Quarta-feira, Novembro 18, 2009
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Segunda-feira, Setembro 21, 2009
[ HOMENS E SWEET KAROLYNNE NO RIO DE JANEIRO ]
Queridos Amigos,
Um momento muito especial para o cinema paraibano. Duas de nossas produções estão em mostras importantes no Rio de Janeiro. Trata-se de HOMENS, de Bertrand Lira e Lucia Caus que participa do Festival do Rio 2009 e SWEET KAROLYNNE, de minha autoria que integra honrosamente a I Semana dos Realizadores!
Aproveito para convidar os amigos radicados ou de passagem na cidade maravilhosa para a exibição dos curtas. A programação segue abaixo:
Semana dos Realizadores!
>> Quarta, 23 de setembro
Sessão | 21h30
Morro do Céu, de Gustavo Spolidoro (RS)
+ Sweet Karolynne, de Ana Bárbara Ramos (PB)
A mostra acontece do dia 18 a 24 de setembro de 2009, no Unibanco Arteplex - RJ, Praia de Botafogo, 316.
Confira toda a programação no Blog http://semanadosrealizadores.blogspot.com
Festival do Rio 2009
Homens, de Lucia Caus e Bertrand Lira.
SAB (3/10) 23:59 Estação Botafogo 1
TER (6/10) 22:30 Estação Ipanema 2
QUI (8/10) 16:15 Est Barra Point 2
http://www.festivaldorio.com.br/site2009
O festival acontece de 24/09 a 08/10.
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Domingo, Agosto 16, 2009
[ NEM ELVIS NEM JARBAS MORRERAM, É TUDO UMA GRANDE INVENÇÃO ]
Edmundo, o cavaleiro solitário
O maior ícone do rock mundial, o homem que não morre nunca, Elvis Presley será homenageado numa dupla performance e com a exibição de três curtas-metragens neste domingo, dia 16, as 16h16m no bar do Elvis, localizado no Castelo Branco III, em frente ao contorno da UFPB. Na ocasião, Ed Presley 'the Lone Ranger' e Neto Presley irão interpretar os clássicos do Rei. Os seguintes curtas serão exibidos: 'Sweet Karolynne', de Ana Bárbara Presley, 'A Dama do Pau', de Everaldo Vasconcelos Presley e 'Eu vou tirar você deste lugar', de Giovani Presley.
A festa 'The Elvis Party 2009' é promovida pelo 'Almost Elvis fan club' e Bar do Elvis e conta com o apoio da Associação Brasileira dos Documentaristas – Seção Paraíba, Núcleo de produção digital Paraíba, Pigmento Cinematográfico e Las Luzineides coletivo audiovisual. A entrada custa R$ 2,00 e estudantes e abdistas pagam meia.
O grande cover man 'Ed Presley' vem aperfeiçoando a mais de 20 anos o seu show que foi elogiado pela crítica especializa no Rei. Para este domingo, Edmundo promete não decepcionar os fãs do ídolo. Além dos shows, haverá a discotecagem descontrol de Fábio Presley.
Além da incrível coincidência de terem sido filmados no mesmo local, os três curtas exibidos tem como elo de ligação a marcante presença de, (pasmem) Elvis Presley, o homem que não morre nunca. Em 'Sweet Karolynne', o Rei volta a origem e se metamorfoseia em um galo, chamado Jarbas. Segundo a diretora Ana Bárbara este filme é o projeto de sua vida. “Foram mais de cinco anos montado até chegar no produto perfeito: um filme glamouroso, galinacéo, que envolve Elvis, o homem que não morre nunca, em cenas chocantes e uma trama mirabolante”.
‘Eu vou tirar você deste Lugar’ e ‘Dama de Paus’ são filmes ficcionais que utilizam o cenário do bar para contar histórias distintas. ‘Dama de Paus’, dirigido por Everaldo Vanconcelos, aborda a realidade da exploração sexual de menores e a vida miserável das mulheres em um bordel convivendo com a exploração e as doenças sexualmente transmissíveis.
O bar do Elvis tem sido procurado por vários realizadores para servir de locação para seus filmes. Além dos três exibidos, outros projetos já estão em andamento. Gian Orsini, cineasta paraibano da vertente tarkovskiana, pensa seriamente em convidar a atriz Liuba M. para rodar a sua próxima ficção tendo como pano fundo o famoso bar. “É injusto pensar que Elvis tenha nascido nos Estados Unidos. Estou fazendo uma extensa pesquisa sobre o assunto e acredito piamente em sua descendência Russa. O filme terá como elementos, Elvis, o homem que não morre nunca, o bar e Liuba”.
Mais informações sobre a festa e as performances no telefone do Bar do Elvis, (83) 3243.6013, e sobre os filmes e todo o resto na ABD-PB, (83) 3221.8450.
'The Elvis Party 2009'
Shows + Filmes + Festa
Domingo, 16/08/2009 às 16h16
Local: Bar do Elvis – Av Castelo Branco III, em frente ao contorno da UFPB
R$ 2, e R$ 1,
Elvis cover com:
Edmundo ‘O Cavaleiro Solitário’ e Neto Presley
Exibição dos filmes:
A Dama do Pau, de Everaldo Vasconcelos
Sweet Karolynne, de Ana Bárbara Ramos
Eu Vou Tirar Você Deste Lugar, de Giovani
Realização: Bar do Elvis
Apoio: ABD-PB, NPD, Pigmento Filmes e Las Luzineides coletivo audiovisual
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Segunda-feira, Junho 08, 2009
[ FÓRUM DISCUTE O PRÊMIO LINDUARTE NORONHA DE CURTA-METRAGEM E ESCREVE CARTA AO SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO ]
"Carta redigida por Willis Leal, Lúcio Vilar, Marcus Vilar e Carlos Dowling em consonância com a discussão realizada no Fórum Permanente do Audiovisual Paraibano em 02.06.09"
Aconteceu na última terça-feira, 02 de junho, mais uma edição do Fórum Permanente do Audiovisual da Paraíba. Promovido pela ABD-PB e Funjope, o fórum tem como objetivo ser um espaço de discussão democrático sobre as ações de aspecto artístico-cultural e mercadológico do audiovisual paraibano. No último encontro a pauta foi o edital do Prêmio Linduarte Noronha de Curta-Metragem, lançado pelo Governo do Estado. A mediação do evento esteve sob a responsabilidade do produtor cultural e cineasta Carlos Dowling, presidente da Associação Paraibana de Documentaristas - Secção Paraíba.
Para Dowling, um dos aspectos mais positivos desta edição foi o encontro entre diferentes gerações de realizadores do estado. Na reunião estavam presentes desde pessoas que tem pensado sobre o cinema paraibano com larga experiência, como o pesquisador Willis Leal, até realizadores de uma novíssima geração como Ely Marques (O Plano do Cachorro) e Ivanildo Gomes. Ivanildo, diretor de longas da cidade de Soledade, foi personagem do premiado documentário Um Fazedor de Filmes, de Arthur Lins e Ely Marques. "Alguns dos nossos encontros não tinham essa presença de tantos realizadores e representantes de diferentes setores e gerações", enfatiza Dowling. A última edição do Fórum aconteceu durante o Cineport, objetivando discutir outras politicas públicas de fomento ao audiovisual.
O edital do Premio Linduarte Noronha de Curta-Metragem prevê financiamento de R$ 200 mil para realizadores paraibanos. A principal conclusão do fórum é de que este valor é limitado devido à demanda de produção recente na Paraíba. O desejo dos participantes é que a verba possa promover a realização não só de curtas, mas também de longas-metragem. "Nós sabemos que o fluxo financeiro da Paraíba é menor, mas é preciso lembrar que, em outros estados do Nordeste, onde a articulação do setor é melhor, existem editais de até R$ 4 milhões de reais", lembra Dowling. Ao final do evento foi escrita uma carta, destinada ao doutor Francisco Sales Gaudêncio, secretário de Educação do estado. O documento foi redigido por Willis Leal, Lúcio Vilar, Marcus Vilar e Carlos Dowling e assinado por 20 nomes que representam o audiovisual paraibano e que estavam presentes no Fórum. A carta já foi entregue à Secretaria de Educação do Governo do Estado da Paraíba e agora o Fórum aguarda novas informações e posicionamentos do governo do sobre o assunto. Logo abaixo segue a transcriação da carta e as assinaturas ao final.
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Excelentíssimo Professor Doutor Francisco Sales Gaudêncio
MD Secretário de Educação do Estado da Paraíba
Senhor Secretário,
Considerando a importância da criação do Prêmio Linduarte Noronha de Curta-metragem, anunciado pelo Governador José Maranhão, por ocasião do IV CINEPORT, vimos por meio desta externar o nosso aplauso à iniciativa e ao mesmo tempo pedimos vênia para sugerir o que se segue:
1. Que o valor dos recursos destinados para o citado Edital seja ampliado de R$ 200.000,00 (duzentos mil reais) para R$ 500.000,00 (quinhentos mil reais), a fim de poder beneficiar não apenas a produção em curta-metragem, mas também de longa-metragem, além dos setores de difusão (festivais, mostras e atividades cineclubistas), preservação e salvaguarda da memória audiovisual paraibana;
2. Que o Edital Linduarte Noronha se transforme em lei, a exemplo do FIC, condição essencial para evitar que venha sofrer solução de continuidade;
Assim procedendo, o Governo do Estado da Paraíba reconhece a atividade audiovisual como um instrumento estratégico e fundamental para o desenvolvimento social, econômico, turístico e cultural do Estado, ratificando, portanto nossa forte tradição cinematográfica que atravessou o século XX, realizando obras marcantes para a cinematografia regional, nacional e internacional.
Acreditamos, por fim, na sensibilidade de Vossa Excelência que, de pronto, atenderá este justíssimo pleito.
Subscrevem este documento:
Carlos Dowling
Marcus Vilar
Elinaldo Rodrigues
Rizemberg Felipe
Torquato Joel
Liuba de Medeiros
Francisco Sales L. Segundo
Adjailson Antonio Cantalice dos Santos
Ana Bárbara Ramos
Emerson da C. Sousa
Abraão Matheus S. de Lima
Frederico de Carvalho Carneiro
Ivanildo Gomes de Lima
Rafael de Carvalho Carneiro
George Martins
Marcilio dos Santos
Rafael de Souza Monguilhott
Ely Marques
Bruno de Sales Wanderley
Gian Filipe Rodrigues Orsini
Bertrand Lira
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Sábado, Junho 06, 2009
[ O PLANO DO CACHORRO EM HUESCA ]
A dupla dinâmica Arthur Lins e Ely Marques não quer saber de outra coisa a não ser sair pelo mundo afora de festival em festival acompanhando o seu novíssimo curta O plano do cachorro. O festival da vez é o Festival Cine de Huesca, na Espanha. Como eles são chiques partiram para lá sem pestanejar na última quarta, 3 de junho. A sessão do curta acontece hoje no Salón de Actos de la Diputación Provincial de Huesca, às 17h, horário local.
Aproveitando essa boa nova, resolvi sacar do arquivo da finada Margem um texto de Ramon Porto em que o rapaz fala das filmagens do curta ocorridas em outubro passado, na Marciel Pinheiro. Dêem uma sacada e por aqui fico na torcida por mes amis e aguardando a tal cobertura do festival que Arthur prometeu com exclusividade para o Birilo.
[ GUERRILHA NA MACIEL PINHEIRO ]
Por Ramon Porto Mota
O relógio marcava quase dez da noite quando virei a esquina da Sá Andrade com a Maciel Pinheiro, no centro histórico de João Pessoa. No começo da rua já avistava a movimentação da equipe, que deveria ter chegado às 7h para preparar a locação e montar o equipamento. Até então não havia sido filmado um único plano sequer da ordem do dia e ainda faltavam alguns ajustes para que rodassem a câmera pela primeira vez no último dia de filmagem d’O Plano do Cachorro.
Calado e pisando devagar, fiz o que mais se faz em um set de filmagem: esperei. E em silêncio absoluto. O primeiro plano era, aparentemente, simplíssimo: um personagem (interpretado por Flávio Melo) próximo da câmera deitado no chão e o outro (interpretado por Nanego Lira) mais à frente, em pé. O primeiro levanta subitamente. Corta. Coisa rápida, sim? Bem, não. Faltava ajustar alguns detalhes, e o primeiro deles – a lista sempre é longa – ficou visível quando um caminhão pipa cortou a Maciel Pinheiro, passando a poucos metros da câmera.
Simples questão de continuidade: a chuva que caiu no primeiro dia de filmagem obrigou a equipe a molhar o asfalto da Maciel Pinheiro, obrigando a produção a se virar em busca de um carro pipa – ou então teríamos um plano com o chão molhado e o contra-plano com o chão seco. O pavor que Hitchcock nutria por filmagens em externas não sai por menos, e aqui se mostra sintomático, quando se quer o tempo bom se tem chuva, quando se quer chuva se tem o céu mais limpo. Afora isso – que já não é pouca coisa –, a equipe de fotografia brigava para iluminar a cena, que se passava à noite e no meio da rua, com um parque de luz não tão abundante.
A primeira movimentação no set já indicava uma filmagem difícil. Mas, que filmagem no meio da rua, com pouco dinheiro (ou seria com quase nenhum dinheiro? Como Godard filmou Acossado, quando não tinha dinheiro nem para comprar uma passagem de metrô) e à noite não é difícil? Ainda assim, esta era só a ponta do iceberg. O roteiro ainda pedia uma seqüência com um cachorro (que fora filmada um dia antes) e vários outros planos onde alguns carros passavam rente à cabeça do personagem estatelado no chão. Para um dos diretores d’O Plano do Cachorro, Arthur Lins, “o que no roteiro é um plano simples, um filme simples, no set você percebe que até a simplicidade exige muito trabalho, muito esforço”. Ainda mais quando você filma sem grana e em esquema de guerrilha. Neste caso (e talvez em todos os casos do cinema paraibano) o único esquema possível.
A idéia d’O Plano do Cachorro surgiu em uma noite de outubro de 2007 de uma vez só. Arthur Lins pensava compulsivamente em um filme que estivesse carregado de seus elementos estéticos e temáticos favoritos e que, segundo ele, não se encontravam facilmente no cinema paraibano: “Seria um filme que retratasse o universo urbano da madrugada, que causa medo, tensão e angústia, mas que ao mesmo tempo ressalta a solidão da cidade, a aspereza das relações entre as pessoas”. Enfim, Arthur buscava uma boa idéia para uma ficção em película que pudesse também ser um filme simples do ponto de vista de produção, e que tratasse de “desejos mórbidos, violência gratuita, cachorros vadios perambulando pela madrugada”.
O título do filme, O Plano do Cachorro, foi roubado do genial diretor norte-americano Sam Peckinpah – dono de obras-primas como: Meu Ódio Será sua Herança, Pistoleiros do Entardecer e Sob o Domínio do Medo, isso para ficarmos em apenas três exemplos –, que logo após filmar seus tiroteios, normalmente mais homéricos do que Ilíada, caía fora do ser ordenando ao diretor de fotografia: “agora, filma o plano do cachorro!”, um simples plano de cobertura, que Bloody Sam poderia utilizar a qualquer momento na montagem de suas magníficas cenas de ação.
O passo seguinte de Arthur foi procurar o parceiro Ely Marques e começar a desenvolver o roteiro; o que não demorou muito, pois logo eles maturaram a idéia e apararam as arestas, partindo direto para a segunda etapa (o terror de todo produtor independente): levantar a produção.
A princípio o negócio seria filmar em 35mm, aproveitando as latas de película cedidas pelo CTAV que Arthur e Ely receberam como prêmio pelo O Fazedor de Filmes (curta anterior dos diretores) no Cineport de 2007, e o equipamento de iluminação da QUANTA, outro prêmio que O Fazedor recebeu, só que dessa vez no Cine Esquema Novo, também de 2007. Porém, os altos preços de aluguel de uma câmera 35, somados à burocracia de conseguir a câmera emprestada no CANNE (Centro Audiovisual Norte e Nordeste) e a dificuldade de financiar o restante do orçamento do filme através de editais e incentivos (o projeto foi inscrito no FIC e no Fundo Municipal de Cultura de João Pessoa sem sucesso algum, o que terminou por atrasar, e muito, a produção do filme) obrigou-os a diminuir 19mm da película a ser usada, buscar a Arriflex 16mm da UFPB e iniciar o cronograma de produção.
Cansados de esperar pela bem aventurança do Governo, Arthur e Ely decidiram pela possibilidade mais urgente: levantar a produção no braço. Tomaram tal decisão no último mês de setembro e as filmagens foram marcadas para os dias 12, 13, 14 e 15 do mês seguinte. O pouquíssimo tempo entre a tomada de decisão e a filmagem foi superado – não sem dificuldades, é claro – com a ajuda do coletivo audiovisual Las Luzineides, que topou tomar parte no filme, ajudando a levantar a produção e buscando os apoios necessários para preparar a filmagem.
É aí que reside o trabalho duro de verdade, não que pensar o roteiro, mexer nos equipamentos e ensaiar os atores seja trabalho simples, mas correr atrás de estrutura para organizar um set, definitivamente, não é nada fácil. Conseguir a alimentação, o transporte, os equipamentos e a estadia de mais de vinte pessoas – uma equipe pequena, diga-se – é complicado, e as coisas pioram ainda mais quando o dinheiro é escasso e quando todo e qualquer detalhe fazem a diferença – vide a chuva que caiu no primeiro dia de filmagem e o caminhão pipa que foi obrigado a aparecer no último dia.
O SEBRAE-PB, o CTAV, a Quanta, a ABD-PB, a produtora Canário, a Flamboyant, a Vídeo Store, a Energisa, a FUNJOPE (Fundação Cultural de João Pessoa) e a Universidade Federal da Paraíba entraram como apoiadores do filme, garantindo apoios básicos para produção. Logo após garantir tais suportes, a produção d’O Plano do Cachorro começou a pensar em uma equipe que encarasse o projeto como algo coletivo e que, principalmente, topasse trabalhar sem receber dinheiro algum. Com isso, Arthur, Ely e Las Luzineides não tiveram maiores problemas. Conseguiram uma equipe muito bem preparada, que contou com o ator Nanego Lira, que atuou em O Grão, filme de estréia de Petrus Cariry, e com alguns dos melhores técnicos da Paraíba, como o diretor de fotografia João Carlos Beltrão e o diretor de som Guga S. Rocha. Vencidas as etapas de pré-produção, é hora de voltar-se para o set.
Depois de o caminhão pipa ensopar o asfalto da Maciel Pinheiro, de determinarem a marcação de luz da cena, de ajustar os detalhes de figurino (era preciso molhar a barra da calça do ator já que o chão estava encharcado), de ensaiar várias e várias vezes e de três takes batidos, os diretores e a equipe conseguiram matar o primeiro plano da noite. Também não havia maiores possibilidades de refazer ou mudar algum detalhe da cena, Arthur e Ely só dispunham de 10 rolos de película e O Plano do Cachorro está previsto para durar dez minutos, ou seja, para cada plano que fosse filmado, este só poderia ser re-filmado três vezes. Contingência de produção, resta aprender a lidar com ela.
As filmagens das cenas seguintes, grande parte complemento da seqüência do plano anterior, desenrolaram-se de forma parecida ao primeiro plano rodado: muita espera, preparação e ensaio antes de filmar o primeiro take. Variavam-se entre campos e contracampos do que parecia um silencioso duelo de olhares de olhares e gestos entre os personagens de Nanego Lira e Flávio Melo e planos que incluíam um Maverick 75 branco – que também foi ator/personagem no curta Cão Sedento de Bruno de Sales. Nas minhas contas (vocês sabem que a memória é algo que escorre pelos dedos, que não dá pra confiar totalmente) filmaram uns quatro planos do Maverick: dois do carro correndo a Maciel Pinheiro, cada um de um lado da rua; uma subjetiva do carro e outro plano do Maverick passando rente ao corpo de Flávio Melo deitado no chão.
Essa contagem de planos que fiz aí em cima, que um ser humano leva uns quarenta segundos para ler, tomou quase a noite toda. Quando fui olhar pro relógio novamente, os passarinhos já cantavam – se bem que em João Pessoa os passarinhos têm o costume de começar a cantar às duas da madrugada – e já faziam seis horas que eu tinha chegado à Maciel Pinheiro. A noção de tempo em um set de filmagem se dilata e se contrai simultaneamente, da mesma forma que tudo é extremamente demorado e gira em torno de uma grande espera para que cada atividade do set se organize, o tempo é escasso para a quantidade de coisas que se tem para fazer, terminando por esvair-se sem que você possa se dar conta totalmente.
Àquela hora da manhã, o cansaço batia e o corpo começava a pedir arrego – imagina o de quem estava nessa desde domingo (o último dia de filmagens se deu numa quarta-feira), das sete da noite às sete da manhã, João Carlos Beltrão, por exemplo, ficou quarenta e oito horas seguidas sem dormir –, mesmo assim ainda faltava uma única cena para rodar, colocada propositalmente, acredito eu, para o fim da madrugada do último dia de filmagem, já que os atores e a equipe teriam que subir correndo (várias vezes, é claro, mais de um plano e obviamente mais de um take) a ladeira da Cinco de Agosto, uma ruela pequena, estreita e escura que desemboca no fim da Maciel Pinheiro.
Da corrida de Nanego e Flávio a equipe filmou seis planos: um no qual João Carlos Beltrão, sentado na mala de um carro, filmava os atores subindo a ladeira; outros dois planos com a câmera fixa no chão para pegar os pés dos personagens; mais um plano em que Beltrão com a câmera no ombro corria atrás de Nanego e Flávio; outro plano para pegar as sombras dos intérpretes no chão; e por fim – agora não mais na ladeira da Cinco de Agosto, mas na Maciel Pinheiro – planos próximos e closes dos personagens.
A correria foi acabar quando o sol já havia nascido. Porém, as filmagens d’O Plano do Cachorro ainda não tinham terminado, faltava gravar o áudio da cena anterior, já que o diretor de som e o seu assistente não acompanharam a filmagem desses planos. Nanego e Flávio esbaforidos terminaram indo descansar e foram substituídos por Ivanildo Gomes – o personagem principal d’O Fazedor de filmes, que estava trabalhando de assistente de set – e Bruno de Sales – assistente de fotografia –, que correram pela Maciel Pinheiro no lugar dos atores.
Agora sim, fim das filmagens, mas não da produção d’O Plano do Cachorro. Além de desmontar, guardar e devolver todo o equipamento (de fios até o set de luz cedido pela QUANTA) utilizado no filme – a desprodução, como é chamada – começava também o momento de se preocupar com a finalização do curta. Talvez a etapa de produção que mais venha a dar dor de cabeça a Ely, Arthur e Cia.
Foi só quando o projeto d’O Plano do Cachorro não foi aprovado em nenhum edital que Arthur e Ely resolveram bancar a produção do filme. Os prêmios que receberam e os apoios que conseguiram ajudaram a financiar a filmagem e parte da finalização. O restante necessário para finalizar o curta “à altura do esforço de todos na produção e captação”, como bem disse Ely Marques, até o momento não existem e a equipe de produção vai ter que correr muito para levantar a grana.
Para a etapa de finalização, Arthur e Ely contam com uma parte da premiação que receberam do CTAV para iniciar o processo de pós-produção. A revelação da película 16mm já está garantida, mas só pode ser feita em laboratórios no sul do país, portanto falta o dinheiro para a passagem de avião e a estadia para que pelo menos um dos diretores possa acompanhar o processo de finalização do filme – que não se resume unicamente a revelação da película. Além da viagem, a produção d’O Plano o Cachorro terá que bancar o financiamento para outras etapas de finalização Falta conseguir o dinheiro para o telecine do filme, processo que passa a película para vídeo; a transcrição ótica do som na película; e o blow-up do 16mm para o 35mm – tipo de película padrão para captação e exibição profissionais de cinema.
Não há nenhuma data definida para concluir a produção d’O Plano do Cachorro. A idéia é tê-lo pronto para exibição em Janeiro ou Fevereiro de 2009, mas ninguém pode dizer ao certo se isso vai ou não acontecer. No momento em que fechamos essa edição a película estava para ser revelada e não havia grandes mudanças no panorama de financiamento da pós-produção.
As contingências de produção continuam atacando e transformando as produções independentes da Paraíba – aliás, do mundo inteiro –, tornando os esquemas de guerrilha (detonados como modelo de produção independente na Nouvelle Vague francesa da década de 60) para a captação e produção de filmes como quase que a única possibilidade para se filmar com liberdade aqui na Paraíba, já que pouquíssimas pessoas conseguem financiamento através de editais.
(Muitos desses editais, como o FIC e o FUMUC, são abertos a todo tipo de manifestação artística, o que gera um problema a priori, já que o esquema de produção e financiamento de cinema é muito mais custoso e difícil que qualquer outra forma de arte, necessitando de editais e esquemas de financiamento próprios. Talvez esteja na hora de começarmos a pensar em uma articulação para editais voltados exclusivamente para o audiovisual).
Um exemplo para o domínio do esquema de guerrilha na Paraíba está na quantidade de produções que foram e serão viabilizadas dessa maneira. No fim de 2007 e começo de 2008, Ronaldo Nerys e Helton Paulino realizaram seus filmes (As Bonecas de Davi e Terra Erma, respectivamente) neste esquema, quase sem nenhum apoio, financiado do próprio bolso. Agora no fim de novembro Bruno de Sales vai abrir uma guerrilha própria, iniciando uma produção (as barricadas serão abertas na Bica em João Pessoa), também filmada em película (só que em 35mm) e também filmada como Godard filmou Acossado, ou seja, com quase nenhum dinheiro. No último mês de 2008, Jhésus Tribuzi segue no mesmo caminho e vai abrir suas barricadas e levantar uma produção em insanos esquemas de guerrilha.
Para além do romantismo de filmar de maneira independente e com pouquíssimo dinheiro, produzir em esquema de guerrilha aqui na Paraíba, ao que parece, é a única forma de se produzir, e só quem trabalha assim sabe o quão infortúnia (sem trocadilhos) é uma situação como essa, mesmo que ninguém vá deixar de filmar por causa disso.
Por fim, Arthur Lins resume muito bem a situação: “Acho que o fazer cinema já é difícil e complicado por natureza. Em um processo mais convencional de se fazer ficção em película ou com a estrutura de produção costumeira de um set, como foi o caso d’O Plano do Cachorro, precisa-se de muita gente, muita mão de obra, e junto com isso, é comida, transporte, equipamentos, enfim muito esforço. No nosso caso, tem o lance de fazermos o curta sem a grana suficiente, apenas com apoios logísticos mínimos, então é complicado você deslocar as pessoas para trabalhar das sete da noite até às sete da manhã do dia seguinte e saber que todos ali têm outras coisas pra fazer no dia seguinte. É algo que é muito bonito e romântico no plano das idéias, do cinema de guerrilha, independente, mas na prática é algo realmente difícil, e aí você percebe que cinema se faz com grana mesmo, com idéias e vontade também logicamente, mas o fator dinheiro ainda é determinante. Acho que grandes filmes deixarão de ser feitos por falta de dinheiro. Não só aqui, mas no mundo todo”.
Ramon Porto Mota. Guerrilha na Maciel Pinheiro. In A Margem, Ano 2, nº 11. Campina Grande, PB: novembro/dezembro 2008, p. 9-11.
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Quarta-feira, Junho 03, 2009
[ LANÇAMENTO DO DOCTV PARAHYBA HOJE NO SANTA ROZA ]
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Segunda-feira, Junho 01, 2009
[ REVELANDO OS BRASIS EM JOÃO PESSOA HOJE ]
A Praça da Paz, no bairro dos Bancários será palco do lançamento do Circuito de Exibição Revelando os Brasis Ano III, a partir das 19h. O evento é realizado pela Secretaria do Audiovisual do Ministério da Cultura (SAv/MinC) e pelo Instituto Marlin Azul, com patrocínio da Petrobras e parceria com o Canal Futura.
Na programação de hoje serão exibidos quatro curtas produzidos no projeto. Pegando carona na sessão de hoje à noite, os realizadores da mostra aproveitarão para exibir o curta Homens, dirigido por Lúcia Caos e Bertrand Lira. Confira as sinopses dos filmes:
O Baque da Zabumba Centenária Contra o Tic-Tac do Tempo
de Genaldo de Souza Barros
Iati – PE
Documentário: Homenagem ao zabumbeiro Mané Rita, falecido em 2008, aos 104 anos e 30 dias de idade, fundador da Zabumba de Mané Rita e grande incentivador da tradição das bandas de pífanos que animam as novenas da comunidade de Iati.
Passarelas: Uma História de Carnaval
de Charles Deodato do Nascimento
Casinhas – PE
Ficção: As peraltices de um menino que sai para brincar com os blocos e se perde entre os foliões, distanciando-se de casa, ao mesmo tempo em que um grupo de moradores da cidade desfila no Sambódromo, no Rio de Janeiro, no ano em que a Escola de Samba Império Serrano homenageou o escritor Ariano Suassuna.
Capa de Chuva
de Zito Nunes de Siqueira Júnior
Sumé – PB
Ficção: Num cantinho isolado do Cariri paraibano, uma família mora e sobrevive a custo de muito trabalho, enfrentando todas as adversidades. Um dia, o pai retorna com alguns presentes para os filhos: para os mais novos, brinquedos populares, e para o mais velho, uma capa de chuva, presente inusitado para quem vive no sertão.
Talhado
de José Aderivaldo Silva da Nóbrega
Santa Luzia – PB
Documentário: Em 1960, o processo de ocupação do sítio Talhado, iniciado pelo escravo José Bento, foi registrado pelo cineasta Linduarte Noronha no documentário “Aruanda”. Em 2004, Talhado e parte do Bairro São José foram reconhecidos como áreas remanescentes de quilombo. Esse reconhecimento produziu uma nova relação entre o povo, agora quilombola, e os habitantes das outras áreas da cidade. Não se trata mais do povo isolado em área distante, mas de uma população que interage e que marca culturalmente e socialmente a vida da cidade.
Homens
de Lucia Caus e Bertrand Lira
Espirito Santo - ES
Mostra as dificuldades e preconceitos enfrentados por homossexuais em cidades pequenas, desde a visita a missa a vontade de fazer uma mudança de sexo. O lado sentimental também é mostrado, como um homem já idoso que se permitiu vivenciar uma relação homoafetiva.
A iniciativa marcará o retorno das produções às comunidades de origem dos realizadores dos vídeos. O Revelando os Brasis tem por objetivo promover inclusão e formação audiovisuais através do estímulo à produção de vídeos digitais em locais, que em sua maioria, não tem cinema. A partir de um concurso de histórias, moradores de municípios com até 20 mil habitantes, enviam textos que gostariam de transformar em vídeos. Quarenta deles são selecionadas a cada edição do projeto e seus autores participam de oficinas.
Outras informações: www.revelandoosbrasis.com.br/.
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Sexta-feira, Maio 29, 2009
[ CINEMA PARAIBANO É DESTAQUE NESTE FINAL DE SEMANA EM GUARABIRA ]
Entre os dias 29 a 31 de maio o projeto ‘Cinema Adentro’ exibe mostra com os mais representativos filmes do cinema paraibano
Por Arthur Lins
oficina
cão sedento
o meio do mundo
Percorrer a trajetória do cinema paraibano por mais de quatro décadas, numa viagem audiovisual que se inicia com o curta ‘Aruanda’ (1960) e segue até o recente ‘O meio do Mundo’ (2006), passando por mais de 13 curta-metragens divididos em suas afinidades estética e históricas. Esta é a proposta da ‘Mostra do Cinema Paraibano de Curta-metragem’, que integra a programação do projeto ‘Cinema Adentro’ em visita a Guarabira neste final de semana, dias 29, 30 e 31 de maio.
“Acreditamos que conhecer e refletir sobre o cinema produzido na Paraíba é fundamental para entendermos melhor a nossa formação cultural. A mostra deve aproximar o público de seu cinema e ainda despertar novas vocações no interior do Estado”, ressalta a cineasta Ana Barbára Ramos, produtora executiva e oficineira do projeto.
Na mostra estão contemplados as principais vertentes estéticas e temáticas do cinema paraibano. Documentários de cunho mais social e crítico, como ‘Gadanho’, ‘Aruanda’ e ‘Imagens do declínio ou Babe coca beba cola’, dividem espaço com ficções contemporâneas que abordam o universo rural (‘O meio do mundo’, ‘Alma’) e o ambiente urbano (‘A sintomática narrativa de Constantino’ e ‘Cão Sedento’).
Assim como aconteceu em outros municípios onde a mostra foi exibida, como em Catolé do Rocha, Lucena e Soledade, em Guarabira ela será dividida em três dias, a partir dessa sexta-feira, 29, começando sempre às 19h30 e com acesso gratuito para toda a população. A mostra ocorre no Teatro Geraldo Alvergno, no centro da cidade, local também das oficinas de realização audiovisual e cineclubismo que são oferecidas nas manhãs e tardes durante o mesmo período da mostra.
“Não há prática audiovisual sem reflexão propiciada pelo visionamento de filmes. Por isso, além da mostra, outro objetivo do projeto é estimular a formação de cineclubes no interior do Estado, criando a base para uma ação contínua e abrangente”, ressalta Ana Barbára.
CINEMA ADENTRO
Promovido pela Associacão Brasileira de Documentarista - secção Paraíba (ABD-PB), com o patrocínio do Banco do Nordeste, o ‘Cinema Adentro’ promove oficinas e exibição de filmes no interior do Estado. As cidades atendidas contam sempre com três dias de atividades audiovisuais centradas no cinema paraibano de curta-metragem: oficinas de realização cinematográfica ministradas por realizadores paraibanos, oficinas de cineclubismo e mostra de cinema paraibano de curta-metragem.
O objetivo do projeto é estimular a formação do olhar e o pensamento crítico das populações das cidades visitadas a partir do universo regional apresentado nos filmes, fomentando assim o conhecimento e a preservação do patrimônio cultural imaterial paraibano. Todas as atividades são gratuitas. Mais informações pelo telefone (83) 3221-8450.
ABD-PB
A ABD-PB é uma instituição sem fins lucrativos que tem como principal objetivo estimular o Audiovisual na Paraíba com atenção especial ao Curta-Metragem e ao Documentário nos mais variados suportes e formatos, atuando em três linhas centrais de ação relativas ao audiovisual: Apoio à Difusão; Apoio à Formação e Apoio à Realização Independente.
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Segunda-feira, Maio 25, 2009
[ EU MARCHAREI NA TUA LUTA ]
Por Taísa Dantas
Uma casa que abriga sonhos e o reconhecimento da busca por melhores condições de moradia, respeito e dignidade, este é o argumento do vídeo documentário “Eu marcharei na tua luta”, que será lançado nesta quinta-feira (28) às 19h30, na própria locação do vídeo, a Residência Universitária Feminina Elizabethe Teixeira (RUF I), da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) localizada na Diogo Velho, 231, no Centro de João Pessoa.
Dirigido pela jornalista Renata Escarião, o documentário é construído a partir das falas de personagens que viveram as mais distintas fases do ambiente que desde a década de 60 abriga estudantes UFPB que não possuem residência em João Pessoa, e no ano de 2004 viveu um dos momentos mais significantes da sua história, a luta pela reforma.
Um ambiente sem estrutura adequada, em verdadeiro estado de abandono, com problemas hidráulicos, elétricos e por muitas vezes superlotado, essa realidade foi vivida durante muitos anos pelas residentes da RUF. Aliado a isso, preconceito e várias situações de discriminação sofridas pelas residentes, uniram as estudantes que iniciaram as reivindicações pela reforma estrutural da casa e pelo respeito àqueles que vivem nas residências universitárias.
“Este foi um momento muito marcante, pelo sentimento de justiça que nos moveu, pelas dificuldades que passamos durante todo o processo e ainda mais pelo sentimento de dever cumprido quando, depois de muita luta, conquistamos a reforma e melhoramos as condições de vida de todas as meninas”, comentou Renata Escarião, que além de dirigir, elaborou o roteiro a partir da sua vivência como uma das estudantes residentes e envolvidas na luta pela reforma.
Segundo Renata Escarião este também foi um momento histórico porque pela primeira vez mulheres ocuparam a reitoria da UFPB e exigindo reconhecimento, conseguiram fazer com que a cultura de desrespeito e descaso com moradores da residência universitária acabasse.
Toda essa movimentação política, de lutas intensas, são relembrados por meio dos depoimentos de quem viveu esse momento. Em meio a isso também é mostrado no vídeo “Eu marcharei na tua luta” o dia a dia de quem mora na residência universitária e ainda relatos de quem já passou por lá e sem dúvidas percebe a importância daquele espaço para centenas de estudantes que já moraram na RUF I.
“Eu marcharei na tua luta” é o primeiro trabalho da jornalista Renata Escarião na área do audiovisual e se divide entre um diário de quem já compartilhou dos dramas e das alegrias de residir na RUF I e de como jornalista fazer o registro de momentos marcantes para os estudantes da UFPB.
“Eu costumo dizer que não nasci pra ser cineasta porque os meus objetivos foram mais políticos que cinematográficos para realizar esse trabalho. A nossa luta foi muito maior que a reivindicação de uma estrutura melhor para morar, foi uma luta por respeito que buscou chamar a atenção da sociedade para a importância de continuar defendendo uma universidade pública e uma política de assistência estudantil que dê reais condições do estudante se manter na universidade. Graças aquela casa eu realizei sonhos. Graças a nossa luta muitos ainda podem continuar sonhando”, enfatizou Renata Escarião.
Eu marcharei na tua luta - Após a reforma, terminada em 2007, a residência ganhou o nome da líder camponesa Elizabete Teixeira, que lutou ao lado de João Pedro Teixeira na época da ditadura. O nome é um reconhecimento da luta desempenhada pelas moradoras da casa.
O titulo do documentário é uma frase de Elizabethe Teixeira dita ao marido no momento da sua morte: " 'Eu marcharei na tua luta' sempre teve grande significado para todas as meninas que participaram da luta pela manutenção e melhoria da RUF I e que tomaram a casa como a causa pela qual marcharam e pela qual muitas outras continuarão marchando', explicou Renata Escarião.
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Quarta-feira, Maio 06, 2009
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Terça-feira, Abril 28, 2009
[ TINTIN CINECLUBE ]
É com muito prazer que anunciamos o retorno do Tintin Cineclube, dia 30 de abril de 2009, com uma sessão especial de lançamentos do Assacine - filmes inéditos quentinhos saídos do forno.
1. sweet karolynne, de Ana Bárbara Ramos [JP, 2009, Doc, 13’]
Os bons tempos nunca foram tão bons.
2. nowergian wood, de Thais Gualberto [CG, 2009, FIC, 8’]
Dois jovens se unem para celebrar a amizade em meio a muita música, álcool e nicotina.
3. chã de fora, de Otto Cabral [JP, 2009, Doc, 6’]
O melhor pedaço já está garantido.
4. aos pedaços, de Taciano Valério [CG, 2009, Doc, 8’]
A vida ou um filme podem se acabar aos pedaços quando há a difícil conciliação entre a arte e a vida doméstica de um diretor de cinema.
Após os filmes, serviço de bar da Enjoy, com degustação de bebidas mils e tapas variadas, e a tradicional festa do Tintin apresentando Chico Correa e Carol Morena na discotecagem descontrol. E ainda, lançamento da revista A MARGEM 8 e intervenção gráfica de Spencer.
VAI LÁ:
Dia 30 de abril de 2009, às 21h, no Cine Teatro Lima Penante.
R$ 2,00 | R$ 1,00 (estudantes e abdistas)
Av. João Machado, 67, Centro {no mesmo prédio onde funcionam o NTU [Núcleo de Teatro Universitário] e o NAC [Núcleo de Arte Contemporânea] }
83 3221 8450 | abdpb.org.br |
Apareçam, vai ser muito bom mesmo.
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Terça-feira, Janeiro 27, 2009
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ffff
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Quarta-feira, Dezembro 17, 2008
[ ARUANDA ]
FESTIVAL PARAIBANO, DEDICADO AO CINEMA UNIVERSITÁRIO, PREMIA FILME SOBRE FUTEBOL, PROGRAMA DA TV USP E CHAMA ATENÇÃO PARA O CINEMA DE JOVEM DE 22 ANOS
Por Maria do Rosário Caetano*
João Pessoa (Paraíba) -- Um ídolo esquecido do futebol, um jovem de 22 anos e uma reportagem sobre célula-tronco realizada pela TV USP (Universidade de S. Paulo) foram os grandes vencedores do IV Festival Aruanda do Cinema Universitário, encerrado na madrugada de ontem (domingo,14-12-2008), em João Pessoa, na Paraíba.
O pernambucano Ademir Menezes, o Queixada, astro revelado pelo Sport de Recife e glória do Vasco da Gama, tornou-se o maior goleador de uma só Copa (a traumática, de 1950). Mas caiu no esquecimento. Tudo porque não conseguiu fazer o gol que o Brasil necessitava para empatar com o Uruguai e tornar-se campeão do mundo. Nem os 9 gols que marcara no campeonato mundial fizeram dele um herói. "No Brasil", costumava dizer Ademir, "ninguém aceita a condição de vice". Sua história é lembrada no documentário "Um Artilheiro no Meu Coração!", do recifense Lucas Fitipaldi, que conquistou o Troféu Aruanda de melhor documentário no festival paraibano.
O jovem André Costa (22 anos), nascido em Campina Grande, na Paraíba, causou sensação. Competiu com dois documentários e os dois foram -- com muita justiça -- premiados. "Amanda e Monick", sobre dois travestis que vivem numa pequena cidade do sertão do Cariri, foi eleito o melhor filme paraibano. Já "A Encomenda do Bicho Mendonho", sobre um escultor de 94 anos, David Ferreira, que criava seus trabalhos "sob encomenda" de um monstro imaginário, ganhou o Prêmio Banco do Nordeste, o mais cobiçado, pois além de troféu, ofereceu prêmio em dinheiro. O jovem campineiro, que faz filme com baixíssimos orçamentos, vibrou. Anotem o nome deste rapaz, pois ele está preparando seu primeiro longa-metragem, tem muito talento e imaginação das mais férteis.
Uma reportagem feita por equipe (liderada por Pedro Ortiz) da TV USP (para a TV Universitária de SP), sobre células-tronco, ganhou o principal prêmio em sua categoria.
O melhor filme de animação foi "As Scimas do Destino" (inspirado em poema de Augusto dos Anjos), de Paulo Leonardo Filho, de Pernambuco. O melhor curta ficcional foi "Maridos, Amantes e Pisantes" (inspirado em dois textos de Luis Fernando Verissimo), dirigido pelo carioca Ângelo Defanti.
O júri popular preferiu o documentário "Hiato", do carioca Vladimir Seixas. Em agosto de 2000, um grupo de manifestantes (a maioria moradores de favela) ocupou pacificamente um grande shopping center (o Rio Sul). A reação (apavorada) dos frequentadores e vendedores do templo do consumo foi de susto e rejeição. A ensaísta Ivana Bentes e o cineasta Silvio Tendler analisam o mal-estar provocado pelos "invasores".
Homenagens -- O Fest Aruanda homenageou as atrizes Eliane Giardini (estrela do longa paraibano, "O Salário da Morte"/1970) e Conceição Senna (Iracema, Uma Transa Amazônica), o ator Fernando Teixeira (Baixio das Bestas) e o diretor fluminense Walter Lima Jr (Os Desafinados), muito estimado na Paraíba desde 1965, quando levou às telas o romance "Menino de Engenho", de José Lins do Rego.
IV FEST ARUANDA | LISTA DE PREMIADOS
MELHOR DOCUMENTÁRIO:
"UM ARTILHEIRO NO MEU CORAÇÃO",
DE LUCAS FITIPALDI, DE PERNAMBUCO!
MELHOR FICÇÃO:
"MARIDOS, AMANTES E PISANTES, DE ANGELO DEFANTI,
DO RIO DE JANEIRO!
MENÇÃO HONROSA PARA O DOCUMENTÁRIO
"CHÁ DAS TRÊS", DE IVO JR., DO RIO GRANDE DO SUL!
TROFÉU RODRIGO ROCHA DE MELHOR FICÇÃO PARAIBANA:
"TERRA ERMA", DE HELTON PAULINO!
TROFÉU RODRIGO ROCHA DE MELHOR DOCUMENTÁRIO:
"AMANDA E MONICK", DE ANDRÉ COSTA!
TROFÉU RODRIGO ROCHA DE MELHOR VÍDEO PARAIBANO:
"AMANDA E MONICK", DE ANDRÉ COSTA!
TROFÉU NEPPAU DE MELHOR TRABALHO
DE CONCLUSÃO DE CURSO DO DECOM-TUR/UFPB:
"MATA SETE", DE GLAUCIA MAGALHÃES E NIEDJA
MELHOR DIREÇÃO:
ANGELO DEFANTI, POR "MARIDOS, AMANTES E PISANTES"!
MELHOR ROTEIRO:
SÉRGIO SANTOS, COM O CURTA "22"!
MELHOR FOTOGRAFIA:
JOÃO CARLOS BELTRÃO, POR "ENRAIZADOS"!
MELHOR EDIÇÃO:
ELY MARQUES, POR "TERRA ERMA"!
MELHOR ATRIZ:
LUDMILA NASCARELLA, POR "COM AS PRÓPRIAS MÃOS"!
MELHOR ATOR:
HAROLDO MIKLOS, POR "O PENSADOR"!
MELHOR ANIMAÇÃO:
"AS SCISMAS DO DESTINO", DE LEONARDO
FIALHO, DE PERNAMBUCO!
TROFÉU ARUANDA DE JÚRI POPULAR:
"HIATO", DE VLADIMIR SEIXAS, DO RIO DE JANEIRO
TROFÉU NEPPAU DE MELHOR FILME
PARAIBANO DE 35MM OU 16MM, PRODUZIDO EM 2008:
"HOMENS", DE LÚCIA CAUS E BERTRAND LIRA
TROFÉU BNB DE CINEMA TEMÁTICANORDESTINA:
"A ENCOMENDA DO BICHO MEDONHO", DE ANDRÉ COSTA!
TROFÉU FIEP/SESI DE MELHOR CURTA PARAIBANO.
"OS BALÕES DE 74", DE Luciano Mariz (ou de Fábio Rogério Rezende??)
TROFÉU CABEÇOTE DE MELHOR
CURTA PARAIBANO (ABD-PB):
"BANZO ANALÍTICO", DE TACIANO VALÉRIO!
TROFÉU ZOOM (programa da TV Cultura)
DE MELHOR CURTA DO FESTIVAL:
"TERRA ERMA"
JÚRI OFICIAL DAS CATEGORIAS PRINCIPAIS
(ANIMAÇÃO, DOCUMENTÁRIO E DICÇÃO), FORMADO PELA CINEASTA E MONTADORA SHIRLEY MARTINS, PELO JORNALISTA (PRESIDENTE DA ACADEMIA PARAIBANA DE CINEMA), WILLS LEAL E PELO CRÍTICO MARCELO LYRA, DE SÃO PAULO.
CATEGORIA:
TV UNIVERSITÁRIA
FILME PUBLICITÁRIO
E VIDEOCLIPE
JÚRI FORMADO PELOS PROFESSORES MARCUS NICOLAU,
VICTOR BRAGA E PEDRO NUNES, DO DECOMTUR-UFPB.
REPORTAGEM DE TV:
"CÉLULAS TRONCO", DE PEDRO ORTIZ, DA TV USP!
DOCUMENTÁRIO PARA TV:
"PESCA DE MESTRE", DE GABRIEL TEIXEIRA, DA TV UFBA!
Menção HONROSA:
"DOC BAHIA ENTRE AMIGOS – CARYBÉ E VERGER", DA TV FTC
PEÇA PUBLICITARIA:
"COTONETE", DE AURÉLIO ARAÚJO DO IESP!
VIDEOCLIPE:
"SENTADO NA BEIRA DO RIACHO", DE DANIEL CASTELO BRANCO, DE PERNAMBUCO!
MENÇÃO HONROSA:
"STORY OF US", DE RIZEMBERG FELIPE.
TV UNIVERSITÁRIA
PROGRAMA DE TV:
"CENA 7", DE IGOR SOUTO E BRUNO D'ALMEIDA,
DA TV UNIFACS-BAHIA
INTER-PROGRAMA:
"GIRO SÃO LÁZARO", DIREÇÃO COLETIVA DA TV FTC DA BAHIA!
(Extraído da REVISTA DE CINEMA ON LINE)
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Domingo, Dezembro 14, 2008
[ UMA PAUSA ]
Acabei de ter um susto ao tentar acessar esse blog abandonado. Há séculos que não piso os pés aqui e agora me deu um súbita vontade de escrever alguma coisa e quando tentei entrar não estava conseguindo mais. De repente me deu um medo de perder esses 5 anos de história do Birilo. Eu falei 5 anos? Pois já se passou esse tempo todo e nem me dei conta. Nem sei se tem alguém que ainda acessa esse blog. Porque não tem coisa pior do que abrir sites, blogs e afins sem atualização. É frustrante.
Pois bem, quis entrar aqui para registrar um momento especial aqui em João Pessoa de afazeres cinematográficos e afins. Tanta coisa acontecendo e eu metida em boa parte delas. Filmes, oficina de cineclubismo, festival de cinema, sessão de cineclube, etc. Estou até de embreagada. Hoje é que fiz uma pausa. Depois de quase um mês de trabalhos mils. Não estou reclamando, não. Ao contrário. Registro isso aqui para não esquecer. E para celebrar e pedir mais, muito mais. Viva!
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