Sexta-feira, Outubro 31, 2003

Então é isso, sempre que eu quiser ver filmes interessantes terei que me abalar daqui [João Pessoa] para Recife,
especificamente para o
Cinema da Fundação [Joaquim Nabuco].
Não que eu veja isso como um grande problema, pelo contrário, tenho laços familiares naquela cidade.

O problema é que não tenho R$ sempre a disposição para ir ver a ótima programação da Fundaj.

Esta semana, por exemplo, está em cartaz A ARCA RUSSA, de Alekxandr Sokurov
e SECRETÁRIA, de Steven Shainberg. E eu não vou ver!

Seria muito mais conveniente para mim ver tais filmes aqui mesmo em minha cidade.
Faz mais lógica, né não? O pior que não é bem assim que pensam os exibidores daqui. Paciência.

Então para aqueles que tem interesse e podem ir ao Recife ver os filmes citados acima é bom não perder tempo.

Vejam os horários:

S E C R E T Á R I A
um filme de Steven Shainberg
Vencedor Do Prêmio Especial Do Júri Do Sundance Film Festival

(secretary, eua, 2002) Com James Spader,
Maggie Gyllenhaal, Amy Locane, Jeremy Davis, Lesley Ann Warren
Intrigante filme sobre dominação e o prazer de ser dominado.
Uma jovem (Gyllenhaal), recém-saída da clínica psiquiátrica e adépta da
automutilação, é contratada num escritório. Seu chefe
(Spader, de sexo,mentiras e videotape e Crash ¿ Estranhos Prazeres)
é um advogado que trata as funcionárias na linha dura.
Atenção para a interpretação de Gyllenhaal, indicada ao Globo de Ouro de Melhor Atriz de 2003.
Plano / Dolby SR / 104 min. / 16 anos / imagem filmes
Horários:
Sexta-feira, dia 31 ¿ às 20h50
Sábado, dia 01 ¿ às 21h
Domingo, dia 02 ¿ às 18h
Segunda-feira, dia 03 ¿ não exibe / cinema fecha
Terça a Quinta-feira, dias 04, 05, 06 ¿ às 18h30
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2ª semana

A R C A R U S S A
(Russkij Kovcheg, Rússia/Alemanha, 2002) - filme de Alekxandr Sokurov

200 anos de história russa pelos corredores do Museu Hermitage,
em São Petersburgo. O filme é um marco na história do cinema
por tratar-se do mais longo plano seqüência (tomada sem cortes)
já realizado. Esse movimento contínuo tem a duração do filme, 1 hora e 30 minutos.
Seleção Oficial Cannes 2002
Plano / Dolby SR / 97 min. / INÉDITO / Livre / mais filmes
Horários:
Sexta-feira, dia 31 ¿ às 19h
Sábado, dia 01 ¿ às 19h10
Domingo, dia 02 ¿ às 20h
Segunda-feira, dia 03 ¿ não exibe / cinema fecha
Terça a Quinta-feira, dias 04, 05, 06 ¿ às 20h30











[ OFICINA DE ANIMAÇÃO ]

Técnicas de animação 2D, produção, storyboardy, ficha de animação, movimento labial e arte-final, com CLÓVIS VIEIRA, criador do longa
CASSIOPÉIA.

Inicio das inscrições: 5 de novembro
Local: Nudoc 216-7382 Edíficio da Reitoria - UFPB
Valor: R$ 50,00
Período da oficina: de 26 a 31 de janeiro de 2004

promoção: Nudoc [Núcleo de Cinema] Universidade Federal da Paraíba / Prac / Coex


Terça-feira, Outubro 28, 2003


[ POEMA NEGRO ]

por Ana Isaura Nogueira
anaisaura@terra.com.br

O filme Transubstancial (cor, 35mm, 17¿), terceiro curta-metragem do cineasta paraibano Torquato Joel, saiu quentinho da montagem e da truca para a seleção oficial do 36º Festival de Cinema de Brasília. O curta foi rodado em janeiro deste ano, em João Pessoa e municípios da região da Várzea do Paraíba (Sapé, Santa Rita e Cruz do Espirito Santo), Lucena (litoral paraibano) e no cemitério de Leopoldina, em Minas Gerais.

O filme retrata a obra do poeta paraibano Augusto dos Anjos numa visão existencialista onde se pretende ultrapassar o significado superficial e comum que se tem da sua poesia.

Para além da morbidez e podridão, Transubstancial se constrói em dois pilares: poemas rural/ diurno e urbano/ noturno, onde o diretor usa de fragmentos da poética para equacionar desejo + culpa = processo de morte.

Sua fotografia, um tanto impressionista, é assinada por Mauro Pinheiro (RJ). A produção é da carioca Moema Muller e ainda na equipe, o eletricista João Sagatio (PE), o técnico de som Sílvio Da-Rin (RJ) e na direção de arte o artista plástico José Rufino (PB). Augusto dos Anjos é interpretado por Valmar Pessoa, com o ator Luiz Carlos Vasconcelos emprestando a voz ao poeta.

Torquato explica que o processo de transubstanciação que intitula o filme é a visão de um Augusto observador que perpassa lugares numa realidade alucinada onde o poeta sai do real concreto, passa por um processo de alucinação e retorna a realidade.



Quinta-feira, Outubro 23, 2003
[ CURTAS NO BIRILO ]

A partir de hoje o Birilo vai oferecer um novo serviço para seus leitores. Atráves da comunidade de exibidores Portacurtas Petrobras vamos exibir o melhor da produção nacional de filmes curtos aqui no Birilo.

O filme de hoje é 3 Minutos, Ficção | De Ana Luiza Azevedo | 1999 | 6 min I Com Lisa Becke

Três minutos. O tempo de deixar um recado. De passar o bastão e correr 1600 metros. De cozinhar um ovo. O tempo de tomar uma decisão que pode mudar sua vida, (...)






Sábado, Outubro 18, 2003
[ SÍTIO DO PICA-PAU AMARELO MANGA ]
por Morib Salim

O brasileiro, sobretudo o nordestino, de tempos para cá tem aparecido com freqüência nas telas do cinema papagaio.
Os motivos não são poucos: os governos nordestinos financiam produções do sul-sudeste
(a CELB, de Campina Grande, por exemplo, deu dinheiro para vários filmes da produtora Conspiração, do Rio),
temos bons atores, mas o mais importante é o que somos senão excêntricos, pitorescos do ponto
de vista geográfico. Deus é Brasileiro, Eu, Tu, Eles, Viva São João, O Caminho das Nuvens,
Lisbela e o Prisioneiro... todos com belíssimas paisagens.

Seriamos apenas ótimos anfitriões e doadores certeiros de capital e mão de obra lê-lê
não fosse o espírito crítico e contestador de alguns cineastas pernambucanos.
Entre estes se inclui Cláudio Assis, também conhecido como O Monstro de Caruaru.
De suas mãos brotaram, entre outras coisas, Amarelo Manga, seu longa de estréia.
Comparado com outras produções onde o nordeste serve de cenário, o filme de Assis coloca
de fato algumas exclamações onde antes só existiam interrogações.
A primeira e mais instigantes de todas diz respeito ao poder da criatividade
sobreposto ao poder da fortuna.

Sabemos que nenhuma das revistas semanais de circulação nacional é
a melhor fonte de informação sobre cinema, sobretudo cinema papagaio.
Mas na edição 273 da revista Época, de 11 de agosto, cuja capa é o finado
Roberto Marinho, as duas páginas dedicadas à sétima arte nos dizem de forma
subliminar a importância de um filme como Amarelo Manga. 90% das
páginas 98 e 99 de Época são dedicadas ao filme de Assis.
Os outros 10% são sobre o quarto filme de Bruno Barreto,
Voando Alto. Enquanto a matéria sobre Amarelo Manga atribui
estilo ao diretor pernambucano e apresenta uma entrevista
com ele num box de 5 colunas, o outro diretor,
residente nos EUA e marido da ex-mulher de Spilberg,
reclama que seu filme não saiu como planejado. Diz que a produtora
Miramax interferiu demais no seu trabalho.

Essa é a grande diferença entre os independentes do Brasil e de Hollywood.
Assis gastou R$ 450,000,00 no seu filme, ganhou o reconhecimento público
com prêmios em Berlim, Brasília e Ceará, sem falar na divulgação espontânea
que está tendo, esse texto incluso. Barreto não disse quanto gastou,
mas é sabido que um filme independente em Hollywood não sai por menos
de U$ 15.000,000, 00, fez um filme que ninguém viu e passa o dia no seu iate
na costa da Grécia reclamando uma liberdade que não tem
e nunca vai ter se continuar no esquema de Hollywood.

Para deixar Bruno Barreto ainda mais puto, conclamaria todos
os leitores a lhe enviar cópias piratas do segundo disco do mundo livre s/a,
cuja segunda música diz: não espere nada do centro se a periferia está morta
A periferia não está morta, essa é a segunda exclamação de Assis.
Ela remete à representação do brasileiro nordestino no cinema.
Quem espera chão rachado, retirantes da seca, Mestre Vitalino,
Ariano Suassuna, vai se decepcionar radicalmente com Amarelo Manga.
O filme se passa na fedorenta Recife contemporânea, a quarta pior cidade do mundo,
e está repleto de almas sebosas. O nordestino aqui gosta de carne vermelha, trai a mulher,
atira em cadáver, bebe cachaça, ouve samba, dub, rock, se fode, fode os outros,
ama ardentemente, se diverte, transpira, rouba e é roubado.
Não se gasta uma gota de saliva dedicada ao lamento.
A cidade está viva, reponde organicamente com crueldade
aos desmantelos associados do dia-a-dia.
O Brasil de Cláudio Assis é um pouco como o de Monteiro Lobato,
cheio de brasilidade e criaturas bizarras.



Quinta-feira, Outubro 16, 2003
[ PARA NÃO FICAR CHUPANDO MANGA ]

Confirmadíssimo!

Amanhã, 17 / 10, finalmente entra em cartaz o filme Amarelo Manga, de Cláudio Assis.
Em breve resenhas e depoimentos sobre o filme neste blog.

Lembramos que com a carteira da ABD-PB tudo fica mais gostoso!!! De segunda a quinta, abdista paga meia.

Serviço:
AMARELO MANGA, de Cláudio Assis
no
mag shoppingIV,
HORÁRIO:14:50 - 16:50 - 18:50 - 20:50



Quarta-feira, Outubro 15, 2003


[ VIDEO-ALIANÇA ]
Coloque seu ego de lado, vamos criar juntos!

O "Snackonart" é um programa de televisão sediado no Brooklyn - NY, voltado para a veiculação de video-arte.
Na ativa desde 1997, e com mais de 800.000 espectadores assíduos, o "Snackonart" convoca artistas do mundo
inteiro para participar do projeto coletivo "Vídeo-Aliança".

Segue abaixo a proposta de trabalho.

Objetivo: Artistas trabalhando juntos, explorando a distância que existe entre você e você.

Instruções: 30 vídeoartistas requeridos para trabalhar no projeto, juntos mas separadamente.
Proposta de realização de 5 ações, cada uma com 1 minuto de duração:
1- (você) vestindo sua coleção de camisetas
2- (você) movimentando partes do corpo
3- (você) examinando o espaço onde vive
4- (você) mostrando um única palavra
5- (você) oscilando entre guerra e paz
Duração: 5 vídeos de um minuto de cada artista, que, com os demais, irão
totalizar 5 fitas compostas pelos 30 minutos/vídeos de cada segmento.

Resultado: Aliança de vídeo-art-performance. Mostra no "Snackonart"
e apresentação em galerias, possivelmente: Exit Art, Threadwax space, Art of Space, Art in General e The New Museum.
Inscrição: Gratuita
Formatos aceitos: VHS NTSC e Mini DV NTSC
Todos os trabalhos terão copyright sob o nome de todos os participantes.
Crie suas cinco vídeos-performances de 1 minuto e envie para:
SNACKONART
PO BOX 050050
BROOKLYN
NY 11205
EUA

Maiores informações no site: www.snackonart.org


Segunda-feira, Outubro 13, 2003


o diretor Bruno de Sales num momento de descontração.





Quinta-feira, Outubro 09, 2003


O CÃO SEDENTO, de Bruno de Sales, está em fase de espera. Filmado em abril deste ano, a produção aguarda ansiosamente por uma ajudinha do governo do Estado para finalizar a película. Desde então o diretor joga paciência no computador.

Esta é a primeira investida de Sales como diretor de cinema. O trabalho foi produzido no modelo punk "Do-it-Yourself", coisa que ele se arrepende até hoje. Sua sorte foi a colaboração de uma equipe bastante empenhada que costuma exercitar o desapego material.

O filme narra uma noite e um dia na vida de Miss Gasoline, interpretada por Liuba de Medeiros, proprietárias das pernas que ilustram este texto. Neste período ela rouba e vende num desmanche de quinta um Maverick cor de gelo. No final, Tim Maia racional.

O responsável pela história base do filme é ninguém mais, ninguém menos que o artista plástico [ele vai odiar essa alcunha] Francisco José Leite, vulgo Shiko, que dedicava ao mofo das gavetas a história de Nina, uma puta-ladra-adolescente que rouba carros espaciais. Caso algum dia esse filme ganhe uma versão em dvd, o quadrinho, com certeza, será parte integrante da obra.

Detalhes do filme e cheques assinados em branco, falar com: brunodesal@yahoo.com.br
Deus abençoe.





Segunda-feira, Outubro 06, 2003
BOCA DE FORNO [lançamento las luzineides]


desejo citrullus


desejo citrullus [doc, 1min, cor, 2003]

O que uma mulher grávida pode perder em nome de um desejo.


Domingo, Outubro 05, 2003
[ SOLVENTE UNIVERSAL ]


Para se obter mundos diferentes, nada pode ser mais indicado do que o desgaste da solas dos sapatos. Na rua, as deformidades das calçadas, as ladeiras, sem querer, fazem do bolso uma pista de dança para o caleidoscópio guardado. O que era um pedaço verde da asa de uma borboleta, no instante de uma lombada, se transforma na folha da cannabis do Sertão de Pernambuco. Quanto mais você se movimenta, o mundo o caleidoscópio reinventa. Depois, quando a roupa suada vai para a lavanderia, o caleidoscópio esquecido no bolso entra em contato com a água e o mundo se torna uma líquida aquarela.

[isabela volátil]


Sábado, Outubro 04, 2003


A viagem de chihiro
(Sen to Chihiro no kamikakushi, Japão, 2001)

Demorou um pouquinho, mas acabou chegando por essas terras o primoroso A viagem de chihiro [Sen to Chihiro no kamikakushi, Japão, 2001], de Hayao Miyazaki. Apesar da cópia ser dublada e a dublagem ser um horror, ainda assim, valeu a pena ver. Porém, a exibição limitadíssima. Foi exibida no último final de semana, [27 e 28/setembro] e passará também nos dias 4 e 5 de outubro, no
cine multiplex 5.
Quem teve a oportunidade de assistir, conheceu Chihiro, menina de 10 anos, filha única e muito mimada do casal Ogino.
A família segue em viagem de mudança e ao invés de chegarem à nova casa, acabaram chegando a um lugar que mais parecia um parque temático. Os pais seduzidos por um cheiro delicioso adentram no lugar. Lá descobrem uma dezena de lojas que cercam o espaço inabitado. Um verdadeiro labirinto de iguarias apetitosas. Chihiro, assustada, não comeu nada. Ao contrário dos pais, que devoraram tudo e como recompensa, foram transformados em porcos nojentos.
A partir daí, Chihiro conhece Haku, seu aliado e descobre que está na verdade num mundo povoado por espíritos e deuses. E sua maior luta será reconquistar a passagem de volta e resgatar seus pais antes que sejam devorados pelos espíritos.
A produção ganhou merecidamente o Oscar 2003 de melhor filme de animação e levou o Urso de Ouro 2002. Lá nos Estados Unidos, foi distribuído pela Disney, comandado pelo diretor John Lasseter, o criador da série Toy story.
Sem dúvida uma animação de primeira classe. E principalmente, livre de violência tão comum aos desenhos de hoje em dia. Por isso, eu recomendo, seja você criança ou adulto, veja a viagem de chihiro.

Ficha técnica:
Gênero: Aventura
Censura: Livre
Duração: 125 min
Distribuidora: Europa
Produturas: Studio Ghibli, Dentsu, Mitsubishi Commercial Affairs NTV, Tokuma Shoten, Touhoku Shinsha, Walt Disney Pictures
Elenco: Rumi Hiiragi, Miyu Irino, Takeshi Naitou, Yasuko Sawaguchi, Tatsuya Gashuin, Koba Hayashi, Tsunehiko Kamijô, Ryunosuke Kamiki
Diretor: Hayao Miyazaki
Roteiristas: Hayao Miyazaki


Sexta-feira, Outubro 03, 2003


Para chatear os imbecis, para não ser aplaudido depois de seqüências dó de peito, para viver a beira do abismo, para correr o risco de ser desmascarado pelo grande público, para que conhecidos e desconhecidos se deliciem, para que os justos e os bons ganhem dinheiro, sobretudo eu mesmo, porque de outro jeito a vida não vale a pena, para ver e mostrar o nunca visto, o bem e o mal, o feio e o bonito, porque vi "simão no deserto", para insultar os arrogantes e poderosos quando ficam como "cachorros dentro d'água" no escuro do cinema para ser lesado em meus direitos autorais.

[Adriana Calcanhotto / Joaquim Pedro de Andrade ]


Quarta-feira, Outubro 01, 2003

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