezer Filho (Eu sou
o servo, sobre o Padre Ibiapina), de Carlos Dowling (Funesto, A
Sintomática Narrativa de Constantino) e os de Durval Leal (série de
documentários sobre as Rendeiras e as condições de vida do sertão
paraibano), e por este motivo, "Por Trinta Dinheiros" pode ser
considerado hoje, sem sombra de dúvida, um filme-síntese de toda essa
produção.
"Por Trinta Dinheiros" traz a atriz global Claudia
Alencar, em seu primeiro papel como protagonista em cinema,
contracenando com Fernando Teixeira, em seu primeiro longa, formando
o casal pivô de toda a trama do filme (são os donos do circo), que
perseguem os malandros e santos, Oswaldo Mil e Ilya São Paulo (atores
baianos, radicados no Rio, que fazem o Jesus Cristo e seu fiel
escudeiro, quixotes de sua própria fé e malandragem). Ainda participam
do elenco, Ednaldo do Egypto, em sua última interpretação no cinema,
mais Fabíola Morais, Gal Cunha Lima, Itamira Barbosa, Anunciada
Fernandes, Alex Fialho, Gilma Farias, Eleonora Montenegro, Saintclair,
Humberto Lopes, Horieby Ribeiro, Marcos Brandão, Dadá Venceslau,
Cristovam Tadeu, e figurantes, oriundos de grupos de teatro históricos
da cidade de João Pessoa. O primeiro time de atores paraibanos, além
dos ensaios com os diretores, passaram pela mão experiente de Fátima
Toledo, conhecida preparadora de atores para cinema.
Da equipe técnica, participam: Roberto Henkin (câmera e
direção de fotografia), Juarez Dagoberto (som), Pedro Osmar (trilha
sonora), e o francês Eric Unglas, ator, autor e diretor de teatro em
sua breve passagem por João Pessoa (que foi o preparador de atores
anterior à Oficina de Fátima Toledo). Éric faleceu num trágico
acidente com o ônibus no qual viajava, a trabalho, na BR 101.
"Por 30 Dinheiros" é enfim, a cara da Paraíba em sua
procura por continuar na linha evolutiva do cinema brasileiro de
qualidade. É ver para crer.
postado por Bárbara às 12:13 PM
Comentários:
[ CÃO SEDENTO NO CINE-PE]
Na última quarta, 13, saimos numa van-derleia fretada especialmente para a exibição do 'cão sedento' no festival do recife. no total 14 pessoas. é a segunda exibição do filme, desta vez para um público gigantesco, cerca 3 mil pessoas!
a nossa projeção é que não foi lá grandes coisas, infelizmente. o som estava péssimo! é que eles padronizam o som para os filmes de 35mm, assim os filmes de 16mm sofrem com isso. porque todo 16 é mono. resultado: som ultra-abafado e inaldível!
no final fomos para o garagem bar encontrar os amigos e comemorar a exibição. desculpa aí o texto, é que estou com um pouco de preguiça de escrever. depois eu escrevo alguma coisa mais decente e falo sobre o lançamento aqui em joão pessoa.
ah, ia esquecendo: fomos selecionados para o XV Festival Cine Ceará.
postado por Bárbara às 11:57 AM
Comentários:
Sexta-feira, Abril 08, 2005
[O CÃO SEDENTO]
por Ana Rogéria
foto: leandro cunha
O Cão Sedento é a mais recente produção cinematográfica paraibana a ser lançada no próximo dia 9 de abril, a partir das 22h00, no teatro Lima Penante, à avenida João Machado, Centro de João Pessoa. O filme, produzido em 16 mm, marca a estréia de Bruno de Sales como diretor.
O curta-metragem, finalizado com o Fundo de Incentivo à Cultura Augusto dos Anjos (Fic), é baseado em uma História em Quadrinhos do fanzineiro, quadrinista e artista gráfico Shiko.
A história que, originalmente, envolvia uma trama com naves espaciais, foi transposta por De Sales para um universo mais urbano. É nesse mundinho under que vive Nina, uma mulher que se passa por prostituta para roubar carros e que utiliza uma maneira inusitada para o caminho da purificação.
Nas palavras do diretor, O Cão Sedento "é um filme, assumidamente, B. As primeiras filmagens começaram em abril de 2003, e a equipe não poupou nem alguns negativos vencidos". Em março deste ano, o filme conseguiu ser finalizado, no Rio de Janeiro, com recursos provenientes do Fic.
Outro pronto significativo enfatizado por De Sales é que a equipe realizadora de O Cão... foi 100% local. ¿Temos na cidade de João Pessoa técnicos suficientemente capazes de realizar um curta metragem em 16mm, o que pode seguramente baratear e, conseqüentemente, expandir a produção cinematográfica local de baixo orçamento", afirmou.
O filme é uma realização do Las Luzineides Núcleo de Produção Descontrol, e conta ainda com a co-produção do Nudoc-UFPB, ABD-PB, CTAv, Para'iwa e Star. Na equipe, estão nomes como Liuba de Medeiros, Buda Lira, Ricardo Emanuel e Saul (elenco) e João Carlos Beltrão, na direção de fotografia.
Sobre o diretor
Formado em Comunicação Social pela Universidade Federal, Brundo de Sales envereda há vários anos pela área do audiovisual. Com o Las Luzineides assina a direção e produção dos trabalhos As Meninas do Sobrado e O Sintomático Making Of de Constantino. Também trabalhou como assistente de câmera em alguns curtas como Nação Molambo[PE], de Sérgio Oliveira , Alma[PB], de André Moraes e Santa Helena[RJ], Petrônio Lorena.
Festa de Lançamento
Dando seqüência ao lançamento de O Cão Sendento, acontece uma festa nas dependência do Núcleo de Teatro Universitário, com discotecagem do DJ Cabeça de Ovo, a mais recente descoberta artístico-musical do cenário recifense e de Zonda Bez. Também haverá um show com a banda Zackarias Nepomuceno, responsável pela trilha sonora do filme.
|
|