Domingo, Dezembro 21, 2003


[ VHS OU MORTE! ]

Por Bruno de Sales

Cultivada no cyberspace com adubo caseiro, híbrida de vegetal crucífero, baixa tecnologia e grande poder de alcance, a distribuidora BROCOLIS VHS - VIDEO HOMELESS SYSTEM oferece a todos os consumidores brasileiros, não só aos vegetarianos, o melhor cardápio de vídeo underground disponível no mercado.

Com sede analógica em Higienópolis, SP, e virtual no site www.brocolisvhs.cjb.net, essa empresa, comandada por Mariana Meloni, 26 anos, e Leandro Vieira, de 27, vem desde 1998 chamando atenção para nossas desprezadas, porém criativas, produções em vhs.

Tendo como proposta principal o experimentalismo de uma vídeo-cultura de câmeras domésticas, feita com baixíssimo custo e diversidade de propostas - do kung fu B ao pornô caseiro - a Brócolis vhs conta com um acervo de mais de 50 títulos, entre documentários, experimental, ficção, vídeo-instalação e vídeoclipes, de autores brasileiros e estrangeiros.

No site da Brócolis vhs é possível ver e comprar todas as obras do catálogo. Cada fita vhs com o vídeo escolhido custa 20 reais e 30 reais; para mais de um na mesma fita, acrescenta-se 5 reais por cada título. Ex: uma fita com um vídeo é 20, com dois é 25, com três é 30, e por ai vai. Os autores dos vídeos não recebem parte do lucro das vendas, mas não pagam pela divulgação.

São preços salgados, não tenha dúvida, mas para quem quer ter o trabalho visto por outras pessoas é um ótimo negócio. Além do mais, fora o catálogo permanente na internet, a Brócolis vhs promove mostras de vídeo por todo o Brasil e inscreve os títulos que recebe em festivais nacionais e internacionais. Em 2003 participou do Seminário Corpo & Tecnologia e do 14º Videobrasil - Festival Internacional de Arte Eletrônica. Em 2002 do 24º JVC Tokyo Vídeo Festival, no Japão; ano retrasado esteve no 9º Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual; em 2000, na 1ª Mostra de Vídeo Amador de Joinville; etc.

Assim como os vegetais verde-escuros, a produtora e distribuidora Brócolis vhs dispõe de bastante vitamina para alimentar o vídeo underground brasileiro. Como receitam os médicos, essa vitamina pode nos prevenir contra todo tipo de câncer, seja ele visual ou de qualquer outra natureza.

Vejam também o videoblog deles: http://video.weblogger.com.br

Para enviar seu trabalho para a Brócolis vhs o endereço é:
Av. Higienópolis, 536/502, São Paulo, SP, CEP 01238-000.



Terça-feira, Dezembro 16, 2003


Sonhar
só pode
o f e n d e r
os que
NÃO
S O N H A M

[do filme Bye, bye Brasil]


Domingo, Dezembro 14, 2003

Lula segurando uma câmera de cinema e com o bonezinho da ABD.


Caroline Oliveira, nossa correspondente em Salvador, estréia no Birilo com a primeira parte de sua reportagem sobre a retomada do cinema brasileiro com enfoque no cinema baiano. Afinal de contas, é lá que ela mora. Então, no decorrer dos próximos dias estaremos publicando as partes restantes de sua reportagem. Axé!


[ASCENÇÃO OU APENAS RETOMADA?- CINEMA NACIONAL EM PAUTA - parte 1]

O ministro da cultura, Gilberto Gil, promete até o final da sua gestão o aumento da produção de filmes nacionais para uma média de cem por ano. Em 1990, foram lançados apenas sete títulos, mas, no último ano, esse número subiu para 35. Independente de números, o que se verifica no momento não é só uma retomada do cinema nacional, mas do gosto dos brasileiros pelo seu próprio cinema.

Como diz O aclamado cineasta Nelson Pereira dos Santos - diretor de clássicos como "Rio 40 Graus" e "Vidas Secas"-, "o público prefere ver nas telas a sua própria língua e cultura, essa atual demanda pelas obras nacionais comprova a necessidade de identificação cultural com o que é exibido na tela". Ele ainda comenta que, por mais que as telenovelas criem uma identificação com a população em algum aspecto, elas nunca poderão ter o realismo, a ousadia estética e a liberdade que o cinema tem.

Mais radical, o cineasta e documentarista baiano Jorge Alfredo, 52 anos, diz que "o país das novelas da tv é muito artificial; uma espécie de adestramento do olhar...". Alfredo dirigiu "Samba Riachão", vencedor do prêmio de Melhor Filme no Festival de Brasília de 2001.

" O cinema brasileiro nunca esteve tão forte na sua qualidade", diz Araripe Jr., outro conhecido cineasta baiano. Araripe foi diretor e roteirista do "Pai do Rock", um dos episódios do filme "Três Histórias da Bahia", lançado no estado depois de um jejum de 18 anos de produções em longa-metragem. Segundo ele, "a luta política que vem sendo travada nos bastidores é para que se crie uma rede de cinema populares, para que a tv seja regionalizada e para que o cinema americano seja mais taxado". Araripe, que está com o filme "Esses Moços" em processo de finalização, conta que "o ministério da Cultura vem pensando num projeto mais consistente que possa, inclusive, difundir o audiovisual nas escolas através da educação e do renascimento dos cineclubes".

Mas essa fase atual do cinema brasileiro não é vista com um otimismo geral. Há problemas com a distribuição e o medo de que as produções nacionais de maior visibilidade comecem a viciar as produções nacionais de sucesso com a linguagem televisiva. Filmes como o "Auto da Compadecida" e "Lisbela e o Prisioneiro' -ambos concebidos por Guel Arraes, diretor de núcleo da Rede Globo - mesmo com uma ótima qualidade artística, são intensamente pontuados por vícios novelescos.

Lula Oliveira, 30 anos, vice-presidente da ABCV (Associação Baiana de Cinema e Vídeo)- instituição responsável pela condução das questões políticas do cinema baiano junto ao poder público na esfera federal, estadual e municipal-, chama atenção para a questão. Como afirma Lula, o interesse real do público existe, mas temos que considerar que há bastante influência das estratégias de marketing na sua divulgação (comunicação, distribuição, mídia, preço).

Quanto à questão da visibilidade dos filmes, Araripe Jr. afirma que "hoje, o grande gargalo do cinema brasileiro vem sendo a distribuição/exibição" e que a televisão brasileira poderia contribuir muito na melhora dessa questão. "O papel da tv, até então, foi de dar as costas ao cinema brasileiro", critica ele. Mas, como pontua o cineasta, o que se percebe hoje é a ampliação desse diálogo.


Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
[ E X P E C T A T I V A 2 0 0 4 / R E T R O S P E C T I V A 2 0 0 3 ]

Acontece desde a última sexta, 5, a mostra EXPECTATIVA 2004 / retrospectiva 2003 do Cinema da Fundação. Só lembrando que poucos dos filmes programados passaram pelas salas de cinema daqui de Filipéia. Então, quem for esperto se apresse logo que ainda dá tempo de pegar algum filminho.

VEJA PROGRAMAÇÃO:

Sexta - dia 12.dez
18h - Durval Discos - (Brasil, 2003) De Anna Muylaert. Com Ary França,
Etty Fraser, Marisa Orth, Letícia Sabatella, Rita Lee, e
apresentando Isabela Guasco. Adaptação eficaz de Psicose em
São Paulo?! Roteiro encanta e surpreende pelo desenrolar
surrealista da história do quarentão que vendia vinil no bairro
paulistano de Pinheiros, acompanhado, claro, por sua mãe.
Tela Larga / Dolby SR / 12 anos / 96 min. / Europa
19h50 ¿ Nathalie X - (França, 2002), de Anne Fontaine. Com Fanny
Ardant, Gérard Depardieu, Emmanuelle Béart. Catherine tem
bom emprego, amigos e é casada há 25 anos. Ao descobrir
que o marido a trai, contrata garota de programa e lhe confia
uma estranha missão. Tela Plana / Dolby SR / 16 anos / 100
min. / Pandora
22h - Anti-Herói Americano - (American Splendor, EUA, 2003), de
Shari Springer Berman e Robert Pulcini. Com Paul Giamatti e
Hope Davis. A história real de Harvey Pekar, artista underground
que atingiu status de "herói cult" ao escrever sobre suas dores
e desilusões na revista "American Splendor". Robert Crumb,
criador de Fritz the Cat, foi seu amigo, mentor e colaborador. Mix
de ficção e realidade dão toque especial neste cult de 2003/
2004. Seleção Cannes 2003. Tela Plana / Dolby SR / 12 anos /
101min. / Warner

Sábado - dia 13.dez
17h30 - Amarelo Manga - (Brasil, 2003) De Cláudio Assis. Com Matheus
Nachtergaele, Chico Dias, Dira Paes, Jonas Bloch, Jones Melo,
Magdale Alves. Em 2003, o cinema pernambucano incomodou.
Primeiro longa de Assis brilhou no Fest. de Brasília 2002 e teve
lançamento de porte em agosto, traçando retrato cru do Recife e
personagens que geralmente não ganham tela. Tela Larga /
Dolby SR / 100mins / 18 anos / RioFilme
19h40 - Tiresia - (França, 2003), de Bertrand Bonello. Com Laurent
Lucas, Clara Choveaux, Thiago Theles. Filme certamente exige
do espectador, mas recompensa poderá ser especial. Travesti
brasileiro (os brasileiros Choveaux e Theles) em Paris é
aprisionado por Terranova, um fã que admira a sua estranha
beleza. No cativeiro, Tiresia readquire seus traços masculinos...
Ela será obrigada a renascer. Seleção Cannes 2003. Tela
Plana / Dolby SR / 18 anos / 115 min. / Imovision
22h - Segunda-feira ao Sol - (Lunes al Sol, Espanha, 2002), de
Fernando Léon de Aranoa. Com Javier Barden, Luís Tosar, José Ángel Egido. O filme que a Espanha indicou ao Oscar no lugar do favorito Fale Com Ela, de Almodóvar. O cotidiano de um grupo de estivadores desempregados em cidade portuária repensam a vida com sarcasmo, humor e tristeza. Vencedor de 4 prêmios Goya (Espanha) e 4 Kikitos (Gramado).
Tela Plana / Dolby SR / 14 anos / 113 min. / Pandora

Domingo - dia 14.dez
16h40 -Em Nome de Deus - (The Magdalene Sisters, Ing., 2002), de
Peter Mullan. Com Geraldine McEwan, Anne-Marie Duff, Nora-
Jane Noone. Forte crítica ao catolicismo. Na Irlanda, anos 60,
quatro garotas pecadoras (duas engravidaram, uma foi vítima
de estupro, a outra namoradeira) são enviadas para um
convento, onde serão corrigidas via trabalho escravo e todo tipo
de abuso. Resta-lhes a resignação, o suicídio ou fugir. Leão de
Ouro em Veneza 2002.
Tela Plana / Dolby SR / 16 anos / 119 min. / Europa Filmes
19h10 - Swimming Pool - (França, 2003), de François Ozon (Gotas
D´água Sobre Pedras Escaldantes, Sob a Areia). Com Charlotte
Rampling, Ludivine Sagnier, Charles Dance. Remix retrô de
cinema "mistério" a la Agatha Christie. Escritora inglesa de
livros policiais passa temporada no sul da França tentando
escrever. A chegada de uma bela e sensual garota de 16 anos
muda por completo o rumo da história. Seleção Cannes 2003.
Tela Plana / Dolby SR / 16 anos / 103 min. / Imovision
21h15 - O Outro Lado da Cama (El Otro Lado de La Cama, Esp, 2002),
de Emilio Martinez Lazaro. Com Ernesto Alterio, Paz Vega,
Guillero Toledo. Mix curioso de sexo com estranhos números
musicais discute relações hetero/homosexuais entre dois
casais que traem-se entre si. Grande sucesso na
Espanha.Tela Plana / Dolby SR / 114 min. / 18 anos / Imagem Filmes

Segunda - dia 15.dez
18h30 - Em Nome de Deus - 2ª EXIBIÇÃO
20h50 - Hulk - (EUA, 2003), de Ang Lee. Com Eric Bana e Jennifer
Connely. Cientista vira guarda roupa verde quando estressado.
Adaptação dos quadrinhos dividiu opiniões, com resultados
decepcionantes nas bilheterias. Para nós, filme é um dos
melhores do gênero, visualmente impecável com sequências
de ação e construção de personagens incomuns. Última
chance de ver essa bela obra na tela grande. Tela Plana / Dolby
SR / 138 mins / 12 anos / UIP

Terça - dia 16.dez
18h30 - Sem Notícia de Deus - (Sin Noticias de Dios, Méx / Esp / Ita / Fra., 2001) de Agustín Díaz Yanes Com Gael Garcia Bernal, Victoria Abril, Penelope Cruz, Fanny Ardant. A história de dois anjos, um do céu (Abril) e outro do inferno (Cruz), que vêm à Terra para uma briga metafísica: conquistar a alma de um lutador de box mexicano cuja carreira está no limite da falência. CinemaScope / Dolby SR / 16 anos / 95min. / Europa Filmes
20h30 ¿ Dogma do Amor - (It´s All About Love, EUA/Japão/Ing./Suécia/Din,
2003), de Thomas Vintenberg. Com Joaquin Phoenix, Claire
Danes, Sean Penn. Vintenberg (Festa de Família) comenta o
estado sentimental do mundo hoje onde os solitários
desamados caem mortos na rua, o congelamento do planeta
parece iminente e a gravidade não existe mais em Uganda.
Enquanto isso, um casal de poloneses tenta salvar seu
casamento. Tela Larga / Dolby SR / 14 anos / 110 min. / Imovision

Quarta - dia 17.dez
18h30 - Tolerância Zero - (EUA, 2002). De Harry Bean. Com Ryan
Gosling, Summer Phoenix. Jovem judeu torna-se um ultra-
violento neo-nazista determinado a provar a incoerência da
doutrina judaica. Filme equlibra-se entre hostilidade e
fragilidade. Tela Plana / Dolby SR / 16 anos / 98 min. / Europa
20h30 - O Pianista - (The Pianist, 2002), de Roman Polanski. Com Adrian
Brody. A luta pela sobrevivência de Wladislaw Szpilman,
pianista que perde tudo na invasão nazista da Polônia.
Memorável trabalho de atuação (Brody) e direção (Polanski)
sobre homem que viu e sobreviveu horrores. Palma de Ouro em
Cannes, Oscars de Ator e Direção. Tela Plana / Dolby SR / 14
anos / 16 anos / Europa

Quinta - dia 18.dez
17h - Edifício Master - (Brasil, 2002). De Eduardo Coutinho. Coutinho
nos mostra as vidas, medos, tristezas e alegrias de um grupo
de moradores do Edf. Master, em Copacabana, Rio de Janeiro.
Um filme sobre gente com olhar humano. Tela Plana / Mono /
Livre / 110 min. / RioFilme
19h10 - Um Jovem Sedutor (Tadpole, EUA, 2002), de Gary Winick.
Com Sigourney Weaver e Aaron Stanford. Oscar tem 15 anos e uma preferência
já definida por mulheres na faixa dos 40. Ele apaixona-se pela
sua madrasta que, claro, não é a mulher certa para seu pai.
Filme pequeno rodado em digital por U$ 150 mil e comprado
pela Miramax por U$ 6 milhões depois de excelente recepção
em Sundance. Tela Plana / Dolby SR / 14 anos / 78 min. / Lumiere
20h50 - Desmundo - (Brasil/Portugal, 2002). De Alan Fresnot. Com
Simone Spoladore, Osmar Prado. Órfã de 18 anos vem de
Portugal para o Brasil Colônia, em 1580. Casa-se com homem
rude e descobre a dureza de uma nova terra. Pouco visto, filme
pode ser considerado um dos melhores brasileiros dos últimos
anos. Tela Larga / Dolby SR / 12 anos / 100 min. / Columbia

Sexta - dia 19.dez
17h20 -O Outro Lado da Cama - 2ª EXIBIÇÃO
19h40 - Callas Forever - (Ita/ Esp/ Fra/ Rom / Ing., 2002), de Franco Zeffirelli. Com Fanny Ardant, Jeremy Irons. Nos últimos anos de vida, a mítica cantora de ópera Maria Callas (Ardant) é uma mulher que perdeu seu talento e sua auto-confiança como artista e mulher, até que um sopro de esperança surge na pele de um empresário homossexual (Irons). Tela Plana / Dolby / 14 anos / 108 min. / Imagem Filmes
22h - Adeus, Lênin! - (Goodbye, Lenin!, Alemanha, 2003), de Wolfgang
Becker. Com Daniel Brühl e Katrin Saß. Na Berlim Oriental de
1989, mãe de família comunista sofre ataque cardíaco e entra
em coma. Oito meses depois, acorda numa Alemanha sem o
Muro ou comunismo. Seu filho irá poupar a mãe ainda fraca,
levando-a a crer que o Regime sobrevive. Visto por seis
milhões de alemães é um dos mais belos melodramas dos
últimos anos. Tela Plana / Dolby SR / 12 anos / 121 min. / Imagem Filmes

Sábado - dia 20.dez
17h30 - Geração Roubada - (Rabbit Proof Fence, Austrália, 2002), de
Phillip Noyce. Com Kenneth Branagh, Everlyn Sampi. Em 1931,
na Austrália, três meninas aborígenes são arrancadas de suas
famílias e levadas para instituições do governo a 2 mil Kms de
distância. Lá, serão educadas como brancas. Elas fogem e
voltam andando. Baseado em fato. Prêmio do Público Mostra
BR SP 2003. Tela Larga / Dolby SR / Livre / 94 min. / Lumiere
19h30 - Prova de Amor - (All the Real Girls, EUA, 2003), de David Gordon
Green. Com Paul Schneider, Zooey Deschanel. Paul, rapaz
conhecido por ter se relacionado com todas as garotas da
cidade, apaixona-se pela irmã do melhor amigo, uma virgem de
18 anos que nunca achou ninguém interessante o bastante
para conversar por mais de 5 minutos. Greene é tido como
promessa, seu filme anterior "George Washington" foi eleito um
dos melhores de 2000 nos EUA. Tela Larga / Dolby SR / 14
anos / 108 min. / Columbia-Mais Filmes
21h50 - A Captura dos Friedmans - (Capturing the Friedmans, EUA,
2003), de Andrew Jarecki. Documentário forte sobre família
judia da classe média acusada de pedofilia pela vizinhança. Filme documenta
como um quebra-cabeças o esfacelamento do núcleo familiar
com a prisão do pai e filho menor em imagens feitas pelos
próprios Friedmans com câmeras domésticas. Provável
indicado ao Oscar 2004 de Documentário.
Tela Plana / Dolby SR/ 16 anos / 107 mins / Europa-Alpha

Domingo - dia 21.dez
17h30 - Dogville - (Din/Sue/Ale/Fra, 2003), de Lars Von Trier. Com Nicole
Kidman, Lauren Baccall, Ben Gazarra. Von Trier faz um
audacioso teatro filmado, usando um palco, atores e linhas de
giz no chão. Desfecho humano e político impressionante
arrebatou Festival de Cannes. Mulher foge de gângsteres e
chega no pequeno vilarejo de Dogville, nas Montanhas
Rochosas dos EUA, anos 30. Em troca de proteção, ela irá
trabalhar para a comunidade.
Tela Larga / Dolby SR / 16 anos / 179 min. / Imovision
21h - Adeus, Lênin! - 2ª EXIBIÇÃO


SERVIÇO:

Quando: 5 a 21 de dezembro 2003

Onde: Cinema da Fundação (Fundaj, rua Henrique Dias, 609, Derby)

Informações: fones 3207-5000 e 3421.3266 (ramal 426),

e-mail cinema@fundaj.gov.br -
www.fundaj.gov.br

Ingressos: R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (acima de 60 anos/estudantes)

Quarta-feira, Dezembro 10, 2003

O boa praça Ferdinando Dantas faz amizade no CBC, em Fortaleza

[ CBC ELEGE NOVA DIRETORIA EM FORTALEZA ]

Ferdinando Dantas, nosso enviado especial ao CBC - Congresso Brasileiro de Cinema, dá seu testemunho sobre os principais pontos abordados durante o evento deste ano.

Resumo da ópera...

1) Banco do Nordeste: De acordo com Osman Godoy
(ABD-PE), o representante do BN demonstrou-se
acessível aos projetos voltados para a política de
desenvolvimento e investimentos para a indústria
audiovisual do Nordeste, tais como a criação de uma
premiação exclusiva para produções da região. Porém,
ele alegou haver dificuldades e impasses econômicos
que comprometem quaisquer investidas nessa área no
momento. Dessa forma, o documento redigido por Gláucia
Soares (ABD-CE), em parceria com outros colegas, não
obteve encaminhamento. Diante dessa situação, José
Araripe (ABD-BA) esclareceu que agora não há muito que
se fazer, mas que seria importante persistir na
questão quando houver outra oportunidade.

2) Grupos de trabalho: Com o objetivo de elaborar
propostas para votação em plenária e encaminhamento
para o Congresso Nacional, foram divididas áreas de
interesse e formadas comissões sobre os assuntos
abaixo:

- Infra-estrutura tecnológica
- Pesquisa, preservação e crítica
- Ensino e formação profissional
- Audiovisual e mercado
- Fomento
- Cinema cultural e formação de público (ABD-PB)

*As resoluções dos grupos de trabalho estarão, em
breve, disponíveis em www.congressocinema.com.br

3) Realizadores de longa-metragem do Norte-Nordeste:
foi criada uma entidade voltada para a busca de
incentivos e desenvolvimento audiovisual dessas duas
regiões. O projeto ainda está na fase inicial, mas a
presidência já conta com nomes como Cláudio Assis e
Vladimir Carvalho.

4) Eleição da nova diretoria: realizada em sessão
plenária totalmente aberta, com chapa única!

Diretoria:

- Geraldo Morais (Presidente)
- Cícero Aragon (Vice-presidente)
- Tetê Morais (Vice-presidente)
- Paulo Bocatto (Vice-presidente)
- Pedro Pablo Lassarini (Vice-presidente)
- Sílvia Rabelo (Tesoureira)
- Geraldo Veloso (Secretário)
- Walmir Fernandes (Conselho fiscal)
- Jose Araripe Jr. (Conselho fiscal)
- João Guilherme Barone (Conselho fiscal)


Conselho consultivo:

- Assunção Hernandes
- Geraldo Priori
- Paulo Thiago
- André Sturm
- Ricardo Rufino
- Tony Venturi
- Magdalena Rodrigues
- Guido Pádua
- Carlos Brandão
- Rosângela Rocha
- Roberto Farias




Terça-feira, Dezembro 09, 2003

cena do filme Transubstancial

[ ORGANISMO-FILME ]
por Laurita Caldas


A habilidade do diretor Torquato Joel é demonstrada pela capacidade concreta de explicitar a vertente poética num filme coeso.

Fragmentos de poemas de um poeta paraibano de importância singular consolidam a realização do filme. A poesia brasileira possui a arte de Augusto dos Anjos! Imortal pela expressão de sua poesia escrita.

Outras linguagens difusoras da obra de Augusto extraíram os versos do papel. A poesia falada e a arte dramática ecoam na imagem em movimento.

O filme curta metragem indica as múltiplas possibilidades de leituras imagéticas. O tempo é tão bem trabalhado, que a nuance sensorial reduz o tempo real.

A grafia de letras, versos e estrofes no início nos introduz à poesia escrita integrada numa rocha.

O aspecto orgânico delineado nas seqüências dos planos proporciona a integração de nós. A tessitura é adornada e proclamada viva!

Transubstancial [2003] corrobora a transcendente relação organismo-filme. A anatomia se expande no movimento de cada imagem. Fotogramas unidos com músculos em atividade. O corpo-filme determina a textura poética primordial do realizador.



[ REPRESENTAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO NO CINEMA BRASILEIRO ]

por João Batista de Brito



Uma questão, no cinema nacional, que sempre me interessou é a da representação do homem brasileiro. Quem está na tela do filme a que assisto? Alguém em quem me reconheço? Ou um estranho com quem não partilho afinidades? Ou mesmo um ser tão repelente que me causa mal estar? O elemento da identificação (ou falta de) pode não ter nada a ver com qualidade, porém, é, sociologicamente falando, decisivo no terreno da recepção. E nesse aspecto, fundamental para uma arte dispendiosa como o cinema cuja sobrevivência depende tanto do consumo. E não só isso: numa arte cuja significação (ao contrário de artes elitistas, como a pintura, por exemplo) está historicamente presa à participação do espectador, o qual entra no seu sistema semiótico como um elemento determinante.

Desde o início de sua história preocupada em ganhar dinheiro, Hollywood, por exemplo, sempre tomou como foco de referência o cidadão comum, com quem a maioria da população pagante de ingresso pudesse se identificar, e isso, com o cuidado de nunca pôr esse cidadão em situação moral irrecuperavelmente desfavorável, claro, para que a sua visita ao cinema se repetisse.

No Brasil me parece que a coisa sempre foi diferente, para não dizer oposta. Não falo na época das chanchadas, nem para trás, quando a produção nacional nem tinha cifras para criar uma imagem duradoura, porém, do tempo do Cinema Novo em diante, ou seja, durante toda a metade do Século XX, a representação do homem brasileiro na tela - admitamos - tendeu quase sempre ao (para parodiar título de filme nacional recente) "cronicamente inviável".

Um fator decisivo para isso foi o elemento da ideologia. Nunca quisemos, e com razão, imitar Hollywood em sua concessão ao público pagante, mas claro, essa posição anti-americana no fundo é\era estritamente ideológica, e não estética.

Ao revermos o cinema que se fez de 1960 até o presente nessa perspectiva da representação do homem brasileiro, acho que se pode pensar num paradoxo, que aqui tento explicar. É que o viés ideológico do cinema brasileiro não possui uma origem única, mas na verdade, duas, que, para complicar, não são apenas diferentes, mas antagônicas.

De um lado, esse viés vem da extrema esquerda, com o Cinema Novo e seus derivados. Do outro, ele vem da extrema direita, diretamente da obra do mais conservador intelectual brasileiro, Nelson Rodrigues, que tantas de suas obras teve adaptadas ao ponto de, por tabela, criar um estilo cinematográfico quase pardigmático. Esse paradoxo de origens deu resultados curiosos no que se refere à nossa representação no espaço do écran.

Vamos por etapas.

Inspirado genericamente nos preceitos do marxismo, o Cinema Novo nunca quis representar na tela o cidadão pagante de ingresso (no Brasil, a "reacionária" classe média): ou ele representava o povo - leia-se o camponês -- (Vidas secas, Deus e o diabo na terra do sol, Os fuzis) ou representava a elite decadente (Terra em transe, etc). Na verdade, com maior freqüência, ele preferiu representar os marginalizados da sociedade brasileira, o que começou com os cangaceiros épicos de Glauber Rocha e se estendeu, ao longo das décadas, até aos personagens atuais de Cidade de Deus e Carandiru, passando pelos "bandidos" grutuitos do Cinema Underground, tipo O bandido da luz vermelha e tantos outros. bandidos. Não precisa lembrar que a esses marginais se dando a aura de heróis.

Se o espectador de cinema nacional (insisto, membro de uma classe média reacionária!) não pôde se identificar com os Lúcio Flávios da vida, ou melhor, da tela, a salvação seria o outro viés ideológico do nosso cinema, o de Nelson Rodrigues. Que nada!

Aí a coisa foi pior. No caso do cinema que deriva de Nelson Rodrigues, se a classe social do espectador pagante de ingresso se fazia presente na tela, ela aparecia da forma mais desfavorável possível. Como sabemos, a família rodriguiana é toda ela irremediavelmente corrupta, cafajeste, perversa, e (para parodiar outro título) se, entre os sete gatinhos dessa família, ainda há porventura um que parece "santo", logo logo sua natureza malsã se revelará bem pior que a dos gatinhos assumidamente "pecadores".

Ficou, portanto, criado o impasse: quem é o homem brasileiro segundo o cinema brasileiro, digo, o cidadão que poderia meter a mão no bolso para comprar o ingresso do filme que está em cartaz no cinema da esquina? Ninguém sabe ao certo, mas de duas coisas se sabe, que, aliás, são complementares: (1) pelo primeiro viés, os marginais são melhores que ele, e (2) pelo segundo, marginal ou não, esse cidadão é, por natureza, um corrupto.

Extremamente críticos do lado esquerdo e profundamente negativos do lado direito, nunca tivemos uma brecha para respirar prazer e nossa cinefilia, se um dia houve uma, foi sempre fundada na dor.

A propósito de dor, lembro o caso, nos Estados Unidos, de espectadores negros que ficando fora do "foco de referência", acima aludido, do cinema clássico (o cidadão mediano, branco, classe média, heterossexual), confessam que, ao assistir a um faroeste na infância, não sabiam por quem torcer, quando o mocinho branco lhe era hostil e os índios nada heróicos. Pois bem, situação semelhante vive o espectador brasileiro, que nem se identifica com os marginais favorecidos pela esquerda, nem com os depravados de Nelson Rodrigues.

Pouco explorado, o tema da representação do cidadão brasileiro no cinema pode propiciar um interessante estudo de antropologia sobre a sociedade brasileira, como também, um rico trabalho sobre recepção cinematográfica, onde, através de pesquisa de campo, se investigue a reação do espectador brasileiro à sua própria representação e, obviamente, o seu nível de (falta de) identificação.

Tais reflexões me ocorrem a propósito da polêmica em torno do filme Carandiru, agora cogitado ao Oscar. Li na imprensa que, na época de sua exibição, em várias sessões em cinemas do Rio de Janeiro, as platéias aplaudiram, não o filme, e sim, a polícia naquele momento em que ela aparecia, armada até os dentes, para dizimar os presidiários. Tudo bem, essas platéias estavam deturpando a mensagem do filme de Babenco, porém, o meu ponto aqui é outro. O fenômeno, em si, da tomada de posição contra os marginais em detrimento da "ideologia" do filme, me parece sintomática dos nossos impasses recepcionais e, encarada mais amplamente, aponta para a lacuna de uma representação do espectador de cinema no Brasil.

Não seria nada produtivo imitar as concessões hollywoodianas, no entanto, não deixa de ser lamentável que nunca vamos poder ter um A rosa púrpura do Cairo nacional. Sim, porque se um personagem saísse de uma tela brasileira não seria, como no filme de Woody Allen, para nos amar, mas para: (1) nos matar ou (2) nos trair.

Dizem até as más línguas que o nosso equivalente de A rosa púrpura seria Matou a família e foi ao cinema, um filme que afinal de contas ninguém viu, e quem viu não amou.


Quinta-feira, Dezembro 04, 2003
[ PRIMEIRO PRÊMIO RODRIGO ROCHA DE VÍDEO UNIVERSITÁRIO MOVIMENTA O DECOM ]

Está acontecendo desde ontem na Sala Lampião, do Departamento de Comunicação da UFPB, o PRÊMIO RODRIGO ROCHA DE VÍDEO UNIVERSITÁRIO com a exibição dos melhores trabalhos universitários produzidos no ano passado. O evento está sob a tutela do professor Lúcio Vilar e de seus alunos/integrantes [entre eles Breno, Audici Jr, Thiego, Chiquinho, Calina] do Núcleo de Estudos e Pesquisa do Audiovisual, o NEPAU.

Hoje de manhã, teve o painel "NEM DEUS NEM O DIABO: ALGUNS ASPECTOS DO CINEMA DA FOME, por Kelvo de Almeida Santos, mestrando de Letras e a exibição do filme Deus e o Diabo na Terra do Sol, de Glauber Rocha. Veja a fotinha.

Amanhã, 5/12, último e derradeiro dia, terá a presença de Jomar Muniz de Brito, com o debate -palestra "DE GLAUBER ROCHA A PAULO FREIRE:ENTRE-LUGARES PARA UM ARTE-COMUNICADOR", às 9:00. E à noitinha, 20:00 a entrega do prêmio propriamente dito. Então, é isso, é só pegar o 517 da Transnacional e saltar no terminal.


Na foto, da esquerda para direita Breno, Ana Bárbara, Kelvo e Lúcio.