Terça-feira, Janeiro 27, 2004
[ PANORAMA DE FILMES E VÍDEOS PARAIBANOS ]



Logo mais ao meio-dia vai começar a MOSTRA DE CINEMA PARAIBANO, na sala de Multimeios da Biblioteca Central da Universidade Federal da Paraíba. São oito programas que reúne mais de 50 títulos do que foi produzido no Estado, entre documentários, vídeos e curta-metragens em 8, 16 e 35 mm. A cada dia, haverá duas sessões de exibição: uma das 12:00 às 14:00hs, e outra das 17:00 às 19:00hs, ambas com entrada franca.

Veja a programação abaixo:

27/01 [terça-feira]: O Ciclo dos Documentários
28/01 [quarta-feira]: O ciclo do Super-8
29/01 [quinta-feira]: A produção esparsa dos Anos 90
30/01 [sexta-feira]: A retomada em 35 mm (Parte I)
02/02 [segunda-feira]: Expressão em vídeo
03/02 [terça-feira]: A retomada em 35 mm (parte II)
04/02 [quarta-feira]: Uma novíssima geração (Parte I)
05/02 [quinta-feira]: Uma novíssima geração [Parte II]


A mostra é uma promoção da Coordenação de Extensão Cultural da UFPB [COEX] e da Agência Ensaio, em parceria com a Associação Brasileira de Documentarista [ABD/PB] e do Parai'wa.

Filmes de hoje: TERÇA, 27/JANEIRO

PROGRAMA 01 - O Ciclo de Documentários

Aruanda, de Linduarte Noronha
DOC, 24 min, P&B, 16mm, 1960
A luta diária pela sobrevivência na comunidade de negros de Serra do Talhado, sertão paraibano, após a libertação nos engenhos e fazendas do Nordeste.

Romeiros da Guia, de João Ramiro Melo e Vladimir Carvalho
DOC, 16 min, P&B, 35mm, 1962
A romaria de pescadores ao Santuário de Nossa Senhora da Guia, considerado um dos maiores expoentes do barroco tropical brasileiro.

Os Homens do Caranguejo, de Ipojuca Pontes
DOC, 20 min, P&B, 16mm, 1969
No Nordeste, a sobrevivência do homem dos mangues e marés está profundamente ligada ao ciclo do caranguejo.

A Pedra da Riqueza, de Vladimir Carvalho
DOC, 16 min, P&B, 35mm, 1975
A pedra da riqueza ou a peleja do sertanejo para desencatar a pedra que foi parar na lua com a nave dos astronautas.



Quarta-feira, Janeiro 21, 2004


[ ANIMA MUNDI ITINERANTE ]

Hoje começa a exibição da Mostra
ANIMA MUNDI ITINERANTE, versão compacta do festival que reúne os melhores filmes e vídeos que participaram do festival nos últimos anos 10 anos. A exibição vai ser na Praça Antenor Navarro [no palco 2], mas se continuar chuvendo da maneira que chuveu ontem e nos dias anteriores, vai ser muito complicado!

Entre alguns dos filmes participantes estão o vencedor do Oscar de Melhor Animação em 2000 - "The Old Man and the Sea" [O Velho e o Mar] - Canadá/Russia, "Father and Daugther" [Pai e Filha] - da Holanda, "Au Bout du Monde" [No Fim do Mundo] - da França, "T.R.A.N.S.I.T" - da Inglaterra, "Repete" - da República Tcheca e os brasileiros "Roda de Samba", "Chifre de Camaleão" e "O Espantalho".


Domingo, Janeiro 18, 2004
[ BLUE NOTES ]

Por Francisco César Filho

É TUDO VERDADE 2004: INSCRIÇÕES PRORROGADAS ATÉ 23/01

Encontram-se prorrogadas até 23 de janeiro as inscrições brasileiras para o É Tudo Verdade - 9º Festival Internacional de Documentários. Abertas a filmes e vídeos documentais de qualquer duração concluídos após junho de 2002, as inscrições, que podem ser feitas através do website
www.etudoverdade.com.br.

Principal evento latino-americano dedicado ao gênero documental, o Festival acontece em São Paulo e no Rio de Janeiro [de 25 de março e 4 de abril] e, pela primeira vez, em Brasília [de 6 e 11 de abril].

Em 2003, o longa-metragem "O Prisioneiro da Grade de Ferro [auto-retratos]", de Paulo Sacramento, foi o vencedor das competições brasileira e internacional do festival. A categoria curta-metragem brasileiro premiou "Dormentes", de Inês Cardoso.


MÍNIMA DIFERENÇA: 1º FESTIVAL DO MINUTO DE SÃO PAULO

Estão abertas até 30 de abril as inscrições para o 1º Festival do Minuto de São Paulo, a ser realizado em junho. O novo evento propõe uma ampla discussão e reflexão focada no "ser paulistano", provocando as pessoas a problematizar a identidade, ou identidades, dos habitantes da metrópole. Os realizadores podem enviar trabalhos realizados em qualquer tipo de equipamento que produza imagens em movimento: câmeras de vídeo, câmeras de foto digital (seqüências de fotos) ou até mesmo animações em formato Flash feitas no computador. Para efeito de inscrição, os trabalhos poderão ser entregues em fita de vídeo vhs ou mini-dv, ou ainda em cd [para aqueles realizados em formato Flash]. Os trabalhos poderão ter no mínimo um frame e no máximo 60 segundos. Três produções serão premiadas com R$ 1.000,00 cada.

Regulamentos e ficha de inscrição do 1º Festival do Minuto de São Paulo estão disponíveis no website
www1.uol.com.br/minuto/ .

Anunciando a abertura de inscrições, uma retrospectiva com destaques das edições anteriores do Festival Mundial do Minuto acontece de 20 a 25 de janeiro, sempre às 12h30 no Centro Cultural Banco do Brasil [Rua Álvares Penteado 112, Centro, São Paulo], com a seguinte programação:

20/01 [terça-feira] - Mostra Minuto Cidades
21/01 [quarta-feira] - Mostra Minuto Mãe
22/01 [quinta-feira] - Mostra Minuto Retrospectiva I
23/01 ([exta-feira] - Mostra Minuto Cidades
24/01 [sábado] - Mostra Minuto Retrospectiva II
25/01 [domingo] - Mostra Minuto Cidades


O que nos diferencia paulistas, dos cariocas, dos pernambucanos, dos alagoanos, moscovitas ou parisienses?
O que diferencia aquele que mora no ap 45 daquele mora no 46 ?
O que diferencia um homem de uma mulher ?
O que diferencia um corintiano de um palmeirense ?
Um judeu de um palestino ?

Mínima diferença - Este é o tema do 1º Festival do Minuto de São Paulo.
Você tem até 60 segundos para sintetizar o assunto
.

HOMENAGEM AO CURTA-METRAGEM BRASILEIRO


Considerado como a "Cannes" do filme curto, o 16º Festival Internacional de Curtas-Metragens de Clermont-Ferrand [que acontece de 30 de janeiro a 7 de fevereiro na França] presta homenagem à cinematografia brasileira recente no formato. Denominado Made in Brasil [assim mesmo, com "s" e tudo], um foco especial exibe em cinco programas mais de 30 títulos brasileiros dos últimos 15 anos, representantes de uma produção que o festival qualifica como "ponta-de-lança da América Latina". A programação está em fechamente e será anunciada em breve.

Além do foco Made in Brasil [realizado em parceria com o Festival Internacional de Curtas-Metragens de São Paulo], o curta nacional está presente naquela que é a mais importante mostra competitiva internacional no formato. Entre os mais de 80 filmes de 50 países que dela participam estão selecionados os brasileiros "Amor Só de Mãe", polêmico filme de terror dirigido pelo paulista Dennison Ramalho, e "Visionários", documentário experimental do paranaense Fernando Severo já premiado nos festivais de Gramado, Curitiba e Vitória, na Jornada da Bahia e no Catarina Festival de Documentários.

E o Brasil tem presença também na novíssima Lab Competition, dedicada a trabalhos experimentais, com "Demônios', perturbadora obra do paulista Christian Saghaard.

Maiores informações no website www.clermont-filmfest.com

PROGRAMA DE TV DEBATE O DIÁLOGO DO CINEMA COM A LITERATURA

O programa Leituras, da TV Senado, veiculado aos sábados [às 9h30 e 20h00], dedica uma série de quatro edições ao debate da relação do cinema com a literatura. A série iniciou no dia 17 de janeiro, quando foi entrevistado o jornalista Luiz Zanin Oricchio, autor do livro Cinema de Novo ¿ Um Balanço Crítico da Retomada . Na entrevista o crítico defendeu um estreitamento ainda maior do cinema com a literatura, até como forma de melhorar a produção de novos roteiros.

Em 24 de janeiro, a entrevista será com a pesquisadora Berê Bahia, autora do livro Luz, Câmara, Mesa, Ação. No dia 31 de janeiro é a vez de Ismail Xavier, autor de O Olhar e a Cena, livro que discorre sobre as primeiras produções do cinema, a necessidade do melodrama e, principalmente, as adaptação feitas por cineastas da obra de Nelson Rodrigues.

Finalizando a série, no dia 7 de fevereiro o entrevistado é o cineasta Ivan Cardoso, que fala de seu livro De Godard a Zé do Caixão.

Maiores informações no website www.senado.gov.br/tv.



Sexta-feira, Janeiro 16, 2004
[ CINEMA E VÍDEO NO CENTRO EM CENA ]


O Centro Histórico de João Pessoa está super movimentado com o
Centro em Cena . Este ano, o pessoal caprichou na programação audiovisual. Veja os destaques abaixo:

dia 17 - sábado
O Salário da Morte, de Linduarte Noronha, produzido em 1969, baseado no romance fogo de José Bezerra Filho.
Local: Cine Municipal, às 20h30.

Dia 19 - segunda feira
mostra itinerante Mix Brasil
Local - Teatro Santa Roza, às 22 horas
Curtas metragens com temas relacionados a diversidade sexual.

Dia 20 - terça-feira
mostra itinerante Mix Brasil
Local - Teatro Santa Roza, às 22 horas
Curtas metragens com temas relacionados a diversidade sexual.

Dia 21 - quarta-feira

mostra itinerante Anima Mundi
Local - palco 2 da Praça Antenor Navarro, às 22 horas.

dia 22 - quinta-feira

mostra itinerante Anima Mundi
Local - palco 2 da Praça Antenor Navarro, às 22 horas.

dia 24 - sábado
exibição do curta paraibano Transubstancial, de Torquato Joel
Local - sala do Tambiá Shopping, às 11 horas da manhã.





Quinta-feira, Janeiro 15, 2004
[ O CÃO SEDENTO ]

Enquanto o filme não fica pronto, aproveito pra colocar umas fotinhas no ar.


Cabral e Bruno.


Equipe sedenta após noite de filmagem.


João Carlos e sua menina.


Domingo, Janeiro 11, 2004


[ O JORNALISTA E O PREFEITO ]

por Lúcio Vilar


Take 1 - Terça, 08h30

- Alô, bom dia, quem fala é o jornalista Lúcio Vilar, é da secretaria de Comunicação da Capital?
- Sim, com quem deseja falar?
- Com o secretário de Comunicação.
- Ele não está, quer deixar recado, seu número, etc?
- Sim, anote aí...
Take 2 - 10h00

- Por favor, é o mesmo jornalista que ligou há pouco, por acaso o secretário de Comunicação já chegou?...
- Não, ainda não, mas seu recado está devidamente anotado, será repassado para a secretária dele.
- Então tá, obrigado.

Take 3 - 11h32

- Bom dia, sou eu de novo, o jornalista que precisa falar com o secretário de Comunicação. Alguma novidade?
- Não, acho que ele não vem mais nesse expediente por aqui.
- E a secretária dele, já está com meus números?
- Infelizmente não, ela ainda não chegou, mas não se preocupe que ela lhe dará retorno.
- Tá, obrigado mais uma vez...

Take 4 - 11h45

- Bom dia, é do Gabinete do prefeito Cícero Lucena?
- Sim, o que o sr. deseja?
- Olha, estou com dificuldades para falar com o secretário de Comunicação, daí que vocês poderiam facilitar...
- Ligue para a Secom.
- Já liguei, ele não está, nem há perspectiva de passar por lá hoje...
- Ah, espere um instante... Estão me informando aqui que ele se encontra em São Paulo...
- Olha, na verdade eu só preciso de uma declaração do prefeito Cícero confirmando (ou não) o que disse em Brasília sobre o compromisso de seu governo com a realização de um festival de cinema em João Pessoa para 2004. Só isso...
- Melhor você falar com a Secom...
- Será que você podia anotar meus números?
- Olha, no momento não tenho um lápis por aqui... Ah, encontrei, pode dizer que daremos retorno...

Take 5 - 13h30

Até o fechamento desta edição, não houve qualquer retorno. Nem da Secom, nem tampouco do Gabinete do Prefeito. Creditamos o "contratempo" às agendas atribuladas de ambos, na expectativa de que ainda essa semana tal posicionamento seja conhecido do público. Até porque, quem nasceu para fazer perguntas incômodas ¿ misto de "carma" e condição "sine qua non" de todo jornalista em seu ofício diário ¿ não tem do que reclamar, principalmente quando nos é permitido explicitar os bastidores da construção da notícia.

"Eu quero é botar meu bloco na rua..."

(Texto publicado no dia 17 de dezembro no Jornal CORREIO da Paraíba)




Quarta-feira, Janeiro 07, 2004


[ MOVIMENTO SALVE O VHS ]

Por Richardson Pontone

Somos um grupo de pessoas que difundem e produzem interferências audiovisuais na cidade de Belo Horizonte. Partimos do princípio da NÃO DITADURA DA RESOLUÇÃO.
Procuramos produzir curtas metragens não importando o formato. Preocupamos com um conteúdo crítico e provocador denunciando práticas burguesas de dominação tal como acontece com os veículos de comunicação, principalmente na TV comercial.Não procuramos aqui demonizar a TV enquanto veículo. Entendemos que a televisão é um grande instrumento que pode transformar a sociedade e em hipótese alguma pode ser guiada por princípios mercadológicos ou transnacionais.Sendo assim, procuramos produzir peças audiovisuais de todos os gêneros: ficção, documental, publicitário com uma linha crítica e transformadora.O Movimento Salve o VHS não é uma peça de marketing e sequer temos a pretenção de ser uma ONG.
Somos uma Associação, um instrumento legal de uma categoria que acha um absurdo a barbárie, a banalização, a espetacularização e principalmente a alienação da informação por parte da mídia burguesa.

Uni-vos !

Notícias do Movimento:

Drop_out parte II em breve !!!!

Um aperitivo ...

O Homem Bomba
autor Carlos Machado

Em que pensa o homem-bomba no exato momento de soltar o pino e estancar o
tempo?

Em que pensa o homem-bomba na hora imensa em que o sangue se adensa e todos
os sóis, e todos os poros, e todas as luas do universo projetam forças vorazes de gravitação na explosiva nave de seu coração?
Em que veia-cava o medo crava seus tentáculos?
Em qual infinitésimo de segundo a mão trêmula avança para o pino e vence a inércia do ser vivo que deseja permanecer semente, não de idéias, mas de carne viva?

Este texto é integrante da Parte II do vídeo Drop_out, já publicado neste site no link:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue//2003/11/268654.shtml

outros vídeos já publicados:
http://www.midiaindependente.org/pt/blue//2003/12/269876.shtml

Quem se interessar, provoque-nos !

Hasta.






[ O CINEASTA E O PREFEITO ]

por Lúcio Vilar


- Prefeito Cícero Lucena, vamos realizar o 1º Festival Nacional de Cinema da Paraíba?!
- No que depender da Prefeitura de João Pessoa, pode contar conosco, só temos que discutir, em outro momento, quem sabe, em fevereiro de 2004, sua realização, data, etc, etc...

O episódio em que tal proposição foi literalmente "sapecada" em tom desafiador pelo documentarista paraibano Vladimir Carvalho, tem pouco mais de 20 dias, em meio ao 36º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro.
Foi surpreendentemente acatada pelo prefeito Cícero Lucena.
Foi também imediatamente transformada em matéria especial, publicada nas páginas culturais deste jornal pelo colunista que vos fala, sem falar de entrevista, ao vivo, com Vladimir, para o CORREIO Debate da 98 FM.
A lembrança de tais passagens vêm em decorrência da constatação, um tanto preocupante, de que não parece ter ocorrido uma ressonância à altura do fato jornalístico gerado a partir da conversa informal entre o cineasta e o prefeito.
Imaginava-se que o bloco fosse posto na rua, com todos os segmentos interessados no tema comprando a briga, discutindo o perfil do festival e todos os demais encaminhamentos que uma iniciativa dessa envergadura enseja. Sabemos, pois, que não é de uma hora para outra e à toque de caixa que se faz um festival...
Exceção neste campo, é a Associação Brasileira de Documentaristas (ABD-PB), que já sinalizou com a disposição de se lançar na articulação de um amplo debate sobre o assunto, junto com o Nepau (do Decom) e os órgãos institucionais como Funesc e Funjope que precisam ser provocados para uma tomada de posição mais efetiva.
Deixar para discutir somente em 2004 não seria um risco do ponto de vista da articulação, uma vez que a materialização do evento implica em ampla mobilização de todos os interessados para sensibilizar os poderes públicos?
Com o compromisso assumido publicamente pelo prefeito da Capital, não seria o caso de uma reunião antes do apagar das luzes de 2003? Para ratificar o que foi "apalavrado" em Brasília, mas não necessariamente por aqui, nas bandas da Paraíba?
Ficam, aqui, inquietações e ponderações de quem deseja ver a idéia do festival transformada em atos e não circunscrito aos expedientes da "média da mídia" ou vice-versa, como queiram...

"Toda biboca deste país tem um festival de cinema, só a Paraíba que não!..."
- Vladimir Carvalho, cineasta

(texto publicado no dia 10 de dezembro no Jornal CORREIO da Paraíba)










Domingo, Janeiro 04, 2004
[ DECRETO PRESIDENCIAL AUMENTA COTA DE FILMES NACIONAIS NOS CINEMAS ]
Produções brasileiras serão exibidas 63 dias por ano

Brasília e Rio - Um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, publicado ontem no Diário Oficial, quase duplicou o número de dias de exibição obrigatória de filmes brasileiros nos cinemas do país em 2004. O número de dias, chamado cota de tela, passou de 35 dias para 63 este ano. O secretário de Audiovisual do Ministério da Cultura, Orlando Senna, atribuiu a ampliação desse período de exibição de longas-metragens nacionais ao sucesso do cinema brasileiro em 2003, quando houve um salto de 6% para 22% de ocupação dos filmes brasileiros no mercado.
"A cota de tela é uma reserva de mercado muito usada nos países emergentes para proteger o cinema nacional da ocupação total do produto estrangeiro hegemônico, no caso o cinema americano", disse Senna. A decisão do presidente atinge todas as empresas proprietárias, locatárias ou arrendatárias de salas, espaços ou qualquer local de exibição pública comercial.
A empresa que não cumprir a obrigatoriedade pode ser multada em 5% da renda média diária de bilheteria, apurada no semestre anterior à infração, e multiplicada pelo número de dias em que houve desrespeito. Orlando Senna explicou que a diferença da cota de tela que será adotada este ano, comparada com à de 2003, é a sistemática de sua aplicação.
O prazo em 2004 será linear, ou seja, os cinemas terão que exibir filmes nacionais durante pelo menos 63 dias. No ano passado, esse número variava de acordo com um cálculo que levava em conta o número de salas de cada empresa, entre outros elementos, que estipulava uma média. A fixação do período mínimo de 63 dias foi decidida pela Agência Nacional de Cinema. (O Globo)



Finalmente chegou 2004 e com ele promessas de uma atualização do Birilo mais constante. Antes que seja muito tarde, publicaremos a segunda parte do texto de Caroline Oliveira, nossa correspondente em Salvador. É isso. Feliz Ano Bom pra todos.


[ DE CARLOTA À CARANDIRU ]
Por Caroline Oliveira

Situando historicamente a retomada das produções brasileiras, podemos dizer que ela começou em 1993/94, e que o filme emblemático desse período foi Carlota Joaquina , de Carla Camurati. Como conta o cineasta Jorge Alfredo, aconteceu aí um processo interessante: "enquanto a tv aberta se popularizou, deixou de investir na conquista de um público mais esclarecido, a maioria das salas populares de cinema, principalmente as dos bairros e das cidades do interior, fecharam as portas. As igrejas evangélicas e os supermercados tomaram de assalto muitos cinemas". Jorge se queixa quanto a essa perda dos espaços de exibição e diz que isso reflete no acesso do público aos filmes. Samba Riachão,último trabalho do cineasta, por exemplo, foi o único filme ganhador do Festival de Brasília que não foi lançado no circuito comercial e, além de Salvador, continua inédito no resto das salas do Brasil. "Para se ter uma idéia: em 1973, Dona Flor e seus dois maridos teve um público de 16 milhões de pagantes. Em 2003, Carandiru, de 5 milhões. Nesses 30 anos, o Brasil foi aumentando em muito a sua população. Em 1973 éramos apenas 90 milhões de habitantes. O interesse do público por Carandiru é praticamente igual ao demonstrado pelos grandes lançamentos de produções americanas¿, reflete o cineasta. Ou seja, a ascensão que se comenta passar o cinema brasileiro não é vista de maneira consensual. Daniel Lisboa, 22 anos, vídeo-maker baiano, diz não enxergar esse renascimento dos novos filmes no país. "A produção ainda é mínima e sem grande distribuição". Lisboa comenta que as produções que não sofrem esse problema estão geralmente vinculadas a uma grande corporação que demanda temáticas comerciais, como o sertão e a violência urbana. Dessa forma, distanciam-se de ser filmes de arte que, segundo ele, é o cinema de autor. Há também a questão dos curtas-metragem brasileiros que são geralmente ignorados pela grande mídia. A produção de filmes desse tipo é intensa em nosso país e, na maioria das vezes, são títulos super premiados em festivais, mas que não ganham nenhum espaço de exibição além desse eventos. Um exemplo baiano é o curta Cega Seca, de Sofia Federico, que ganhou o prêmio de melhor filme na sua categoria no Festival Cine Ceará e ainda não foi exibido de forma efetiva em Salvador. Ainda assim, o que se verifica atualmente em dados é um grande salto no mercado do cinema brasileiro. De acordo com texto publicado pelo Jornal O Estado de São Paulo, na edição do dia 31 de Agosto, este ano o crescimento está previsto ultrapassar os 300% e estima-se um público de 100 milhões de espectadores. Um feito que não acontecia desde a década de 70 do século passado. E, comemoremos todos os que torcem por essa virada das produções nacionais, não há previsão de nenhum avanço notável para o cinema estrangeiro no País!



CINEMA NA BAHIA
"Salvador não é o que se poderia chamar de uma cidade cosmopolita, em que você tem acesso a várias culturas do mundo. De qualquer maneira, é bom saber que, dos filmes brasileiros em cartaz, nenhum é de Xuxa nem dos Trapalhões. Há novidades e diversidades". É assim que o cineasta pernambucano Marcelo Luna, residente na cidade há dois anos, comenta o circuito de exibições de Salvador. Luna participou como roteirista, recentemente, do documentário Sons da Bahia- uma produção do Canal GNT que, segundo ele, resgata um pouco da beleza e da diversidade cultural do estado, meio esquecidas. Quanto às produções locais, indaga, dizendo que gostaria de ser surpreendido esse ano por algum bom filme.

Estão em andamento longas como Cascalhode Tuna Espinheira, Esses Moços, de José Araripe Jr., Viva o povo brasileiro, de André Luis Oliveira, "Eu me lembro", do polêmico e premiado diretor Edgar Navarro. Segundo Jorge Alfredo, que também tem projetos em fase de produção como Avant-garde na Bahia, Párvulos e A Morte e a Morte de ACM, fazer cinema na Bahia ainda é mais difícil do que no Rio ou em São Paulo. "Lá, estão os laboratórios, os grandes patrocinadores e, principalmente, a mídia, essencial para a distribuição e divulgação dos filmes", comenta ele.

Tanto Alfredo, Araripe Jr quanto Daniel Lisboa acham que o incentivo privado às produções locais ainda é incipiente, consiste apenas em apoios. "Falta a iniciativa privada reconhecer o cinema como um bom investimento de marketing cultural", diz Araripe. Dessa forma, termina sendo inevitável que o dinheiro necessário para a realização de um filme venha do governo. Mesmo com um projeto aprovado pelo FazCultura (lei estadual de incentivo fiscal à cultura), 80% do dinheiro ainda é público, pois seria o que as empresas pagariam de impostos ao Estado. "Depois de muitos anos sem nenhuma política específica, A ABCV conseguiu que a Secretaria de Cultura instituísse o Edital e isso vem sendo muito importante", conclui. Não fica difícil, então, constatar que fazer cinema na Bahia ainda é uma atividade dependente do governo, uma vez que o dinheiro disponibilizado nesse Edital para o audiovisual é 100% público.

Mas essa arte, ainda assim, parece não perder o seu glamour e não deixa de seduzir novas gerações. Como diz Lula Oliveira, "Fazer cinema na Bahia é ser militante, é ser político é ser artista".

A ÉPOCA GLAUBER E O FUTURO

"A ascensão do cinema brasileiro se reflete aqui na Bahia no momento em que surge gente nova querendo realizar e a classe começa a se organizar para lutar pelos seus direitos", diz Lula Oliveira. O vice- presidente da ABCV, que dirigiu o curta Horizonte Vertical, também ressalta o saudosismo que ainda toma conta do cinema baiano, "temos uma bela história cinematográfica e talentos inquestionáveis ao longo desses anos". Como afirma o diretor Jorge Alfredo, "somos todos fruto do Cinema Novo".

A editora Tina Saphira, de 30 anos, premiada no Festival de Brasília em 2001 pela montagem de Samba Riachão, acha que, "em algum aspecto, sempre lidamos com os órfãos, súditos e todo o séqüito do Cinema Novo". Será que esse fascínio pela era "glauberiana" influenciou e influencia de maneira extremamente positiva as novas gerações de cineastas? "Falando sério. Acho que esse negócio de década de 60 e de Glauber é um atraso de vida pra o cinema contemporâneo na Bahia. Câmera na mão, idéia na cabeça e uma merda na tela. Já ouviu isso? É mais ou menos o que acontece com a música. Aqui, a tradição (e os eleitos pela fama) cria uma espécie de 'bloqueio' na comunidade", diz com acidez e reflexão um dos diretores do Rap do Pequeno Príncipe contra as almas sebosas - o outro é o paraibano Paulo Caldas-, Marcelo Luna.

Premiado por seu vídeo U Olhu du Povu, no Festival de Vídeos Universitários do Rio de Janeiro, Daniel Lisboa, diz que o cinema feito nesse período era engajado e de autor. "Não dá para comparar filmes como Deus e o Diabo na terra do sol, Vidas Secas, Os fuzis com os produzidos agora. Esse é o ponto; cinema comercial e cinema de autor", sentencia o vídeo-maker. Estudante de Cinema e Vídeo na FTC(Faculdades de Ciência e Tecnologia), Daniel não vê um grande interesse da juventude em fazer cinema, diz que as turmas da sua faculdade fecham com, no máximo, vinte alunos e que alguns destes, com o passar do tempo, vão desistindo do curso. Ele se entristece, pois acha que "poucos entendem realmente o que é fazer cinema, e a população ainda acha que fazer filmes é coisa para gringo". Mas, os cineastas veteranos são mais otimistas quanto às novas gerações e torcem para que surjam bons profissionais em todos os setores da área cinematográfica baiana. "Cinema é uma arte essencialmente coletiva", diz Alfredo; "o bom é juntar novos valores com gente mais experiente". Luna também vê de maneira positiva os novos realizadores, acha que é "a partir do interesse das novas gerações que as coisas podem ficar mais interessantes".