Quarta-feira, Junho 30, 2004
[ CINÉFILOS ENCAMINHAM MANIFESTO EXIGINDO MAIOR DIVERSIDADE NA PROGRAMAÇÃO DAS SALAS DE EXIBIÇÃO NA PARAÍBA ]

por RENATO FÉLIX

Parece um contra-senso: poucas semanas depois de duplicar o número de salas de cinema em João Pessoa, ganha fôlego uma reclamação antiga dos cinéfilos de João Pessoa: uma mínima fuga do habitual cardápio hollywoodiano em cartaz. A seção Paraíba da Associação Brasileira de Documentaristas (ABD-PB) entregou na segunda-feira à noite aos gerentes locais das exibidoras Sercla (responsável pelas salas dos shoppings MAG e Tambiá, em João Pessoa, e Iguatemi, em Campina) e Box Cinemas (no Manaíra Shopping) um manifesto divulgado por e-mail e assinado por 93 pessoas, entre jornalistas, professores, fotógrafos, arquitetos, cineastas, estudantes, psicólogos e até dentistas.

O manifesto, que recebeu o título "Por um cinema da diversidade", pede espaço para filmes produzidos em outros países. "Não questionamos a necessidade de lucro das empresas exibidoras ou as pressões de mercado, por parte de produtoras e distribuidoras em especial, sobre essas empresas", diz o texto. "Acredi-tamos, contudo, que deva existir espaço para filmes de outras origens, onde possamos ver outros rostos, ouvir outras músicas, conhecer outras possibilidades de se fazer cinema, seja ele da Islândia, Cingapura ou Cabo Verde".

Paulo Santos, gerente da Sercla na Paraíba, conta que o documento foi enviado ontem para a sede da empresa em Belo Horizonte, junto a uma proposta para a exibição de filmes que não estejam no circuitão: uma sessão diária, de segunda a quinta. A resposta deve sair na sexta-feira, dia para o qual está marcada uma reunião entre Santos e os representantes da ABD. ¿Os dois gerentes mostraram interesse e admitiram que existe essa necessidade" avalia o fotógrafo e escritor Zonda Bez, integrante da ABD. "A idéia é que João Pessoa entre no 'circuito alternativo' que circula nas capitais do Nordeste".

O gerente da Sercla acredita que há um público para filmes como o alemão Adeus, Lenin (2003), a animação francesa As Bicicletas de Belleville (2003), o dinamarquês Dogville (2003), o argentino Histórias Mínimas (2002), o clássico de Billy Wilder Quanto Mais Quente Melhor (1959), com Marilyn Monroe - todos filmes em cartaz esta semana em outras capitais. "Cada vez mais as pessoas que gostam de um cinema menos comercial ficam relegadas ao DVD e isso cria um nicho de mercado", diz Paulo Santos.

Ao mesmo tempo, ele explica que os exibidores atualmente são de certa forma reféns das distribuidoras. Elas têm o filme e dão as cartas. "Se você não ceder, corre o risco de ter um desconforto em relação ao mercado", conta Santos. Os contratos de exibição não passam mais pelo aluguel das cópias, mas por uma divisão da bilheteria, cuja porcentagem varia de filme para filme. As distribuidoras podem determinar o número de semanas mínimo que um arrasa-quarteirão como A Paixão de Cristo (2004) ou Homem-Aranha 2 (2004) deve ficar em cartaz.

A quantidade de cópias produzidas para cada filme também são um empecilho para que certos filmes cheguem aqui. Os blockbusters fazem uma quantidade de cópias grande, mas os outros são reduzidos", conta Paulo Santos. Por isso, Homem-Aranha 2, com o maior número de cópias já colocados no mercado nacional, entra em cartaz na Paraíba no mesmo dia da estréia nacional; já Diários de Motocicleta (2004), que tem menos de 70 cópias circulando, demorou semanas para estrear por aqui. Nesse caso, pelo menos, antes tarde do que nunca. O que se sabe é que há um público esperando por esse espaço e, quem sabe, arriscando um pouco, os exibidores não se surpreendam com o tamanho desse público?


(Texto publicado no dia 30 de junho de 2004 no Jornal da Paraíba)




Terça-feira, Junho 29, 2004
[ ENTREGANDO O MANIFESTO ]

Ontem à noite, 28, foi entregue o manifesto "Por um Cinema da Diversidade" aos responsáveis pelos cinemas do Mag e Manaíra shoppings. Vejam as fotos abaixo. Fomos bem recebidos pelos dois gerentes. Na próxima sexta, 02, teremos uma reunião com Paulo Santos, do cine multiplex 5, na qual ele nos dará uma resposta definitiva. Agora é só esparar.








[ MANIFESTO ]

POR UM CINEMA DA DIVERSIDADE

Cinema pode ser "a maior diversão", mas para além do simples entretenimento, representa a forma com povos vêem o mundo; lugar de reflexão sobre o estado do homem e da natureza; terreno onde a imaginação ganha asas longas, capazes de atravessar as maiores distâncias - como Ícaro jamais sonhara - e travar contato com as mais diversas culturas, tornando-se assim elemento de destaque na divulgação de formas de se ver mundo, das aspirações da própria humanidade.

Num tempo em que cada vez mais as pequenas cinematografias ganham espaço preponderante em todos os continentes, o Brasil vive ainda sob uma 'ditadura' das produções norte-americanas, que ocupam centenas de salas em todo o país com filmes de elevada qualidade técnica, mas baixo conteúdo, a 'grosso modo'.

Não viemos falar mal dos filmes 'made in USA', porque sempre existirão exceções dignas de aplausos, porém nos posicionarmos sobre a atual falta de diversidade nas salas de exibição em João Pessoa. A falta de salas de cinema, um antigo problema na capital paraibana, mudou apenas de cara sem chegar a ser superado. Atualmente com 17 salas regulares de exibição comercial disponíveis na cidade, contamos com a média de cerca de 6 filmes em cartaz a cada semana - uma média de três salas ocupadas com o mesmo filme, na sua enorme maioria norte-americanos. Não questionamos a necessidade de lucro das empresas exibidoras ou as pressões de mercado, por parte de produtoras e distribuidoras em especial, sobre essas empresas. Acreditamos, contudo que deva existir espaço para filmes de outras origens, onde possamos ver outros rostos, ouvir outras músicas, conhecer outras possibilidades de se fazer cinema, seja ele da Islândia, Singapura ou Cabo Verde. Afinal, vivemos ou não em um mundo globalizado, cujas fronteiras já não significam 'impossibilidade' como outrora?

Estamos nos manifestando em favor do diálogo entre os grupos exibidores locais (João Pessoa e Campina Grande, num primeiro momento) e entidades interessadas em implantar um projeto pró-diversidade cinematográfica, de forma contínua e duradoura, como já acontece nas capitais vizinhas (Natal, Recife, Fortaleza, Maceió) onde semanalmente os cinéfilos têm a chance de assistir e discutir filmes fora do chamado 'circuito comercial', trazendo para si conhecimento, reflexão e, claro, cultura.

Assumir a diversidade de filmes não é prejudicial à saúde de nenhuma empresa exibidora. Pelo contrário, apenas atrairá mais público, pessoas interessadas e interessantes, capazes de valorizar e divulgar aquilo que apreciam sem moderação: o bom cinema de onde quer que ele venha, a arte da luz que se projeta para além da tela, janela para o mundo que não pára.

João Pessoa, PB, Junho de 2004.



Adesões ao manifesto Por um cinema da diversidade
(Para assinar, envie o nome e/ou instituição para abd_pb@yahoo.com.br)

Subscrevem:

- Carlos Dowling, cineasta.
- Zonda Bez, fotógrafo e escritor.
- Ana Bárbara Ramos, produtora e presidente da ABD-PB.
- Bruno de Sales, cineasta.
- Ana Virginia Moura Ramos, jornalista.
- Gustavo Gomes Agripino, dentista.
- Caroline Monteiro J. de Oliveira - produtora e estudante de jornalismo
- Andrea Ciacchi, professor e coordenador da COEX-UFPB
- Olga Costa - Paralelo Records
- Astier Basílio, poeta e jornalista.
- Rogéria Araújo, jornalista
- Leonardo Saraiva - Diretor de Arte e Midia e videomaker
- Luciana Calado, pesquisadora
- Katiuscia Furtado, jornalista
- Estêvão Martins Palitot - Antropólogo
- Beliza Áurea de Arruda Mello- professora Letras-UFPB
- Ely Marques, Diretor de Arte Mídia, vídeo maker
- Pablo Saturnino, estudante de Arte e Mídia
-João de Souza Lima Neto - Diretor de Arte e Mídia / professor de Arte e
Mídia - UFCG
- Bertrand Lira, professor da UFPB e realizador
- Ricardo Peixoto, jornalista e fótografo,
- Romualdo Luiz, jornalista
- Agência Ensaio
- Liuba de Medeiros, psicóloga e atriz
- Clémence Tible, estudante de arquitetura
- Luiz Mousinho Magalhães (professor universitário
- Marcelo Laffitte, Cineasta e presidente da ABD Nacional
- Lúcio Vilar, jornalista e professor da UFPB
- Fernando Abath Cananéa, Coordenador do Projeto de Extensão Cultural Arte e Cultura Catarina-UFPB/PRAC/COEX e Subsecretário de Cultura do município de Cabedelo/PB
- Mafaldo Junior, Arte educador e Editor de video/tape(UFPB)
- Fernando Van Woensel, arquiteto.
- Regina Nogueira, Professora da UEPB
- José Dílson, cinegrafista.
- Pablo Saturnino, estudante de Arte e Mídia
- Ferdinando Dantas, publicitário e assistente de direção
- Renato Felix, jornalista e crítico de cinema
- Andréa Carla Bezerra- Integrare Comunicação
- Maria das Vitórias de Lima Rocha
- Érica Rocha, estudante de Arte e Mídia
- Rossana Honorato, arquiteta e urbanista
- Catarina Porto, advogada
- Giuseppe Tosi, professor de Filosofia da UFPB
- Manfredo Caldas - Documentarista
- Ricardo Anísio, jornalista
- Igor Cabral Basto, editor e produtor
- Ana Isaura Nogueira, figurinista e jornalista
- Walter Aguiar, assessor da presidência da Caixa Econômica Federal
- Miriam Panet, Arquiteta
- Roberto Maxwell, cineasta
- Tiago Penna - Produtor, videasta e estudante de filosofia.
- Maria Sandra Rodrigues dos Santos - Professora
-Pollyanna Cristina de Barros Moreira, RG: 3111836 SSP/PB
- Jaime Alves do Prado Jr, estudante de Rádio e TV UFPB
- Edmundo Coelho Barbosa,A Nutritiva Comunicações
- Lemuel Guerra,professor da UFCG, coordenador do PPGS/UFCG e
regente do Coro Encanto, do Dart-UFCG.
- João Lobo - Fotógrafo artístico
- Kelvo de Almeida Santos - Mestrando em Literatura, Estudioso da filmografia de Glauber Rocha
- Guy Joseph - Plástico, Fotógrafo e Designer Gráfico. Membro do Clube da Gravura da Paraíba Artista
- Paulo Ancheita F. da Cunha, Estudante de Ciências Sociais e História UFPB.
- Barbara Lumy Noda Nogueira - RG 2166461 ssp pb
- Beto Quirino Ator, Mamulengueiro
- Hazael Melo Damião da Costa
- Rodrigo Renovato Pereira Cabral
- Iana Merisse Miranda Henriques
- Paulo Tarso Cabral de Medeiros - Professor de Ciências Sociais da UFPB
- Carla Mary S. Oliveira - Professora de História da UFPB
- Candice Chiara Eulálio Raposo Freire - Psicóloga
- Ana Adelaide Peixoto - profa. Depto Letras UFPb e Colaboradora da Revista Eletrônica www.wscom.com.br
- Maria Aurea Baroni Cecato - Professora do CCJ - UFPB
- Reginaldo Marinho
- Karen Matias, estudante de Arquitetura e Geografia
- Rebecca Luna Lucena - Estudante de Geografia - UFPB
- Christina Pacheco Santos Martin - Microbiologista -UFRN
- Everton Barbosa de Lima, estudante de Geografia
- Juliano Loureiro Celino Morais de Carvalho, estudante de arquitetura
- Antonio Morais de Carvalho, professor de literatura
- Maria Luiza Loureiro Celino Morais, professora de inglês
- Brenno Anderson Azevedo Rodrigues, comunicação social, Relações Publicas - UFPB
- Henrique França - jornalista, músico e crítico de cinema.
- Lourdinha Dantas, professora da ASPER e da FAP, jornalista.
- Jael Bandeira, ativista punk
- Flaubert Paiva, jornalista e professor de comunicação
- Ricardo Wilker, menbro do cineclube da Bahia
- Marilia Valengo, publicitária.
- Cristhine Lucena, dentista.
- Shiko, artista
- Estevão Trindade, estudante.
- Liliane Cunha, socióloga.
- Aécio Amaral Jr., professor da UFPB.
- Gabriela Dowling, socióloga
- Augusto Pinheiro, jornalista
- Sandra Raquew Dos Santos Azevêdo - Jornalista.
- Centro de Ação Cultural - Centrac
- Dorgivânia do Nascimento, estudante de Radialismo da UFPB.
- Marcus Vilar diretor de cinema e vídeo
- Henrique J. P. Sampaio, professor universitário.
- Sarah Luna estudante do curso de história, ex-figurante e ex-vocalista da Banda ovnis.
- Anchieta Mendes, escritor, pequeno cineasta, contista.
- Paloma Vasconcelos de Lima, estudante de Arquitetura
- Lúcia de Fátima Guerra Ferreira - Pró-Reitora de Extensão da UFPB
- Carmélio Reynaldo Ferreira - Jornalista e Professor da UFPB
- Flávio José, jornalista
- Ramayana Lira
- Laurita Caldas - professora e videasta
- biAh weRTher - DRT - 6584 - do Núcleo Cine 8 & do Flô - Festival do Livre Olhar
- Eduardo Rennó, cineasta
- Cida Alves, estudante de Comunicacao
- Gekbede Dantas da Silva
- lau siqueira, poeta
- Cristina Moura, jornalista
- Jessé Júnior, designer de interiores
- Juliana Arruda Magalhães ( designer de interiores )
- Jessé Júnior, designer de interiores
- Juliana Arruda Magalhães ( designer de interiores )
- Antonio Morais de Carvalho, professor de literatura
- Maria Luiza Loureiro Celino Morais, professora de inglês
- André Cabral Honor, estudante de história
- Cecília Japiassú Porto, estudante de comunicação-social/rádio e TV.
- Bia Cagliani, estudante de Ciências Sociais
- Mônica Ramalho de Albuquerque, estudante de Ciências Sociais
- Ribamildo Bezerra, Jornaslita
- Michelle oliveira, estudante de contabilidade
- Shirley Martins, montadora
- Thiana Bezerra